A hora do pescador
P15_353 A hora do pescador
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Data de atualização
Código da Fotografia
Título da Foto
Legenda minimalista
Texto humano de Acessibilidade (alt_text) - Descrição dos elementos fotografados
Descrição Principal (texto humano, em revisão humana, inspirado pela fotografia)
No paraná do Ramos, um canal que corre paralelo à margem direita do rio Amazonas, conheci uns pescadores que estavam indo para lagos distantes e fartos de peixe. Me associei àquela empreitada e marchamos por algumas horas. Me disseram que na época da cheia aquela região ficava completamente alagada, e que agora, com a água baixa os peixes ficavam concentrados em lagoas fechadas. Eles tinham um propósito bem claro, eles estavam querendo levar para casa o prezado pirarucu (Arapaima gigas). E eles pescaram tudo que poderiam carregar. Na foto de capa, o peixe fisgado pelo anzol do pescador luta numa última tentativa de liberdade.
Descrição de fotos anexas (texto humano, em revisão humana, inspirado pelas fotografias anexas)
A excursão dos pescadores que acompanhei não foi uma tentativa de sorte. Eles sabiam do resultado, conheciam bem o lugar e seus desejados moradores. Esta é uma peculiaridade amazônica, o ribeirinho conhece como funciona o ecossistema que, nessas condições, é generoso e farto. Relatórios escritos desde os primeiros exploradores europeus demonstram muito bem que os que se aventuraram na Amazônia passaram fome por sua falta de conhecimento da região. Outra limitação ao farto ambiente amazônico pode vir da alteração do equilíbrio ecológico ou da excessiva exploração com pesca predatória. Porém, onde a pujança natural do ecossistema permanece dominante, o morador pode ficar tranquilo que sempre haverá comida em sua mesa. Os anzóis, preparados com um pedaço de carne, fisgavam um pirarucu atrás do outro.
P02\030 Sustento do pescador
O seu Chico limpou o pirarucu (Arapaima gigas) com uma pericia acumulada ao longo de muitas pescarias, ele preparou a manta de pirarucu para salgar e secar ao sol. Assim o peixe pode ser armazenado e, mais tarde, ser vendido nos mercados. Aquele dia ele salgou os peixes todos, deixando apenas a parte do ventre, chamada de ventresca. Aquilo seria o nosso jantar: a mulher dele, dona Rosa, lavou a prezada parte do peixe na beira do rio, colocou numa panela com a mesma água de rio e levou ao fogo, adicionando apenas um pouco de sal e alguns temperos, cebolinha e cheiro-verde, que ela tinha perto de casa. O sabor daquele jantar, à luz do candeeiro, foi para mim inesquecível, não conseguia entender como aquele pedaço de peixe cozinhado naquela água barrenta podia ter aquele sabor delicioso, mais refinado que os meus melhores jantares gourmet nas capitais do mundo, como uma poucas ervas colhidas no quintal equilibravam o sabor forte do peixe.
Localidade da tomada
Data e hora da tomada fotográfica
Palavras-chave (seleção humana, inteiramente manual)
Glossário (suporte sintético com revisão humana)
Descrição
Termo que designa o habitante tradicional das margens dos rios e canais da Amazônia. Resultante de um longo processo de miscigenação entre populações indígenas, colonizadores europeus e, em muitos casos, descendentes de africanos, o ribeirinho desenvolveu uma cultura profundamente adaptada aos ciclos hidrológicos de cheia e vazante. Sua subsistência baseia-se tradicionalmente na pequena agricultura de várzea, na pesca artesanal e no extrativismo vegetal. A identidade ribeirinha é intrinsecamente ligada ao ecossistema fluvial, manifestando-se em conhecimentos vernáculos sobre a floresta, na arquitetura das casas de palafita e em uma organização social que prioriza a solidariedade comunitária e a autonomia em relação aos centros urbanos (GALVÃO, 1955).
