Navegar para festar
Em festa A80_4374
Acrobática negociação A84_5453
Barcos festivos A84_5461
Beiradão abarotado P07_146
Data de atualização
16 de June de 2026
Código da Fotografia
P07_145
Título da Foto
Navegar para festar
Legenda minimalista
P07_145 Navegar para festar
Texto humano de Acessibilidade (alt_text) - Descrição dos elementos fotografados
O disco solar, bem definido, é uma grande bola amarelada próxima do horizonte. O por-do-sol tinge a paisagem toda, o céu e a água do rio Amazonas são de um tom alaranjado. No caminho de luz, quatro barcos descem o rio, dois deles bem na faixa de luz do sol. O rumo das embarcações é a Ilha de Tupinambarana: a festa já vai começar!
Descrição Principal (texto humano, em revisão humana, inspirado pela fotografia)
No final de Junho, barcos regionais estão navegando pelo rio Amazonas, em direção à Parintins. Vindo de todas as direções, uma frota de barcos converge até esta singular cidade do médio Amazonas onde, cada ano, nesta época, celebra-se um festival folclórico, magnífico, superlativo e com alegorias monumentais.
Claramente eu estou nesta comitiva festiva, entre as duas cores dos competidores, azul e vermelho, eu preciso escolher a minha cor e participar das animadas e alegres discussões sobre o próximo vencedor. A navegação dura de dois a três dias, dependendo do barco, e em qualquer momento posso fazer uma foto do rio Amazonas com pelo menos três embarcações no enquadramento. As danças antecipadas sobre o convés superior, ao sol escaldante dos trópicos ou à luz das estrelas e da lua, tecem novas amizades, novos efêmeros amores e preparam os foliões para a festiva semana do Boi-Bumbá. O festival de Parintins é considerado um dos maiores eventos folclóricos do planeta. Muitos se questionam como pode uma cidade tão pequena produzir um evento tão exuberante.
Isso tem a ver com ancestralidade. A opinião comum e oficial é que antes da chegada dos europeus havia por estas bandas povos primitivos e selvagens… porém, novas pesquisas e novas descobertas realizadas por uma turma de jovens arqueólogos e antropólogos mostra um panorama social da Amazônia bem diferente.
Havia uma mobilidade social muito grande, os nativos falavam no mínimo uma meia dúzia de idiomas. É como dizer que um europeu poderia falar inglês, francês, russo, italiano, grego e alemão além da sua própria língua. Sem necessidade de bancos ou de governos, nem de moedas e regulamentos, os nativos viajavam levando sua cultura única para outros povos.
Dizem as pesquisas que, ao contrário do comércio voraz, mercenário e guerreador dos europeus, aqui nas Américas pré-colombianas havia intensos intercâmbios culturais, aqui tinha uma intensa rede de caminhos, trilhas e estradas com até 20 metros de largura. Não que não ouvesse conflitos, mas no geral o clima social entre os indígenas mostrava uma razoável tolerância da diversidade, e para isso contribuía muito o fato de se conhecer o idioma de outros povos. Havia tribos cuja única função era a de organizar festa e, durante uma época do ano, as tribos vizinhas suspendiam toda hostilidade e se encontravam para festejar.
A famosa lenda das Amazonas diz que uma tribo de mulheres-guerreiras defendiam valorosamente seu território dos vizinhos que queriam dominá-las. Conhecidas como Icamiabas, uma vez por ano, essas mulheres e seus inimigos guardavam as armas e proclamavam um grande celebração. Homens-guerreiros da vizinhança chegavam desarmados e prontos para amar as valentes Icamiabas. Destas relações nasceriam crianças que seriam muito bem cuidadas na aldeia das mulheres. No ano seguinte, na próxima celebração, os homens recebiam os meninos nascidos no ano anterior, para levá-los às suas aldeias, enquanto que as meninas se tornavam Icamiabas. Não por acaso, a região atribuída a estas mulheres-guerreiras está próxima da ilha Tupinambarana (Parintins), na outra margem do rio Amazonas. Lá, no Espelho da Lua, as mulheres-guerreira presenteavam com um poderoso amuleto, os homens que lhes propiciavam uma filha.
