Ecoalfabetização
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Data de atualização
5 de May de 2026
Código da Fotografia
A102_0527
Título da Foto
Ecoalfabetização
Legenda minimalista
A102_0527 Ecoalfabetização
Texto humano de Acessibilidade (alt_text) - Descrição dos elementos fotografados
O tronco de uma considerável samaumeira (Ceiba pentandra) ocupa o segundo terço da imagem. Seus grandes braços extendem-se além da borda do fotograma e, sobre um dos galho, que cresce horizontal ao tronco, há um menino deitado, olhando para a câmera, sorrindo, com as pernas cruzada, bem a vontade. A espessura do galho é 3-4 vezes maior que o menino com capacete e ancorado numa corda de escalada.
Descrição Principal (texto humano, em revisão humana, inspirado pela fotografia)
Criança e árvore
Várias pesquisas revelam que a relação entre a criança e a árvore é uma conexão biófila fundamental, expressa tanto na literatura poética quanto na neurobiologia vegetal. O ato de subir em árvores é identificado como uma atitude crucial para o desenvolvimento da autoconfiança, da percepção espacial e da consciência ecológica. Autores como Louv e Mancuso ressaltam que a árvore não é apenas um objeto inanimado, mas um organismo que ensina resiliência e cooperação. Essa interação milenar, em nossos dias urbanizados, combate o transtorno de déficit de natureza e permite que adultos e principalmente crianças experimentem a integração plena com a arquitetura viva do planeta.
Muitas culturas tradicionais e trabalhos intuitivos apontam essa evolução anímica de nossas amigas, as árvores. A árvore da foto, uma jovem samaumeira de 30 metros (Ceiba pentandra), que batizamos de Filhote e foi companheira de muitas, muitas escaladas. A crianças perfeitamente à vontade é o meu filho, educado segundo os princípios da ecoalfabetização.
Descrição de fotos anexas (texto humano, em revisão humana, inspirado pelas fotografias anexas)
Muita serotonina
Que seria de nós sem as árvores? Na foto, a menina de 7 anos mostra sua alegria por ter chegado ao topo do angelim-ferro (Dinizia excelsa) de 60 metros de altura. Ainda há aqueles que olham para uma árvore e calculam quantos metros cúbicos de madeira daria. Mas dá para entender, eles não sabem… Só por estar em pé uma árvore presta um grande serviço para a humanidade toda. Uma grande árvore emergente como o angelim pode evaporar até 1000 litros de água por dia (NOBRE, Antônio Donato, 2014). Esse é apenas um serviço desses gigantes sub-estimados e até ignorados. A minha maior gratidão vai para a enorme quantidade de serotonina que meu corpo produziu por causa das escaladas na copa das árvores. Essa alegria toda, como a da Kena, e das centenas de pessoas que guiei até a copa das árvores, não tem preço. Uma vibração energética peculiar gera-se nas situações de interação com a natureza, ativando bem-estar e benevolência e se alastrando até manifestar-se em consideráveis mudanças sociais. Por uma questão de evolução, o Produto Interno Bruto deixará de ser medido pelo mercado, e incluirá em seus indicadores a felicidade de cada um, cada indivíduo da sociedade, sem exceções.
Localidade da tomada
Paraná do Ariaú - Iranduba - Amazonas - Brazil
Data e hora da tomada fotográfica
2010-01-26 03:29:23
Palavras-chave (seleção humana, inteiramente manual)
Amazonas | Amazônia | América do Sul | América Latina | Ariau bridge | árvore emergente | árvores | Brasil | Ceiba pentandra | crianças | escalada em árvores | escaladores de árvores | FLORA | floresta ombrófila | floresta pluvial | floresta tropical úmida | GENTE | interação com a natureza | Iranduba | PAISAGENS | paraná do Ariaú | plantas | Ponte do Ariaú | samaúma | samaumeira
Glossário (suporte sintético com revisão humana)
Descrição
(do tupi kurumĩ.) Menino indígena e, por extensão, menino caboclo.
Descrição
Prática de ascensão em troncos e copas usando técnicas de corda, nós e equipamentos de segurança, com origens em saberes tradicionais de povos florestais. Na Amazônia, ribeirinhos e indígenas utilizam peconhas e cipós para acessar frutos, ninhos e observar a fauna, conforme documenta Shanley (2005).
Para fotografia de natureza, a escalada permite acesso ao dossel, camada que abriga aproximadamente 80% da biodiversidade florestal, ampliando perspectivas de registro além do sub-bosque (Principe, 2012).
