Vossa Majestade
P14_318 Vossa Majestade
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Data de atualização
19 de May de 2026
Código da Fotografia
P14_318
Título da Foto
Vossa Majestade
Legenda minimalista
P14_318 Vossa Majestade
Texto humano de Acessibilidade (alt_text) - Descrição dos elementos fotografados
No centro da imagem uma flor de vitória-régia, em tupi jauapê-jacanã, abriu-se
Descrição Principal (texto humano, em revisão humana, inspirado pela fotografia)
Jauapê-jacanã, assim era conhecida a Victoria amazonica pelos povos nativos de língua tupi. No primeiro dia de floração, a flor é branca ou levemente rosada, avermelhando sempre mais após a polinização e com o passar dos dias. Em 1991, na época da foto eu viajava solitário, por rios e lagos, por dias, apenas caçando imagens, num pequeno barco regional que o meu generoso patrocinador Ritta Bernardino tinha me emprestado. Recém-chegado à Amazônia (um ano), eu não conseguia conter o transbordante desejo de entender e descrever todas as novidades daquela natureza sem limites, exagerada, enjoada e obesa de tantos adjetivos.
Então, naquele final da tarde, eu amarrei a embarcação numa árvore, num dos vários lagos do Janauarí, entre o rio Negro e o rio Solimões. Ali, bem ao lado, havia um prado de Jaupê Jaçanã e pleiteei uma audiência para Vossa Majestade. Estava na beira daquele prado, do lado de um botão de flor, no desejo firme de que ele se abrisse, uma hora ou outra, em toda sua graça. Não é que faltassem flores na área, mas as manobras do barco poderiam arriscar a integridade daquela beleza. Eu procurava a flor branca do primeiro dia de floração e, cedo de manhã, ela se apresentou em toda sua realeza. Aqui está Vossa Majestade! Verdadeira adorável rainha. Com reverência me curvo, Vossa Alteza! com todo o apreço e reverência que merece. Me conceda a honra de me banhar na sua luz, verdadeira rainha dos lagos amazônicos.
Digo verdadeira em oposição à outra rainha... que motivou botânicos europeus a atribuir o nome Victoria à planta.
Assim como a botânica colonial nomeou esta planta em homenagem a um império, podemos, em espírito decolonial, em homenagem a todos os povos nativos do planeta perseguidos por aquela mesma coroa sombria e seus associados, sim, há de se ver a ninfeia do jaçanã, Jaupê Jaçanã, pertencente aos povos da Amazônia, podemos enxergar nela uma filha da lua, Icamiaba indômita, representante da coletividade indígena, lutando contra invasores.
Querendo associá-la à alguma rainha, quem seria a mais apropriada do que Liliʻuokalani — não para reescrever a taxonomia, mas para lembrar que a beleza da Victoria amazonica pertence aos que celebram a natureza, não à coroas distantes que a desprezam.
A amada rainha Lili’uoKalani, foi a última monarca soberana do Havaí, deposta pelo colonialismo norte-americano. Liliʻuokalani permanece como símbolo de resistência cultural e defesa da terra em oposição à dominação colonial. Aloha Oe!
Assim fluiam os pensamentos da noite naquele lago sereno, no balanço suave do barco, na espera da luz da manhã, na visualização daquela flor aberta.
A dança garbosa que se apresentou aos meus olhos naqueles primeiros raios de sol, germinou no espelho de enquadramento da minha câmera fotográfica, ficou latente no filme e num estado de consciência que as palavras não podem alcançar.
Descrição de fotos anexas (texto humano, em revisão humana, inspirado pelas fotografias anexas)
P04\079
A gloria inglês da Vitória régia
O açu e o vidro do Palácio de Cristal, na Grande Exposição Internacional de Londres em 1851, marcaram o triunfo da industrialização sobre o mundo natural, assim acreditava-se naquela época. A construção do Palácio foi possível pela observação da incrível estrutura de uma planta: a Victoria amazonica. Joseph Paxton, o jardineiro-chefe do duque de Devonshire, despertou à atenção maravilhada de Londres e da Europa. Em primeiro lugar, ele conseguiu onde muito haviam falhado, não só ele reproduziu a vitória régia como também fez ela florescer. Em segundo lugar, pela imagem da filha, que ele fez ficar de pé sobre uma folha daquele planta exótica. E, em terceiro lugar, dois anos depois o mesmo jardineiro seria o projetista do Palácio de Cristal, que seria construído em apenas oito meses e que ele mesmo mencionou como sendo uma clara inspiração da estrutura foliar da Victoria amazonica_.