Descrição de fotos anexas (texto humano, em revisão humana, inspirado pelas fotografias anexas)
Beiradão abarotado
A cidade de Parintins, de frente ao rio Amazonas, assiste todo ano, durante o Festival, à chegada de centenas de barco. No final de Junho, quando a cheia está no pico máximo, o porto vive um frenesi excepcional. De todos os rios, lagos, furos e paranás, uma frota se aperta em direção à ilha, assim como a lua puxa a maré. Atracados à sua turbulenta beira, lambida pela correnteza do maior rio, cada barco grita sua presença, com seu som a todo volume, gente que vai, gente que vem, gente dançando por todo lado.
O Bumbódromo
O Bumbódromo é a arena onde acontece o Festival, onde os dois bois — o azul Caprichoso e o vermelho Garantido — disputam o campeonato do ano. Dividida ao meio, a arena separa rigorosamente os torcedores: uma parte recebe os torcedores de um time; ali só tem azul e o vermelho é proibido. A outra metade recebe o time contrário; ali só tem vermelho e nada que seja azul. Quando um boi se apresenta, somente os seus torcedores gritam, agitam bandeiras, levantam os braços, enquanto o grupo contrário fica em total silêncio e imóvel. Os jurados observam, entre outras coisas, o comportamento das torcidas, para que essas regras sejam respeitadas, sob pena de perda de pontos.
Chegou a hora do retorno, muitas danças já aconteceram, era tanta gente, mas tanta gente, que a ilha Tupinambarana afundou um pouco mais. Assim dizem os foliões jocosos, dançando e batendo o pé no chão, com força, como que para afundar mais ainda, num ritmo que ecoa desde as ancestrais e povoadissimas aldeias das beiras. De fato, o evento é uma espetacular mistura de culturas onde a tradição nordestina da jovem nação brasileira se combina com a herança milenar dos povos indígenas.
Mesmo no retorno, a festa continua no convés do barco, ao rufo incansável dos tambores: a grande avenida do rio Amazonas fica extraordinariamente decorada com um visual de intensa navegação. Aos barulhentos motores empenhado na escalada da forte correnteza se adiciona o volume máximo das caixas de som, as quais derramam decibéis de ‘toadas’ (musicas cantadas do Boi-bumbá) sobre os barrancos das pacatas comunidades. Em todos os estilos e cores, em sua maioria de madeira, os barcos sentem o peso da correnteza do majestoso rio Amazonas, o qual segue seu curso inabalável em direção ao oceano Atlântico. Se na ida precisou dois dias de navegação para chegar ao destino, na volta para Manaus é preciso contar três dias.
É nesta avenida que os moradores das beiras, os ribeirinhos, se organizam para montar um eficiente comércio de frutas, peixes e artesanatos, que oferecem aos festivos navegantes. Sabendo que os barcos não irão parar nem reduzir sua velocidade contra a correnteza, os habilidosos canoeiros encostam na borda dos barcos e ali se seguram até concluir a acrobática negociação.
Localidade da tomada
Amazon river - Parintins - Amazonas - Brazil
Data e hora da tomada fotográfica
1992
Palavras-chave (seleção humana, inteiramente manual)
Amazonas | Amazônia | América do Sul | América Latina | barcos regionais | Boi-bumba | Brasil | celebração | CULTURA | eventos | Festival Folclórico de Parintins | folclore | navegação fluvial | PAISAGENS | paisagens aquáticas | Parintins | pôr-do-sol | pré-história | rio Amazonas | rios | sol | tramonto | TRANSPORTE | Tupinambarana
Glossário (suporte sintético com revisão humana)
Descrição
A palavra Boi-Bumbá é uma variação amazônica de Bumba-meu-Boi (Dicionário Priberam). Bumba é uma onomatopeia que imita o som da pancada do chifre do boi — ou seja, bumba significa algo como chifra ou dá uma pancada (Centro de Chado Urasenke do Brasil). O termo vem do verbo bumbar, que significa espancar ou sovar (Dicio - Dicionário Online). Assim, Bumba-meu-Boi ou Boi-Bumbá quereria dizer, de forma rústica e direta, chifra, meu boi ou bate, meu boi. No Norte do Brasil, principalmente no Amazonas e Pará, a manifestação passou a ser chamada de Boi-Bumbá, enquanto no Nordeste prevalece o nome Bumba-meu-Boi (Diégues Júnior, 1946).
