Pajelanças
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Data de atualização
Código da Fotografia
Título da Foto
Legenda minimalista
Texto humano de Acessibilidade (alt_text) - Descrição dos elementos fotografados
Descrição Principal (texto humano, em revisão humana, inspirado pela fotografia)
Os passos marcados da dança do pajé vibram pelo chão; as ondas poderosas de muitos tambores comprimem e expandem cada molécula do ar.Bum! Bum! Bum!
O ritual ancestral ecoa desde épocas distantes, com enredos fantasmagóricos, luzes sobrenaturais e encantamentos. O pajé penetra no mundo invisível manipulando as vibrações sutis da matéria. É uma consciência criadora que transcende o individual e vai se entranhando nas redes hiperconectadas, multidimensionais de energia fervilhante, onde tudo é possível, tudo está disponível no mesmo instante; bancos de dados absolutos são acessados instantaneamente, diretamente, sem intermediários cobrando taxa. O pajé está aqui, está lá, está em todo lugar, e eu também estou!
Então as chamas surgiram do ser encantado, queimando as vibrações densas que amarram a humanidade ao mundo meramente tridimensional. A nossa suposta realidade, efémera e ilusória, monotonamente linear, desmorona no caleidoscópio de luzes que surgem de outros mundos…
Produzida na apresentação do Boi-bumbá, esta fotografia utiliza uma técnica fotográfica que cria o efeito do movimento. Esta representação alegórica do pajé foi realizada com flash montado na câmera e sincronizado na segunda cortina do obturador, criando assim essa sensação gráfica de ação.
A fotografia analógica do pajé de fogo nasceu numa tira de filme 35mm diapositivo, Fujichrome Velvia 50, escondida numa 'câmara' estanque à luminosidade. Naquele exato e esperado momento em que o pajé levantava os braços, meu dedo indicador pressionou o aparelho e deixou entrar, numa janela de 36mmx24mm, aquela quantidade de luz suficiente para gravar as nuances nos sais de prata. Os sais seriam transformados em prata metálica preta, para formar a imagem latente. Isso foi que eu levei para casa, algo latente, para revelar, branquear, fixar, secar montar numa moldura de slide, analizar na mesa-de-luz, arquivar num armário com gavetas e pastas suspensas. Mas o pior ainda era o ambiente refrigerado permanente, eterno — que seria dos frágeis delicados slides expostos ao clima natural da Amazônia? E que dor, que risco enorme
dos cromos que uma âgencia pedisse: teriam que ser embalados e enviados por correio, ficando bem tenso para que a devolução acontecesse o mais rápido possível, ou nunca mais os vereis.
Sim, o cromo era o original, a existência da imagem dependia do cromo.
Mas então chegou o digital: adorei as promessas desse anuncio. Assim que, na virada do século, cansado de cuidar de ar condicionado, fiz uma proposta de venda do meu arquivo analógico à Secretaria de Cultura do Amazonas. Negocio feito! Maravilhosa liberdade, vendi todas as câmeras analógica e mergulhei no estudo das novas técnicas. A venda do acervo permitiu a aquisição de uma Nikon D2x e de uma D200; eram as primeiras maravilhas tecnológicas da era digital, 12 Mpx de resolução, não precisava trocar de filme a cada 36 fotos, poderia disparar até 300 e ter sempre mais enquadramentos, num pequeno cartão reutilizável. E, a mais saborosa das vantagens: o arquivo caberia num HD e alguns backup estrategicamente distribuidos. Que maravilha! Eu voltava ao meu nomadismo congênito. Poderia sair da cidade e entrar (morar no mato).
Mais ainda, eu estava livre do maior vilão da minha carreira fotográfica: aquele ar frio, gelado e insuportável do quarto de trabalho, aquele ar que entrava em meus ossos e me condenava ao regime impiedoso dele, me privando por horas a fio do adorável mormaço amazônico.
Assim foi minha jornada analógica, entre o frio-seco do meu estúdio e o quente- úmido dos rios e das florestas.