Localidade da tomada
Lago Janauari - Manaus - Amazonas - Brazil
Data e hora da tomada fotográfica
1991
Palavras-chave (seleção humana, inteiramente manual)
Amazonas | Amazônia | América do Sul | América Latina | Brasil | FLORA | floração | flores | lago do Janauari | lagos | Manaos | Manaus | PAISAGENS | paisagens aquáticas | plantas | plantas aquáticas | Victoria amazonica | vitória-régia
Glossário (suporte sintético com revisão humana)
Descrição
Mulheres guerreiras da tradição tupi amazônica, cujo nome significa mulheres sem marido ou filhas da lua. Habitavam lendariamente as margens do lago Yacy-uaruá (atual Espelho da Lua) e cultivavam a terra sem presença masculina permanente, reunindo-se com homens apenas em festividades específicas. Associadas aos amuletos de pedra verde chamados muyrakytã, simbolizam autonomia feminina e resistência cultural. O relato de sua existência por cronistas coloniais, como Gaspar de Carvajal, originou o nome do Rio Amazonas, embora a organização fosse coletiva e não monárquica (GUIDO, 1937; HEMMING, 1987; SILVA, 2019).
Descrição
Termo de origem tupi que designa a Victoria amazonica a maior ninfeia do mundo nativa da Amazônia. Jaupê significa folha d'água ou planta aquática e Jaçanã refere-se à ave Jacana jacana que caminha sobre as folhas flutuantes graças à distribuição de peso e à resistência da estrutura vegetal. A associação nominal reflete uma relação ecológica observada pelos povos amazônicos: a ave utiliza as folhas como plataforma para nidificação e alimentação enquanto a planta se beneficia da dispersão de sementes e proteção contra herbívoros. O nome contrasta com a nomenclatura científica Victoria amazonica atribuída em 1837 em homenagem à rainha Vitória do Reino Unido prática colonial que priorizou homenagens imperiais sobre saberes locais (GOMES, 2015; LORENZI; SOUZA, 2016; SILVA, 2019).
Paráfrase com atribuição autoral (suporte sintético com revisão humana)
Nenhuma outra forma vegetal traduz tão bem a quietude das águas mortas dos furos e igapós. A vitória-régia é o disco de esmeralda lançado sobre o espelho das águas, um repouso para as aves e um mistério para os homens. Sua floração é um acontecimento que altera a paisagem, trazendo uma nota de alvura espiritual para a monotonia verdejante da selva. Ela resume em si toda a estranheza e o encanto do Vale Amazônico, onde a terra e a água se confundem em um abraço eterno de criação e destruição.
— CUNHA, Euclides da. À Margem da História. Porto: Lello & Irmão, 1909.
Dizem que Naiá, a mais bela das virgens da tribo, apaixonou-se por Jaci, a Lua, que brilhava no céu. Certa noite, ao ver o reflexo da lua nas águas de um lago, Naiá lançou-se nelas para abraçar o amado e desapareceu nas profundezas. Jaci, penalizado com o sacrifício da jovem, resolveu transformá-la em uma estrela diferente, uma 'Estrela das Águas', a Vitória-Régia. Assim nasceu essa planta cujas flores perfumadas e brancas só se abrem à noite, e ao nascer do sol ficam rosadas, como o rosto daquela índia que morreu por amor.
— CASCUDO, Luís da Câmara. Lendas Brasileiras. Rio de Janeiro: Ediouro, 1954.
A vitória-régia é a lua que caiu na água e não pôde mais voltar. Ela vive ali, no silêncio das águas paradas, vigiando o fundo do rio com seus olhos de folha gigante. É uma planta que tem alma de gente e perfume de mistério, nascida do desejo de uma cunhã que queria ser estrela e acabou virando o prato verde onde a própria lua vem se sentar durante as noites de luar na Amazônia. No reino das águas, ela é a rainha absoluta, governando os igapós com sua majestade vegetal e sua brancura que canta no escuro da floresta.
— BOPP, Raul. Cobra Norato e outros poemas. Rio de Janeiro: José Olympio, 1931.