Paráfrase com atribuição autoral (suporte sintético com revisão humana)
Barcos chegam enfeitados com bandas tocando toadas a todo o momento que antecede o Festival. Chegam de todos os lados e das mais variadas direções, de diversos tamanhos e com os mais diferentes passageiros, das mais diferentes classes sociais. Não importando diferenças de cor, credo, raça ou ideologia. Todos interessados na Festa que se aproxima.
— NEVES, Diogo Labiak. Dois pra lá, dois pra cá. Dissertação (Mestrado). 2005, p. 66-67.
A orla da cidade a partir da quinta feira começa a ser tomada por barcos, os quais trazem os brincantes dos bois dos mais diversos pontos da Amazônia, esses barcos servem de hoteis flutuantes, e na madrugada de segunda feira, antes de raiar o dia todos partem de volta aos seus locais de origem e a cidade que foi tomada por milhares de turistas por 3 dias amanhece novamente pacata, como se nada tivesse acontecido ali.
— COMEÇA A FESTA NA FLORESTA - FESTIVAL DE PARINTINS. Blog do Elias, 26 jun. 2009.
Nos barcos regionais, a viagem partindo de Manaus à ilha de Parintins demora, em média, 18 horas na ida, e 24 na volta. A distância de 369 km que separa as cidades não é motivo de desânimo para quem vai assistir à apresentação dos Bumbás. A celebração já começa dentro das embarcações, que percorrem o longo caminho pelo Rio Amazonas até a sede da rivalidade entre Garantido e Caprichoso.
— Atrasados para Festival de Parintins viralizam ao atravessar de um barco para outro em movimento. O Globo, 2023. [](https://oglobo.globo.com/cultura/noticia/2023/06/atrasados-para-festival-de-parintins-viralizam-ao-atravessar-de-um-barco-para-outro-em-movimento-video.ghtml)
O Brasil todo, embaixadores, representações de países que estão no Brasil viajam para o nosso Estado, para Manaus, e depois se deslocam de barco ou de avião – uma média de 18 horas, 20 horas de barco e uma hora de avião –, descendo a principal avenida da Amazônia, que é o rio Amazonas.
— JOÃO PEDRO (Senador). Anais do Senado Federal. Brasília, 2008.
Nessa quarta-feira, havia já muitos forasteiros na cidade; e, nas esplanadas junto à Catedral de Nossa Senhora do Carmo, na praça central de Parintins, a cerveja escorria gelada e abundante. É a bebida-rainha do Festival de Parintins, ao ponto do jornalista Luiz Antonio del Tedesco escrever, com muita graça, que "o volume de cerveja consumido por aqui nessa época daria para encher outro rio Amazonas". As ruas, essas, estavam pintalgadas por esvoaçantes papéis vermelhos e brancos ou azuis e brancos, consoante fosse zona de apoiantes do Boi-Bumbá Garantido ou do Boi-Bumbá Caprichoso. O ambiente era de festa!
— GOMES, Filipe Morato. Festa dos Visitantes de Parintins (e os dias antes do festival). Alma de Viajante, 2025.
A trilha sonora que nos interpela durante uma caminhada por este caldeirão é composta pelas toadas, músicas que agitam a dança dos bois Caprichoso e Garantido. Elas são ouvidas nos bares, nas lojas, nas casas dos torcedores, na região do porto e nas rádios locais, de modo que são inevitavelmente assimiladas pela galera e cantadas em uníssono durante as Festas dos Visitantes e as apresentações no Bumbódromo. Em Parintins, durante as festividades juninas, não há espaço para o silêncio.