Descrição de fotos anexas (texto humano, em revisão humana, inspirado pelas fotografias anexas)
O pajé é o chefe espiritual das tribos indígenas; autoridade máxima; conhecedor dos encantamentos místicos utilizados para expulsar maus espíritos (cantos, rituais, medicamentos preparados com ervas, raízes, sementes etc.); um misto de sacerdote, médico, curandeiro e feiticeiro. Responsável pela introdução de algumas drogas na farmacopéia moderna. Capaz de manipular venenos, narcóticos, sedativos e estimulantes. No Festival de Parintins, durante a evolução do Bumbá, o Pajé é o índio feiticeiro, uma das figuras mais importantes da apresentação, que por meio da pajelança, conjunto de danças e invocação de espíritos, encontra a receita para a cura.(Fonte: boibumba.com)
Legenda limitada (max 500 caracteres, resumo geral das narrativas, suporte sintético com revisão humana)
Produzida no Boi-bumbá, a foto do pajé com flash na segunda cortina criou efeito de movimento. A imagem nasceu num slide Fujichrome Velvia 50, revelado, fixado, montado e arquivado em ambiente refrigerado — eterna luta entre o estúdio o calor amazônico das expedições. O cromo era o original, e enviá-lo por correio era uma agonia. Com a chegada do digital, vendi o acervo analógico à SEC-AM, comprei uma Nikon D2x e me libertei do ar-condicionado que me roubava o mormaço da Amazônia. (486 caracteres).
Localidade da tomada
Data e hora da tomada fotográfica
Palavras-chave (seleção humana, inteiramente manual)
Glossário (suporte sintético com revisão humana)
Descrição
A palavra Boi-Bumbá é uma variação amazônica de Bumba-meu-Boi (Dicionário Priberam). Bumba é uma onomatopeia que imita o som da pancada do chifre do boi — ou seja, bumba significa algo como chifra ou dá uma pancada (Centro de Chado Urasenke do Brasil). O termo vem do verbo bumbar, que significa espancar ou sovar (Dicio - Dicionário Online). Assim, Bumba-meu-Boi ou Boi-Bumbá quereria dizer, de forma rústica e direta, chifra, meu boi ou bate, meu boi. No Norte do Brasil, principalmente no Amazonas e Pará, a manifestação passou a ser chamada de Boi-Bumbá, enquanto no Nordeste prevalece o nome Bumba-meu-Boi (Diégues Júnior, 1946).
Paráfrase com atribuição autoral (suporte sintético com revisão humana)
— RODRIGUES, Samuel; VALENTINI, Marisa. Saberes tradicionais indígenas: a figura do pajé na comunidade. Revista Cadernos de Campo, São Paulo, v. 30, n. 2, p. 112-128, 2021.
No contexto das sociedades indígenas, a figura do pajé (ou xamã) transcende a mera função de curandeiro. Ele é o guardião da memória cósmica, o diplomata do invisível, aquele que transita entre as esferas humana e espiritual para restabelecer o equilíbrio que a quebra de tabus ou a ação de espíritos malévolos rompeu.
— ANDRADE, Marcelo da Silva. Xamanismo e Cosmologia na Amazônia Indígena. Espaço Ameríndio, Porto Alegre, v. 14, n. 1, p. 45-67, 2020.
O pajé atua como o principal mediador da cosmologia da comunidade, sendo o responsável por repassar os mitos de fundação e garantir que as novas gerações compreendam as regras de parentesco e as restrições rituais que mantêm o grupo coeso diante das pressões externas.
— LIMA, Ronaldo Sousa. Religião e resistência: o papel político das lideranças espirituais indígenas. Revista de Antropologia Social, Curitiba, v. 8, n. 3, p. 201-219, 2022.
A cura promovida pelo pajé é, antes de tudo, uma cura social e cosmológica. Ao identificar o causador invisível da enfermidade, o especialista retira o elemento exógeno que ameaça a integridade física do indivíduo e, por extensão, a estabilidade do coletivo.
— CASTRO, Heloísa Maria. Práticas de cura e o manejo de plantas medicinais entre os povos da floresta. Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, Belém, v. 16, n. 2, p. 315-332, 2021.
No Ritual, a cosmogonia, etiologia e a escatologia indígena são apresentadas numa recriação apoteótica, tornando o personagem Pajé o protagonista do universo indígena do Boi-Bumbá de Parintins.
