Palafitas flutuantes
Palafitas flutuantes A09_1443
Palafitas flutuantes A09_1453
Palafitas flutuantes A10_1517
Palafitas flutuantes A84_5619
Data de atualização
14 de July de 2026
Código da Fotografia
A10_1517
Título da Foto
Palafitas flutuantes
Legenda minimalista
A10_1517 Palafitas flutuantes
Texto humano de Acessibilidade (alt_text) - Descrição dos elementos fotografados
Ao som do motor, o ribeirinho assomou-se à janela da palafita, cuja parede aparece inteira em composição com as roupas estendidas no varal. O enquadramento busca a composição áurea, a sútil regra dos terços, que acentua o olhar indagador do homem. Todas as fotos selecionada, ilustram a moradia ribeirinha e todas elas inclui discretamente o elemento humano.
Descrição Principal (texto humano, em revisão humana, inspirado pela fotografia)
Palafita flutuante
A palafita é tão flutuante, mas tão flutuante, que os pontaletes e esteios, sobre os quais se apoia a construção inteira, feitos da mais dura e durável acariquara (Minquartia guianensis), parecem ter vontade própria e escolher um lugar mais pra cá ou mais pra lá. Tem hora que nem pontalete parece ter mais. Aquela moradia balança junto com a canoa à ela amarrada. Andar numa beira, conhecer seus moradores e retornar em outra estação do ano sugere ao sentimento aquela dúvida cruel: será que era aqui mesmo? O visual era outro. O respiro profundo da água dita o ritmo da paisagem, e consegue desorientar nas primeiras passagens ocasionais, como visitante, incapaz de entender. Mas a compreensão se apresentou quando me tornei um morador do igapó, que junto ao sagrado líquido respira. Disso eu me enriqueci, pois dessa respiração participei, como legitimo morador do paraná, vários anos sendo parte do ciclo completo que faz a paisagem inspirar e expirar. Só assim para sentir o mistério das lendas, transeunte que passa todo dia, que não é daquele lugar, mas é passante costumeiro. A sensação de desejar o bom-dia, com familiaridade e, com sorte, merecer algum comentário do nativo, que revela mais um pouco daquele jeito de viver, tão novidade para mim.
Que poderia desejar mais quando, na próxima passagem, eu mesmo mostraria aquele conhecimento adquirido que faria mais profunda a amizade e o entendimento mútuo.
Paraná do Ariaú é onde morei um tempo, o suficiente para entender um pouco aquele povo e conhecer o ariá, aquela batatatinha que deu nome ao lugar, tão saborosa que parece o milho dos antigos, uma pequena raíz oval que eu comi em Manacapuru e me fez desejá-la sempre que possível e comentar sobre ela com o ribeirinho amigo: é verdade — respondeu ele — minha avõ plantava, minha mãe cozinhava... faz é tempo que não vejo dela.
— Tu quer? Vou conseguir umas mudas para tu, sei quem tem.
Descrição de fotos anexas (texto humano, em revisão humana, inspirado pelas fotografias anexas)
O valor da discrição
Na margem esquerda do rio Manacapuru, à duas horas de navegação da cidade de Manacapuru, a minha 300mm ficou escaneando a paisagem durante toda a viagem. Na câmera D2X o sensor APS-C aumenta a focal da lente de 300 para 450mm. Aprecio isso porque quanto maior a teleobjetiva menor a possibilidade de alterar a espontaneidade da ação. O trivial ato de levantar a câmera faz as pessoas alterar seu comportamento, inclusive na tentativa de registrar animais. A simples presença humana, de um desconhecido, pode modificar a expressão.
A minha preferência de lentes de longa focal é reforçada por essa qualidade de preservar a espontaneidade da cena. Quando isso não é possível, só há uma maneira de recuperar o autêntico comportamento, dentro do registro: evitar o quanto possível mostrar as câmeras logo na chegada. O equipamento, guardado dentro da mochila, não deve ser mostrado e usado até que não seja criada uma confiança. Quem é esse cara? O que ele quer de nós?
É muito importante, educado e tranquilizador se apresentar antes de qualquer captura fotográfica, explicar o meu trabalho e, finalmente, quando o ambiente tiver bem descontraído, perguntar: posso fazer umas fotos?
Legenda limitada (max 500 caracteres, resumo geral das narrativas, suporte sintético com revisão humana)
A palafita flutuante acompanha o ritmo do rio. Seus esteios de acariquara parecem ter vontade própria, e a moradia balança com a canoa amarrada. O ciclo das águas transforma a paisagem e desorienta um visitante que retorna; só quem mora ali respira com a sagrada água doce. No Paraná do Ariaú, morei tempo suficiente para aprender, um pouco, a pensar como eles, os nativos. Conhecer esse fôlego sazonal e conhecer o ariá, batatinha que nomeia o lugar.
As palafitas foram registradas navegando pelo rio Manacapuru.