A Victoria regia, cujo nome foi dado em homenagem à Rainha Vitória, da Inglaterra, é a mais linda deusa vegetal e estrela das águas. Suas folhas circulares podem atingir até dois metros de diâmetro e suportar o peso de uma criança pequena sem afundar. O perfume que exala ao abrir-se é uma mistura de notas de abacaxi e damasco, atraindo besouros que garantem a polinização. Dessa maneira, elas perpetuam a existência da rosa lacustre: uma planta que nasce branca, mas que, ao ser fertilizada, tinge-se de um rosa intenso, simbolizando a transmutação da vida no coração da selva.
— VAINSENCHER, Semira Adler. Vitória-Régia. Recife: Fundação Joaquim Nabuco, 2008.
Na placidez dos lagos, a vitória-régia estende seus imensos escudos verdes, bordados de espinhos, como se guardassem um tesouro subaquático. É o exemplo máximo da arquitetura natural, onde a força e a delicadeza se encontram em um equilíbrio perfeito. A flor, que surge como um botão tímido entre as águas lodosas, explode em uma brancura virginal que parece iluminar todo o igapó. É a expressão máxima do exotismo amazônico, uma planta que exige a noite para se mostrar e que se transforma com a luz, desaparecendo sob as águas após cumprir seu breve e glorioso ciclo de vida.
— RANGEL, Alberto. Inferno Verde. Gênova: Tipografia do Instituto Italo-Brasileiro, 1908.
A folha da vitória-régia, quando jovem, é parecida com um coração, símbolo vivo do amor infinito entre a bela índia Naiá e a Deusa da Lua, Jaci. É um coração verde que pulsa no ritmo das marés do rio, crescendo em silêncio sob a proteção das árvores ancestrais. Cada nervura da folha é como uma veia que transporta a essência da terra para a superfície, sustentando a flor que desafia a escuridão. É a prova de que a natureza não cria apenas seres vivos, mas também símbolos de esperança e beleza que sobrevivem às maiores tempestades tropicais.
— LOHEM, Ricardo de. Vitória-Régia: A Verdadeira História. Manaus: Editora Valer, 2012.
Referências bibliográficas
— BAG, Mário. Cores da Amazônia. São Paulo: Studio Nobel, 2003.
— BOPP, Raul. Cobra Norato e outros poemas. Rio de Janeiro: José Olympio, 1931.
— CASCUDO, Luís da Câmara. Lendas Brasileiras. Rio de Janeiro: Ediouro, 1954.
— CUNHA, Euclides da. À Margem da História. Porto: Lello & Irmão, 1909.
— LOHEM, Ricardo de. Vitória-Régia: A Verdadeira História. Manaus: Editora Valer, 2012.
— MESQUITA, Hadail. Contos do Rio Mar. Belém: Paka-Tatu, 2010.
— MISSURA, Celina. Pétalas de Luz. Curitiba: Editora Autores Paranaenses, 2015.
— RANGEL, Alberto. Inferno Verde. Gênova: Tipografia do Instituto Italo-Brasileiro, 1908.
— VAINSENCHER, Semira Adler. Vitória-Régia. Recife: Fundação Joaquim Nabuco, 2008. Disponível em: https://www.google.com/search?q=http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/.
GeoCoordinates
Fotógrafo
Leonide Principe
Tipo de camera
Filme 35mm
Captura da Imagem
analogic
Dimenções e tamanho do original
5279px x 3493px - 26.6MB
Capa
P14_318.jpg
Anexos
P04_079.jpg - P14_322.jpg - P14_324.jpg - P14_325.jpg
Identificador uma palavra
Victoria amazonica
Pessoas na foto
nobody
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P14_318 - Vossa Majestade - Leonide Principe
Resumo dos metadados
P14_318 - Leonide Principe
Camera Nikon F5 with Micro Nikkor lens 60mm f2.8
Diapositive Film Fujichrome Velvia 50
Scanner: Nikon SUPER COOLSCAN 5000 ED
Original digital capture of a real life scene - Holding a camera connected flash, from the left
Original file size: 5279px x 3493px Size: 26.6MB
Location Taken: Lago Janauari - Manaus - Amazonas - Brazil
Persons shown: nobody
Coordenates: 3.20068° S - 60.00428° W
Date Taken: 1991
License: Creative Commons Attribution-NonCommercial (CC BY-NC)
Website: https://leonideprincipe.photos/
Source: Acervo PhotoAMAZONICA
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Creative Commons Attribution-NonCommercial (CC BY-NC)
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