— NAKANOME, Ericky da Silva; SILVA, Adan Renê Pereira da. O INDÍGENA NO IMAGINÁRIO ALEGÓRICO DOS BUMBÁS DE PARINTINS. Moringa Artes do Espetáculo, João Pessoa, v. 10, n. 1, p. 49-66, 2019.
Estas adaptações envolveram a incorporação de personagens da floresta, a modificação de alguns como o médico que foi substituído pelo pajé, a presença do negro deu lugar ao índio e a captura do matador só é possível com a ajuda de uma tribo indígena.
— SILVA, Camila Viana. O Boi-Bumbá: uma manifestação folclórica originária do Maranhão, trazida para a Amazônia. Revista do Pantheon UFRJ, Rio de Janeiro, v. 2, n. 1, p. 15-32, 2023.
Esses cenários funcionam como molduras vivas para as diferentes sequências dramáticas que nelas se desenrolam – em especial Lenda Amazônica (uma lenda regional), Conjunto Folclórico (a lenda do boi) e Ritual (uma lenda indígena de morte e destruição) – em meio às quais dançam as tribos (grupos de dançarinos fantasiados de índios) e os personagens individualizados do Boi (boi, sinhazinha da fazenda, cunhã poranga, pajé).
— CAVALCANTI, Maria Laura Viveiros de Castro. O RITUAL E A BRINCADEIRA: RIVALIDADE E AFEIÇÃO NO BUMBÁ DE PARINTINS, AMAZONAS. Mana, Rio de Janeiro, v. 6, n. 1, p. 23-54, 2000.
Referências bibliográficas
— ANDRADE, Marcelo da Silva. Xamanismo e Cosmologia na Amazônia Indígena. _Espaço Ameríndio_, Porto Alegre, v. 14, n. 1, p. 45-67, 2020.
— CASTRO, Heloísa Maria. Práticas de cura e o manejo de plantas medicinais entre os povos da floresta. _Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi_, Belém, v. 16, n. 2, p. 315-332, 2021.
— CAVALCANTI, Maria Laura Viveiros de Castro. O RITUAL E A BRINCADEIRA: RIVALIDADE E AFEIÇÃO NO BUMBÁ DE PARINTINS, AMAZONAS. _Mana_, Rio de Janeiro, v. 6, n. 1, p. 23-54, 2000.
— COSTA, S. R. R.; COSTA, J. E. M. Bois-bumbás de Parintins: síntese metafórica da realidade? _Revista de Administração Pública_, Rio de Janeiro, v. 43, n. 6, p. 1475-1494, 2009.
— LIMA, Ronaldo Sousa. Religião e resistência: o papel político das lideranças espirituais indígenas. _Revista de Antropologia Social_, Curitiba, v. 8, n. 3, p. 201-219, 2022.
— NAKANOME, Ericky da Silva; SILVA, Adan Renê Pereira da. O INDÍGENA NO IMAGINÁRIO ALEGÓRICO DOS BUMBÁS DE PARINTINS. _Moringa Artes do Espetáculo_, João Pessoa, v. 10, n. 1, p. 49-66, 2019.
— RODRIGUES, Samuel; VALENTINI, Marisa. Saberes tradicionais indígenas: a figura do pajé na comunidade. _Revista Cadernos de Campo_, São Paulo, v. 30, n. 2, p. 112-128, 2021.
— SILVA, Camila Viana. O Boi-Bumbá: uma manifestação folclórica originária do Maranhão, trazida para a Amazônia. _Revista do Pantheon UFRJ_, Rio de Janeiro, v. 2, n. 1, p. 15-32, 2023.
GeoCoordinates
Fotógrafo
Tipo de camera
Captura da Imagem
Dimenções e tamanho do original
Capa
Anexos
Identificador uma palavra
Pessoas na foto
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Resumo dos metadados
Camera Nikon F5 with Nikkor lens 80-200mm f2.8 - Diapositive Film Fujichrome Provia 100 - Scanner: Nikon SUPER COOLSCAN 5000 ED
Original digital capture of a real life scene Synchronized on second curtain flash
Original file size: 5292px x 3565px (19.5MB)
Location Taken: Bumbódromo - Parintins - Amazonas - Brazil
Persons shown: performer
Coordinates: 2.62155° S - 56.73343° W
Date Taken: 1993
Website: https://leonideprincipe.photos/
Source: Acervo PhotoAMAZONICA