Localidade da tomada
Cidade Flutuante - Manacapuru - Amazonas - Brasil
Data e hora da tomada fotográfica
March 24, 2006 5:49:13 PM
Palavras-chave (seleção humana, inteiramente manual)
Amazonas | Amazônia | América do Sul | América Latina | Brasil | caboclos | GENTE | Manacapuru | Orla de Manacapuru | PAISAGENS | paisagens aquáticas | palafita | ribeirinhos | rio Manacapuru | rios
Glossário (suporte sintético com revisão humana)
Descrição
Também conhecida como seção áurea ou proporção áurea, a regra dos terços é um princípio de composição fotográfica que divide a imagem em nove partes iguais por duas linhas horizontais e duas verticais imaginárias (como um jogo-da-velha), posicionando os elementos de interesse nas interseções (pontos de ouro) ou ao longo dessas linhas para criar equilíbrio visual e dinamismo. A técnica tem raízes na pintura clássica e foi formalizada para fotografia no século XVIII, conforme descreve Freeman (2007). O uso da regra dos terços evita a centralização excessiva do sujeito, conduzindo o olhar do espectador de forma mais natural pela cena, observa Peterson (2011). Em fotografia de natureza e paisagem, a linha do horizonte deve coincidir com uma das linhas horizontais da grade, privilegiando céu ou terra conforme o interesse narrativo, recomenda Kelby (2019). A aplicação da regra não é obrigatória: composições que intencionalmente a subvertem podem gerar impacto expressivo, desde que haja consciência técnica da escolha, alerta Freeman (2007). Câmeras modernas e aplicativos de edição oferecem sobreposição da grade de terços em tempo real, facilitando a aplicação durante a captura, conforme documenta Kelby (2019).
Apesar dessa facilidade incentivar o uso da regra dos terços, ela pode induzir numa monotonia de composição. Assim que, cada caso é um caso!
Descrição
Termo que designa o habitante tradicional das margens dos rios e canais da Amazônia. Resultante de um longo processo de miscigenação entre populações indígenas, colonizadores europeus e, em muitos casos, descendentes de africanos, o ribeirinho desenvolveu uma cultura profundamente adaptada aos ciclos hidrológicos de cheia e vazante. Sua subsistência baseia-se tradicionalmente na pequena agricultura de várzea, na pesca artesanal e no extrativismo vegetal. A identidade ribeirinha é intrinsecamente ligada ao ecossistema fluvial, manifestando-se em conhecimentos vernáculos sobre a floresta, na arquitetura das casas de palafita e em uma organização social que prioriza a solidariedade comunitária e a autonomia em relação aos centros urbanos (GALVÃO, 1955).
Descrição
O ariá (Goeppertia allouia) é um tubérculo tradicional da Amazônia, consumido por povos indígenas há mais de 9 mil anos. Nativo das Américas Central e do Sul, apresenta textura crocante e sabor que remete ao milho, com leve dulçor natural. É classificado como fonte vegetal de proteína de alto valor biológico, fornecendo os nove aminoácidos essenciais, além de minerais como ferro, potássio, magnésio e zinco, e vitaminas do complexo B e C. O tubérculo é colhido entre julho e setembro, coincidindo com o período de seca na Amazônia, o que o torna uma alternativa alimentar em épocas de escassez de caça e pesca. Na culinária, pode ser consumido cozido, assado, em purês, saladas, chips, ou utilizado na produção de bebidas fermentadas como o caxiri. Na Amazônia brasileira, especialmente na região de Manaus, é conhecido popularmente como ariá, mas recebe outros nomes em diferentes localidades da América Latina, como leren ou lairém. Considerado um 'sal vegetal' por comunidades do Alto Rio Negro, dispensa a adição de sal no cozimento devido ao seu sabor naturalmente salgado. (BARROS, 2020; ALVES, 2024; GONÇALVES et al., 2022).
Paráfrase com atribuição autoral (suporte sintético com revisão humana)
Sobre as palafitas
As palafitas ribeirinhas da Amazônia são frequentemente vistas sob uma ótica que as associa à precariedade, mas essa percepção desconsidera sua lógica construtiva e cultural profundamente enraizada no ambiente de várzea. De acordo com Perdigão (2016), a arquitetura vernacular, construída sem arquitetos, expressa o significado do lugar e a sabedoria de quem aprendeu a habitar o ritmo das águas. Essa arquitetura espontânea, que configura a fisionomia da cidade ribeirinha, revela com linguagens próprias o ambiente onde foi construída e a cultura que a produziu. Sena e Santana (2026) aprofundam essa reflexão ao analisar a inadequação habitacional na Ilha do Combu, em Belém, mostrando que as improvisações dos moradores — resultado de carências edilícias e fundiárias — são respostas criativas e adaptativas ao desafio de viver em áreas insulares da Amazônia. A história da Vila da Barca, narrada por Conc (2025), ilustra essa dinâmica com vivacidade: a comunidade nasceu "do movimento das águas e das pessoas", com casas improvisadas sobre a maré, onde "as pontes balançavam quando a gente andava". Mesmo em reassentamentos formais, os moradores tendem a reproduzir princípios do tipo palafita com os quais se identificam, indicando que a adaptação habitacional e a manutenção da identidade ribeirinha são fatores decisivos para a qualidade de vida e a permanência cultural. Reconhecer a palafita como um tipo construtivo legítimo é, portanto, um gesto de respeito à cultura ribeirinha e à sua relação com o ambiente amazônico.