Descrição
(Arapaima gigas – do tupi piraru'ku, "peixe vermelho".) Maior peixe escamoso de água doce brasileiro e possivelmente o maior do mundo. Seu sabor é excelente, rivalizando com o bacalhau. Quase sem espinhas (apenas espinha dorsal e costelas), é um peixe carnoso, dividido em duas grandes postas que, salgadas e secas ao sol, são vendidas em feiras livres, exportadas e até contrabandeadas. É amplamente consumido pela população e em hotéis. Também é apreciado fresco, frito, assado e em forma de bolinhos. Sua língua óssea é utilizada para ralar o bolo de guaraná. Suas escamas servem como lixas de unha exóticas, porém muito eficientes, e também são empregadas na confecção de artesanatos.
Etimologia (suporte sintético com revisão humana)
Paráfrase com atribuição autoral (suporte sintético com revisão humana)
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— NEVES, W. A., Antropologia biológica e ecologia humana, 2009, Editora UFRJ
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O manejo comunitário do pirarucu em áreas de reserva transformou a relação do ribeirinho com a floresta.
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— AMARAL, E. S., Manejo participativo do pirarucu, 2012, IDSM
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A captura do pirarucu nas várzeas amazônicas é regida por um calendário hidrológico rigoroso que determina o sucesso da pesca e a segurança do pescador. Durante a seca, quando o nível das águas baixa e os peixes ficam confinados em lagos e canais, o ribeirinho utiliza seu conhecimento sobre a profundidade e a transparência da água para localizar os cardumes. Essa atividade, embora tradicional, hoje é integrada a sistemas de contagem e cotas, garantindo que a exploração do recurso não comprometa a reposição natural das populações nos ciclos de cheia subsequentes.
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— VIANA, J. P., Estratégias para o manejo do pirarucu, 2010, Ibama
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O uso do arpão é a técnica mais tradicional e seletiva empregada pelos pescadores de pirarucu na Amazônia central. Diferente das redes de emalhar, o arpão permite ao ribeirinho escolher o espécime adulto, poupando os juvenis e as fêmeas em período reprodutivo. Essa precisão artesanal reflete uma ética de conservação intrínseca à cultura ribeirinha, onde o respeito ao tempo de vida do peixe é fundamental para a manutenção da soberania alimentar da família e da comunidade a longo prazo.
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— BATISTA, V. S., Pesca e ecologia nos recursos pesqueiros da Amazônia, 2014, Editora Inpa
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O conhecimento etnoecológico do ribeirinho permite identificar o sexo e o tamanho aproximado do pirarucu apenas pelo som do seu bocejo na superfície da água. Essa percepção sensorial apurada é fruto de uma vida inteira de observação nos barrancos e canoas, onde o silêncio é a ferramenta principal do pescador. Ao entender os sinais do ambiente, o homem do rio antecipa o comportamento da presa, estabelecendo uma conexão profunda entre o predador humano e o ciclo biológico da fauna aquática amazônica.
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— MORAN, E. F., A ecologia humana das populações da Amazônia, 1990, Vozes
Referências bibliográficas
— BATISTA, V. S. Pesca e ecologia nos recursos pesqueiros da Amazônia. Manaus: Editora Inpa, 2014.
— JUNK, W. J. A várzea amazônica: ecologia e manejo. Manaus: Editora Inpa, 2011.
— MORAN, E. F. A ecologia humana das populações da Amazônia. Petrópolis: Vozes, 1990.
— NEVES, W. A. Antropologia biológica e ecologia humana. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 2009.
— SMITH, N. J. H. O rio Amazonas. São Paulo: Brasiliense, 2002.
— VIANA, J. P. Estratégias para o manejo do pirarucu. Brasília: Ibama, 2010.
GeoCoordinates
Fotógrafo
Tipo de camera
Captura da Imagem
Dimenções e tamanho do original
Capa
Anexos
Identificador uma palavra
Pessoas na foto
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Resumo dos metadados
Camera Nikon F5 with Nikkor lens 80-200mm f2.8
Diapositive Film Fujichrome Velvia 50
Scanner: Nikon SUPER COOLSCAN 5000 ED
Original digital capture of a real life scene -
Original file size: 5175px x 3553px Size: 28.0MB
Location Taken: Paraná do Ramos - Parintins - Amazonas - Brazil
Persons shown: none
Coordenates: 3.26485° S - 58.43813° W
Date Taken: 1991
License: Creative Commons Attribution-NonCommercial (CC BY-NC)
Website: https://leonideprincipe.photos/
Source: Acervo PhotoAMAZONICA
Licença de uso
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