Como atividade turística, a Tropical Tree Climbing, fundada por Leonide Principe, introduziu protocolos de condução para escaladores de primeira viagem, com reconhecimento da International Tree Climbing Association (Principe, 2012).
Há ainda a escalada científica moderna, que permite estudos de biodiversidade no dossel sem danos às árvores, técnica descrita por Lowman (2009). Mais do que esporte, é forma de conexão vertical com o ecossistema.
A valiosa pertinência da escalada em árvores ao ambiente de floresta é cultural, e solicita seu nobre e merecido lugar nas práticas educativas.
Descrição
Processo de aprendizado dos princípios de organização dos sistemas vivos (como interdependência, ciclos e diversidade), visando a criação de sociedades sustentáveis. O conceito propõe que a natureza seja compreendida como um sistema dinâmico cujos padrões devem servir de modelo para a organização social e educacional humana (CAPRA, 1996).
Descrição
Neurotransmissor derivado do aminoácido triptofano, sintetizado principalmente no trato gastrointestinal e no sistema nervoso central. Conhecida como a molécula do bem-estar, a serotonina atua na regulação do humor, do sono, do apetite e das funções cognitivas. No contexto da infância e do contato com a natureza, atividades físicas como o ato de subir em árvores estimulam a liberação deste composto, auxiliando na redução de níveis de ansiedade e promovendo estados de relaxamento e satisfação emocional (LOUV, 2016).
Descrição
O Transtorno de Déficit de Natureza é um conceito que descreve o conjunto de problemas físicos e mentais decorrentes da desconexão entre seres humanos e o meio ambiente. Não é uma patologia clínica listada no CID, mas um fenômeno social. O TDN aponta que o confinamento em ambientes urbanos e o uso excessivo de telas contribuem para o aumento do estresse, da hiperatividade e da fadiga sensorial, sugerindo que a 'vitamina N' (N de Natureza) é vital para a saúde e o aprendizado.
— LOUV, Richard. A última criança na natureza: resgatando nossos filhos do transtorno do déficit de natureza. Tradução de Silvana Carretero. São Paulo: Aquariana, 2016.
Paráfrase com atribuição autoral (suporte sintético com revisão humana)
Para mim, as árvores sempre foram os pregadores mais penetrantes. Eu as venero quando vivem em povos e famílias, em florestas e bosques. E ainda mais as venero quando estão isoladas. Elas são como pessoas solitárias. Não como eremitas que se retiraram por causa de alguma fraqueza, mas como grandes homens solitários, como Beethoven e Nietzsche. Em suas copas sussurra o mundo, suas raízes repousam no infinito; mas elas não se perdem nele, antes buscam com toda a força de sua vida uma única coisa: realizar a sua própria lei, que reside nelas, desenvolver sua própria forma, representar a si mesmas. Nada é mais sagrado, nada é mais exemplar do que uma árvore formosa e forte.
— HESSE, Hermann. Bäume: Betrachtungen und Gedichte. 1919, p. 1, Insel Verlag.
A criança, para subir numa árvore, precisa de planejamento, foco e agilidade. Ao escalar, ela deve decidir onde colocar o pé, qual galho suportará seu peso e como manter o equilíbrio. Esse tipo de 'brincadeira de risco' é fundamental para a autoconfiança. No topo da árvore, a criança ganha uma nova perspectiva do mundo; ela deixa de ser pequena em um mundo de gigantes e passa a observar a vida de cima, sentindo-se parte integrante da natureza que a sustenta.
— LOUV, Richard. A última criança na natureza: resgatando nossas crianças do distúrbio de déficit de natureza. 2016, p. 184. Aquariana.
As plantas são os seres vivos mais parecidos com as crianças. As crianças brincam de crescer, e as árvores também. As árvores têm braços que são galhos, e as crianças têm braços que são ramos de vida. Quando uma criança sobe numa árvore, ela não está apenas subindo em madeira; ela está se integrando à arquitetura do mundo, sentindo o balanço da terra e o sussurro das folhas que contam histórias muito antigas, de quando o homem e a floresta eram uma só voz sob o sol.
— MACHADO, Ana Lúcia. Educação com a natureza. 2015, p. 42. Polo Books.
As árvores são os seres mais vivos da natureza. Eu acho que as crianças sentem isso por instinto. Elas gostam de subir nas árvores para ficar mais perto do céu, para olhar o mundo de cima, de um jeito que os adultos não conseguem mais. No tempo de Narizinho, subir em árvore era como viajar para um reino distante sem sair do quintal. As árvores não são apenas madeira; são amigas que guardam segredos e oferecem os seus braços, que são os galhos, para que as crianças possam descansar e sonhar.
