A hora do pescador
P15_353 A hora do pescador
P15_353 A hora do pescador
P15_353 A hora do pescador
Data de atualização
24 de April de 2026
Código da Fotografia
P15_353
Título da Foto
A hora do pescador
Legenda minimalista
P15_353 A hora do pescador
Texto humano de Acessibilidade (alt_text) - Descrição dos elementos fotografados
Num pequeno lago (pequeno por causa da vazante avançada) ao Sul de Itacoatiara, na outra margem do rio Amazonas, um peixe de considerável tamanho se debate na beira do lago. A característica cabeça do pirarucu (Arapaima gigas) está a vista, fora da água, e pela forte agitacão da água resulta que o ançol do pescador fisgou ele.
Descrição Principal (texto humano, em revisão humana, inspirado pela fotografia)
Quando o pescador ganha
No paraná do Ramos, um canal que corre paralelo à margem direita do rio Amazonas, conheci uns pescadores que estavam indo para lagos distantes e fartos de peixe. Me associei àquela empreitada e marchamos por algumas horas. Me disseram que na época da cheia aquela região ficava completamente alagada, e que agora, com a água baixa os peixes ficavam concentrados em lagoas fechadas. Eles tinham um propósito bem claro, eles estavam querendo levar para casa o prezado pirarucu (Arapaima gigas). E eles pescaram tudo que poderiam carregar. Na foto de capa, o peixe fisgado pelo anzol do pescador luta numa última tentativa de liberdade.
Descrição de fotos anexas (texto humano, em revisão humana, inspirado pelas fotografias anexas)
P25\581 Alegria do pescador
A excursão dos pescadores que acompanhei não foi uma tentativa de sorte. Eles sabiam do resultado, conheciam bem o lugar e seus desejados moradores. Esta é uma peculiaridade amazônica, o ribeirinho conhece como funciona o ecossistema que, nessas condições, é generoso e farto. Relatórios escritos desde os primeiros exploradores europeus demonstram muito bem que os que se aventuraram na Amazônia passaram fome por sua falta de conhecimento da região. Outra limitação ao farto ambiente amazônico pode vir da alteração do equilíbrio ecológico ou da excessiva exploração com pesca predatória. Porém, onde a pujança natural do ecossistema permanece dominante, o morador pode ficar tranquilo que sempre haverá comida em sua mesa. Os anzóis, preparados com um pedaço de carne, fisgavam um pirarucu atrás do outro.
P02\030 Sustento do pescador
O seu Chico limpou o pirarucu (Arapaima gigas) com uma pericia acumulada ao longo de muitas pescarias, ele preparou a manta de pirarucu para salgar e secar ao sol. Assim o peixe pode ser armazenado e, mais tarde, ser vendido nos mercados. Aquele dia ele salgou os peixes todos, deixando apenas a parte do ventre, chamada de ventresca. Aquilo seria o nosso jantar: a mulher dele, dona Rosa, lavou a prezada parte do peixe na beira do rio, colocou numa panela com a mesma água de rio e levou ao fogo, adicionando apenas um pouco de sal e alguns temperos, cebolinha e cheiro-verde, que ela tinha perto de casa. O sabor daquele jantar, à luz do candeeiro, foi para mim inesquecível, não conseguia entender como aquele pedaço de peixe cozinhado naquela água barrenta podia ter aquele sabor delicioso, mais refinado que os meus melhores jantares gourmet nas capitais do mundo, como uma poucas ervas colhidas no quintal equilibravam o sabor forte do peixe.
Localidade da tomada
Paraná do Ramos - Parintins - Amazonas - Brazil
Data e hora da tomada fotográfica
1991
Palavras-chave (seleção humana, inteiramente manual)
Amazonas | Amazônia | América do Sul | América Latina | animais | Arapaima gigas | Brasil | caboclos | FAUNA | GENTE | linha e ançol | Paraná do Ramos | peixes | pescaria | pirarucu | Reino Animal | ribeirinhos
Glossário (suporte sintético com revisão humana)
Descrição
Termo que designa o habitante tradicional das margens dos rios e canais da Amazônia. Resultante de um longo processo de miscigenação entre populações indígenas, colonizadores europeus e, em muitos casos, descendentes de africanos, o ribeirinho desenvolveu uma cultura profundamente adaptada aos ciclos hidrológicos de cheia e vazante. Sua subsistência baseia-se tradicionalmente na pequena agricultura de várzea, na pesca artesanal e no extrativismo vegetal. A identidade ribeirinha é intrinsecamente ligada ao ecossistema fluvial, manifestando-se em conhecimentos vernáculos sobre a floresta, na arquitetura das casas de palafita e em uma organização social que prioriza a solidariedade comunitária e a autonomia em relação aos centros urbanos (GALVÃO, 1955).
Descrição
(Arapaima gigas – do tupi piraru'ku, "peixe vermelho".) Maior peixe escamoso de água doce brasileiro e possivelmente o maior do mundo. Seu sabor é excelente, rivalizando com o bacalhau. Quase sem espinhas (apenas espinha dorsal e costelas), é um peixe carnoso, dividido em duas grandes postas que, salgadas e secas ao sol, são vendidas em feiras livres, exportadas e até contrabandeadas. É amplamente consumido pela população e em hotéis. Também é apreciado fresco, frito, assado e em forma de bolinhos. Sua língua óssea é utilizada para ralar o bolo de guaraná. Suas escamas servem como lixas de unha exóticas, porém muito eficientes, e também são empregadas na confecção de artesanatos.