Sobre o ariá
O ariá (Goeppertia allouia) é um tubérculo tradicional da Amazônia, cujo valor alimentar e cultural permaneceu vivo pela memória das comunidades ribeirinhas e indígenas. Como destaca Barros (2020), a planta é conhecida popularmente como ariá, lerén, variá ou tupinambur, e tem grande utilidade na alimentação, na medicina tradicional e até na ornamentação. Gonçalves, Felix e Fonseca (2022) lembram que o ariá era chamado de "a batata que salga" entre as comunidades do Alto Rio Negro, um saber mantido principalmente pelas mulheres, que transmitiram de geração em geração o cultivo e o preparo desse tubérculo que dispensa sal no cozimento devido ao seu sabor naturalmente salgado. Estudos recentes têm resgatado seu potencial tecnológico: Nascimento et al. (2025) caracterizaram os amidos extraídos do ariá, demonstrando seu potencial funcional para a indústria alimentícia, e destacam que, além do uso tradicional para subsistência, esse tubérculo pode apoiar a agricultura regional, preservar o patrimônio indígena e gerar renda sustentável. O cultivo do ariá, que permaneceu por séculos como um alimento esquecido, é hoje também um gesto de valorização da cultura alimentar amazônica.
Referências bibliográficas
— BARROS, Domingos Rodrigues. _Potencial tecnológico do amido nativo do ariá (Goeppertia allouia (Aubl.) Borchs. & S. Suárez)_. Dissertação (Mestrado em Ciência e Engenharia de Materiais) - Universidade Federal do Amazonas, Manaus, 2020.
— CONC, Gabriela. _Vila da Barca: das águas da violência ao território que se fez resistência_. Belém: Voz das Comunidades, 2025. Disponível em: https://vozdascomunidades.com.br/geral/vila-da-barca-das-aguas-da-violencia-ao-territorio-que-se-fez-resistencia/. Acesso em: 5 jul. 2026.
— GONÇALVES, Iramar G.; FELIX, Leticia; FONSECA, Leticia P. da. *Ariá: retomada de um saber tradicional*. Vitória: Ifes, 2022.
— NASCIMENTO, Gustavo Costa do; TAGLIAPIETRA, Bruna Lago; SILVA, Luan Ramos da; et al. _Technological and Functional Potentialities of Mairá (Casimirella rupestris) and Ariá (Goeppertia allouia) Starches_. *Plant Foods for Human Nutrition*, v. 80, n. 53, 2025. Disponível em: http://repositorio.ital.sp.gov.br/jspui/handle/123456789/878. Acesso em: 5 jul. 2026.
— PERDIGÃO, Ana Klaudia de Almeida Viana. _Tipo e tipologia na palafita amazônica da cidade de Afuá_. VIRUS, São Carlos, n. 13, 2016. Disponível em: http://www.nomads.usp.br/virus/virus13/?sec=4&item=2&lang=pt. Acesso em: 5 jul. 2026.
— SENA, Maria Gabriela de Andrade de; SANTANA, Joana Valente. Moradia ribeirinha na Amazônia paraense: particularidade da inadequação habitacional na Ilha do Combu (Belém-Pará). _O Social em Questão_, Rio de Janeiro, v. 1, n. 64, p. 401-428, 2026. Disponível em: https://www.redalyc.org/journal/5522/552283945014/html/. Acesso em: 5 jul. 2026.
GeoCoordinates
Fotógrafo
Leonide Principe
Tipo de camera
DSLR (reflex digital)
Captura da Imagem
digital
Dimenções e tamanho do original
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Capa
A10_1517.jpg
Anexos
A09_1443.jpg - A84_5619.jpg - A09_1453.jpg - A10_1517.jpg
Identificador uma palavra
Ribeirinhos
Pessoas na foto
unknown
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A10_1517 - Palafitas flutuantes - Leonide Principe
Resumo dos metadados
A10_1517 - Leonide Principe
Equipment: NIKON D2X with lens 300mm f/2.8 set at 300 mm
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Date: March 24, 2006 - 5:49:13 PM
Location Taken: Cidade Flutuante - Manacapuru - Amazonas - Brasil)
Coordinates: 3.26427° S - 60.67373° W
Persons shown: unknown
Website: https://leonideprincipe.photos/
Source: Acervo PhotoAMAZONICA
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