Barco de buriti


Data de atualização
Código da Fotografia
Título da Foto
Legenda minimalista
Texto humano de Acessibilidade (alt_text) - Descrição dos elementos fotografados
Descrição Principal (texto humano, em revisão humana, inspirado pela fotografia)
Tudo isso só para mostrar a importância daqueles dois objetos que andam sempre juntos: a pedra e a faca. Também podemos entender aquela habilidade de manuseio, cortando de maneira tão limpa e precisa, como se fosse manteiga.
Descrição de fotos anexas (texto humano, em revisão humana, inspirado pelas fotografias anexas)
Pendurado na parede de casa, o menino ribeirinho ficou tímido num primeiro breve momento: não deve ser todo dia que passam estranhos por essas bandas, porém o garoto tem o sorriso fácil quando a conversa entra na brincadeira.
Na parede da casa são visíveis três esteiras sobre-postas, o ribeirinho-artesão usou a própria haste central da palmeira (a nervura) como base. Ele vai quebrando a fibra na base de cada folíolo com o polegar, dobrando-a num ângulo de 45 graus e trançando com a folha do lado oposto.
Isso cria uma trama contínua, firme e sem emendas soltas, pois a própria estrutura natural da folha segura o trançado. Quando essa parede (ou esteira) seca completamente, ela clareia ainda mais, ficando com aquele visual de palha branca impecável, plano e muito resistente e, não menos importante, favorecendo a ventilação e a dissipação do calor.
Localidade da tomada
Data e hora da tomada fotográfica
Palavras-chave (seleção humana, inteiramente manual)
Glossário (suporte sintético com revisão humana)
Descrição
Termo que designa o habitante tradicional das margens dos rios e canais da Amazônia. Resultante de um longo processo de miscigenação entre populações indígenas, colonizadores europeus e, em muitos casos, descendentes de africanos, o ribeirinho desenvolveu uma cultura profundamente adaptada aos ciclos hidrológicos de cheia e vazante. Sua subsistência baseia-se tradicionalmente na pequena agricultura de várzea, na pesca artesanal e no extrativismo vegetal. A identidade ribeirinha é intrinsecamente ligada ao ecossistema fluvial, manifestando-se em conhecimentos vernáculos sobre a floresta, na arquitetura das casas de palafita e em uma organização social que prioriza a solidariedade comunitária e a autonomia em relação aos centros urbanos (GALVÃO, 1955).
Descrição
(Mauritia flexuosa) – Palmeira nativa e amplamente distribuída nas regiões amazônica e do Cerrado brasileiro, fortemente associada a áreas úmidas conhecidas como veredas. É considerada uma espécie-chave para a manutenção desses ecossistemas, pois serve de abrigo e alimento para a fauna silvestre (MARTINS et al., 2014). Suas folhas e caule fornecem fibras amplamente utilizadas no artesanato regional e na construção de coberturas. Além disso, seus frutos possuem polpa rica em ácidos graxos insaturados e carotenoides, com elevado teor de pró-vitamina A (CORDEIRO et al., 2023). O óleo extraído da polpa possui alto valor nutricional e grande potencial de aplicação nas indústrias cosmética, farmacêutica e alimentícia.
Paráfrase com atribuição autoral (suporte sintético com revisão humana)
— LIMA, Maria da Conceição, Saberes da floresta: educação e identidade ribeirinha, 2012, Editora Universitária
O artesanato em miriti e buriti, particularmente a produção de brinquedos e miniaturas de barcos, constitui uma manifestação cultural expressiva na região norte. O talo dessas palmeiras possui uma medula interna extremamente leve e macia, assemelhada ao isopor, que permite o entalhe preciso de detalhes complexos como janelas, casas de comando, lemes e balaustradas. O processo de confecção envolve a coleta do olho da palmeira, a secagem natural do talo e o corte cuidadoso com lâminas afiadas.
— ALMEIDA, Ronaldo, Brinquedos de Miriti: arte, devoção e identidade no Pará, 2010, IPHAN
Os barcos regionais, conhecidos popularmente como recreios ou barcos de linha, representam o principal meio de transporte de passageiros e cargas nas hidrovias amazônicas. Caracterizam-se por sua estrutura de madeira com dois ou mais conveses, onde o primeiro andar é destinado ao acondicionamento de mercadorias pesadas e maquinários, enquanto o segundo andar abriga o salão de redes, a cozinha e a cabine de comando. A arquitetura dessas embarcações reflete uma adaptação secular às condições específicas de navegabilidade dos rios locais.
— GARRIDO, Roberto, Navegantes da Amazônia: a vida a bordo dos barcos de linha, 2019, Editora Valer
O buriti é a palmeira mais abundante na Amazônia e se desenvolve nas áreas de várzeas e igapós. Das folhas retiram-se fibras para a fabricação de cordas, redes de dormir e tapetes; o talo serve para a confecção de móveis leves, brinquedos e artesanato em geral. Na cosmologia de vários povos indígenas, o buriti representa o sustento e a própria origem de certos elementos da floresta, sendo considerado por naturalistas como a árvore da vida devido ao seu múltiplo aproveitamento pelas populações locais.
— SMITH, Nigel, Palms and People in the Amazon, 2015, Springer
As técnicas tradicionais de construção civil e naval na Amazônia baseiam-se na observação da natureza e no manejo adequado das espécies vegetais. A exploração madeireira, a coleta de palhas para cobertura de habitações, a confecção de utensílios domésticos e de trabalho, e as artes de fiar e tecer fibras vegetais constituem o acervo tecnológico que viabiliza a reprodução física e cultural dos grupos humanos na região.
— DIEGUES, Antônio Carlos, O mito moderno da natureza intocada, 2008, Hucitec
Referências bibliográficas
— DIEGUES, Antônio Carlos. O mito moderno da natureza intocada. São Paulo: Hucitec, 2008.
— GARRIDO, Roberto. Navegantes da Amazônia: a vida a bordo dos barcos de linha. Manaus: Editora Valer, 2019.
— LIMA, Maria da Conceição. Saberes da floresta: educação e identidade ribeirinha. Belém: Editora Universitária, 2012.
— SMITH, Nigel. Palms and People in the Amazon. New York: Springer, 2015.
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Anexos
Identificador uma palavra
Pessoas na foto
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Resumo dos metadados
Camera Nikon F5 with Micro Nikkor lens 60mm f2.8
Diapositive Film Fujichrome Velvia 50
Scanner: Nikon SUPER COOLSCAN 5000 ED
Original digital capture of a real life scene -
Original file size: 5323px x 3602px Size: 15.3MB
Location Taken: Tucandera - Barcelos - Amazonas - Brazil
Persons shown: unavailable info
Coordenates: 1.05057° S - 62.80513° W
Date Taken: 1997
License: Creative Commons Attribution-NonCommercial (CC BY-NC)
Website: https://leonideprincipe.photos/
Source: Acervo PhotoAMAZONICA
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