Etimologia (suporte sintético com revisão humana)
A palavra pirarucu origina-se do tupi antigo, formada pela junção de pira (peixe) e urucu (vermelho), em alusão à coloração das escamas da sua cauda que se assemelham ao pigmento do fruto do urucuzeiro. Já o nome científico Arapaima gigas combina o termo Arapaima — adaptação latina de um nome indígena local (warapaima) — com o epíteto grego gigas, que significa gigante, destacando seu porte excepcional entre os peixes de água doce.
Paráfrase com atribuição autoral (suporte sintético com revisão humana)
A pesca do pirarucu, o gigante das águas amazônicas, representa para o ribeirinho muito mais do que uma atividade econômica; é um ritual de paciência e precisão. O pescador observa o movimento do rio, aguardando o momento exato em que o peixe sobe à superfície para respirar, revelando parte de seu dorso avermelhado. Nesse instante, o manejo do arpão exige uma força técnica transmitida por gerações, unindo o conhecimento empírico sobre o comportamento da espécie Arapaima gigas à necessidade de subsistência das comunidades que habitam as margens dos lagos de várzea.
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— NEVES, W. A., Antropologia biológica e ecologia humana, 2009, Editora UFRJ
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O manejo comunitário do pirarucu em áreas de reserva transformou a relação do ribeirinho com a floresta.
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— AMARAL, E. S., Manejo participativo do pirarucu, 2012, IDSM
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A captura do pirarucu nas várzeas amazônicas é regida por um calendário hidrológico rigoroso que determina o sucesso da pesca e a segurança do pescador. Durante a seca, quando o nível das águas baixa e os peixes ficam confinados em lagos e canais, o ribeirinho utiliza seu conhecimento sobre a profundidade e a transparência da água para localizar os cardumes. Essa atividade, embora tradicional, hoje é integrada a sistemas de contagem e cotas, garantindo que a exploração do recurso não comprometa a reposição natural das populações nos ciclos de cheia subsequentes.
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— VIANA, J. P., Estratégias para o manejo do pirarucu, 2010, Ibama
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O uso do arpão é a técnica mais tradicional e seletiva empregada pelos pescadores de pirarucu na Amazônia central. Diferente das redes de emalhar, o arpão permite ao ribeirinho escolher o espécime adulto, poupando os juvenis e as fêmeas em período reprodutivo. Essa precisão artesanal reflete uma ética de conservação intrínseca à cultura ribeirinha, onde o respeito ao tempo de vida do peixe é fundamental para a manutenção da soberania alimentar da família e da comunidade a longo prazo.
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— BATISTA, V. S., Pesca e ecologia nos recursos pesqueiros da Amazônia, 2014, Editora Inpa
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O conhecimento etnoecológico do ribeirinho permite identificar o sexo e o tamanho aproximado do pirarucu apenas pelo som do seu bocejo na superfície da água. Essa percepção sensorial apurada é fruto de uma vida inteira de observação nos barrancos e canoas, onde o silêncio é a ferramenta principal do pescador. Ao entender os sinais do ambiente, o homem do rio antecipa o comportamento da presa, estabelecendo uma conexão profunda entre o predador humano e o ciclo biológico da fauna aquática amazônica.
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— MORAN, E. F., A ecologia humana das populações da Amazônia, 1990, Vozes
Referências bibliográficas
— AMARAL, E. S. Manejo participativo do pirarucu. Tefé: IDSM, 2012.
— BATISTA, V. S. Pesca e ecologia nos recursos pesqueiros da Amazônia. Manaus: Editora Inpa, 2014.
— JUNK, W. J. A várzea amazônica: ecologia e manejo. Manaus: Editora Inpa, 2011.
— MORAN, E. F. A ecologia humana das populações da Amazônia. Petrópolis: Vozes, 1990.
— NEVES, W. A. Antropologia biológica e ecologia humana. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 2009.
— SMITH, N. J. H. O rio Amazonas. São Paulo: Brasiliense, 2002.
— VIANA, J. P. Estratégias para o manejo do pirarucu. Brasília: Ibama, 2010.
GeoCoordinates
Fotógrafo
Leonide Principe
Tipo de camera
Filme 35mm
Captura da Imagem
analogic
Dimenções e tamanho do original
5175px x 3553px - 28.0MB
Capa
P15_353.jpg
Anexos
P15_353.jpg - P15_352.jpg - P02_030.jpg
Identificador uma palavra
Ribeirinhos
Pessoas na foto
none
alt_text
P15_353 - A hora do pescador - Leonide Principe
Resumo dos metadados
P15_353 - Leonide Principe
Camera Nikon F5 with Nikkor lens 80-200mm f2.8
Diapositive Film Fujichrome Velvia 50
Scanner: Nikon SUPER COOLSCAN 5000 ED
Original digital capture of a real life scene -
Original file size: 5175px x 3553px Size: 28.0MB
Location Taken: Paraná do Ramos - Parintins - Amazonas - Brazil
Persons shown: none
Coordenates: 3.26485° S - 58.43813° W
Date Taken: 1991
License: Creative Commons Attribution-NonCommercial (CC BY-NC)
Website: https://leonideprincipe.photos/
Source: Acervo PhotoAMAZONICA
Licença de uso
Creative Commons Attribution-NonCommercial (CC BY-NC)
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