— RODRIGUES, Allan Tawan. In: CAVALCANTI, Maria Laura Viveiros de Castro (Org.). Complexo Cultural do Boi Bumbá do Médio Amazonas e Parintins - Dossiê IPHAN. Brasília: Iphan, 2016. p. 45-46.
A saída da caravana transformou o embarque em uma verdadeira extensão da festa de Parintins. Torcedores vestidos de vermelho e branco cantaram toadas, tocaram instrumentos e celebraram antecipadamente o clima do festival folclórico. A alvorada é o aquecimento do festival, o momento em que o público chega e sente a emoção da festa, afirmou Rosivaldo Monte Verde, um dos responsáveis pela batucada da caravana.
— RIBEIRO, Luana. Caravana do Encantamento leva torcedores para a Alvorada do Boi Garantido em Parintins. A Crítica, Manaus, 29 abr. 2026.
Referências bibliográficas
— Atrasados para Festival de Parintins viralizam ao atravessar de um barco para outro em movimento. O Globo, Rio de Janeiro, 2023. Disponível em: [https://oglobo.globo.com/cultura/noticia/2023/06/atrasados-para-festival-de-parintins-viralizam-ao-atravessar-de-um-barco-para-outro-em-movimento-video.ghtml](https://oglobo.globo.com/cultura/noticia/2023/06/atrasados-para-festival-de-parintins-viralizam-ao-atravessar-de-um-barco-para-outro-em-movimento-video.ghtml). Acesso em: 15 jun. 2026.
— COMEÇA A FESTA NA FLORESTA - FESTIVAL DE PARINTINS. Blog do Elias, 26 jun. 2009. Disponível em: [http://professorelias.blogspot.com/2009/06/comeca-festa-na-floresta-festival-de.html](http://professorelias.blogspot.com/2009/06/comeca-festa-na-floresta-festival-de.html). Acesso em: 15 jun. 2026.
— GOMES, Filipe Morato. Festa dos Visitantes de Parintins (e os dias antes do festival). Alma de Viajante, 2025. Disponível em: [https://www.almadeviajante.com/festa-dos-visitantes-de-parintins](https://www.almadeviajante.com/festa-dos-visitantes-de-parintins). Acesso em: 15 jun. 2026.
— JOÃO PEDRO (Senador). Discurso sobre o Festival de Parintins. In: BRASIL. Senado Federal. Anais do Senado Federal. Brasília: Senado Federal, 2008.
— NEVES, Diogo Labiak. Dois pra lá, dois pra cá. Dissertação (Mestrado) - Universidade de São Paulo, São Paulo, 2005.
— RIBEIRO, Luana. Caravana do Encantamento leva torcedores para a Alvorada do Boi Garantido em Parintins. A Crítica, Manaus, 29 abr. 2026. Disponível em: [https://www.acritica.com](https://www.acritica.com/). Acesso em: 15 jun. 2026.
— RODRIGUES, Allan Tawan. In: CAVALCANTI, Maria Laura Viveiros de Castro (Org.). Complexo Cultural do Boi Bumbá do Médio Amazonas e Parintins - Dossiê IPHAN. Brasília: Iphan, 2016. p. 45-46.
GeoCoordinates
Fotógrafo
Leonide Principe
Tipo de camera
Filme 35mm
Captura da Imagem
film
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Capa
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Anexos
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Identificador uma palavra
Boi-bumbá
Pessoas na foto
none
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Resumo dos metadados
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Camera Nikon F5 with Nikkor lens 300mm f2.8 - Diapositive Film Fujichrome Velvia 50 - Scanner: Nikon SUPER COOLSCAN 5000 ED
Original digital capture of a real life scene
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Location Taken: Amazon river - Parintins - Amazonas - Brazil
Persons shown: none
Coordinates: 2.61288° S - 56.77407° W
Date Taken: 1992
Website: https://leonideprincipe.photos/
Source: Acervo PhotoAMAZONICA
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