— LOBATO, Monteiro. Reinações de Narizinho. 1931, p. 12. Companhia Editora Nacional.
O curumim aprende com a árvore antes de aprender com o homem. A árvore ensina o silêncio, a espera do fruto e a força da raiz. Para nós, subir no tronco de uma sumaúma, a nossa Ceiba pentandra, é um rito de passagem e de escuta. A criança indígena não vê a árvore como um objeto, mas como um parente antigo que dá sombra e sustento. Quando os pés descalços apertam a madeira viva, acontece uma conversa que não precisa de palavras. A árvore protege o espírito da criança.
— MUNDURUKU, Daniel. Vozes da floresta. 2002, p. 55. Moderna.
Havia um muro alto, e o meu desejo era ver o que havia do outro lado. Mas eu era pequeno. Então descobri a árvore. Ela era o meu degrau para o infinito. Subir nela era como ler um livro de mistérios, onde cada galho era uma página e o topo era o ponto final, de onde eu podia ver o mundo inteiro. As árvores são as nossas irmãs mais velhas, elas nos esperam com paciência. Elas nos oferecem o dorso para que possamos alcançar o céu.
— BARROS, Manoel de. Memórias inventadas: a infância. 2003, p. 28. Planeta.
As crianças têm uma capacidade inata de perceber as plantas como seres vivos. É um erro afastar as crianças do contato físico com as plantas sob o pretexto de segurança. A árvore é a maior e mais sofisticada escola de arquitetura que uma criança pode frequentar. Ali, ela aprende que a vida é descentralizada e que a força não vem da autoridade de um cérebro único, mas da colaboração de todas as partes do organismo vegetal que permitem que aquele tronco suporte o peso de um pequeno humano.
— MANCUSO, Stefano. A revolução das plantas: um novo modelo para o nosso futuro. 2017, p. 112. Ubu Editora.
Uma infância sem árvores é uma infância emparedada. O direito de subir em árvores deveria ser garantido em todos os planos diretores, pois é ali, no topo de um oiti ou de uma sibipiruna, que a criança exercita a cidadania do olhar. Ela percebe que o mundo é maior que a rua e que a vida depende da seiva. Sem esse contato, perdemos a sensibilidade ecológica. A árvore é a nossa maior aliada na educação para a vida, oferecendo lições gratuitas de ecologia, estética e resistência.
— LUTZENBERGER, José. Manifesto ecológico brasileiro: do direito à vida. 1976, p. 89. Movimento.
Referências bibliográficas
— BARROS, Manoel de. Memórias inventadas: a infância. São Paulo: Planeta, 2003.
— LOBATO, Monteiro. Reinações de Narizinho. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1931.
— LOUV, Richard. A última criança na natureza: resgatando nossas crianças do distúrbio de déficit de natureza. São Paulo: Aquariana, 2016.
— LUTZENBERGER, José. Manifesto ecológico brasileiro: do direito à vida. Porto Alegre: Movimento, 1976.
— MACHADO, Ana Lúcia. Educação com a natureza. São Paulo: Polo Books, 2015.
— MANCUSO, Stefano. A revolução das plantas: um novo modelo para o nosso futuro. São Paulo: Ubu Editora, 2017.
— MUNDURUKU, Daniel. Vozes da floresta. São Paulo: Moderna, 2002.
GeoCoordinates
Fotógrafo
Leonide Principe
Tipo de camera
DSLR (reflex digital)
Captura da Imagem
digital
Dimenções e tamanho do original
4312px x 2868px - 8.5MB
Capa
A102_0527.jpg
Anexos
A102_0512.jpg - A132_7263.jpg - E20_4578.jpg - E62_6414.jpg
Identificador uma palavra
Escalada em árvores
Pessoas na foto
Kinan
alt_text
A102_0527 - Ecoalfabetização - Leonide Principe
Resumo dos metadados
A102_0527 - Leonide Principe
Equipment: NIKON D2X with lens 70-200 mm F2.8 set at 140 mm
Exposition: ISO: 100 - Aperture: 5.3 - Shutter: 1/125 - Program: Normal - Exp. Comp.: 0.0, Original digital capture of a real life scene
Original file size: 4312px x 2868px, Size: 8.5MB
Location: Paraná do Ariaú - Iranduba - Amazonas - Brazil
Persons shown: Kinan
Coordenates: 3.09490° S - 60.43520° W
Date Taken: 2010-01-26 03:29:23
License: Creative Commons Attribution-NonCommercial (CC BY-NC)
Website: https://leonideprincipe.photos/
Source: Acervo PhotoAMAZONICA
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Recurso Educacional Livre
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