Voando uma floresta
D31_8659 Ultraleve MK5
E59_4367 Ultralight MK5
E59_4163 Voando uma floresta
E59_4228 Voando uma floresta
E59_4233 Voando uma floresta
E59_4257 Voando uma floresta
Data de atualização
1 de May de 2026
Código da Fotografia
E59_4256
Título da Foto
Voando uma floresta
Legenda minimalista
E59_4256 Voando uma floresta
Texto humano de Acessibilidade (alt_text) - Descrição dos elementos fotografados
Voando sobre uma immensa floresta, com uma visão bem aberta e os raios solares entre as nuvens do temporal pelo qual acabamos de passar com uma certa inquietação. Os relevos do terreno bem se parecem com as longas ondas do oceano. São as 4:18 PM, um final de tarde que já vem mostrando as tonalidades douradas do pôr-do-sol.
Descrição Principal (texto humano, em revisão humana, inspirado pela fotografia)
A Floresta Nacional do Tapajós é unidade de conservação federal localizada na Amazônia, criada através do Decreto n° 73.684, de 19 de fevereiro de 1974.
Possui atualmente área de 527.319 hectares. A UC abrange os municípios de Aveiro, Belterra, Placas e Rurópolis, no Oeste do Estado do Pará.
Manejo Florestal Comunitário
A Floresta Nacional do Tapajós possibilitou o acesso e promoção do uso sustentável dos recursos naturais pelos moradores da unidade. O Manejo Florestal Comunitário, realizado em uma área especialmente reservada para esse fim, é uma importante referência de uso sustentável da floresta.
O objetivo da UC é o uso múltiplo sustentável dos recursos florestais e a pesquisa científica, com ênfase em métodos para exploração sustentável de florestas nativas (Lei. 9.985/2000). O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade- ICMBio é o órgão gestor da Unidade. (Fonte ICMBio)
Ventania de cair o queixo
Na fronteira entre os campos desmatados da rodovia Trans-amazônica e a floresta densa da Floresta Nacional do Tapajós, de repente, sopraram umas fortes rajadas de vento, que colocaram a séria prova o ultraleve anfíbio Corsário MK5, o piloto e eu mesmo. Uma ventania de cair o queixo, com uma pancada de chuva rápida. Era aquele vento de rajada que vem antes do temporal. Porém só uma poucas gotas caíram e isso fez minha felicidade pois não seria preciso guardar as câmeras. Isso acontece frequentemente no céu amazônico volúvel e bizarro. Foi nestas ocasiões, várias vezes, que percebi quão realmente leve e franzino é o ultraleve. É uma impiedosa sensação de fragilidade ao constatar que toda a estrutura mecânica estremece, e a estrutura biológica também. Porém uma câmera fotográfica na mão multiplica a ousadia, e parece até que nos momentos mais críticos se mostram as imagens mais desejadas. Nesse momento muito especial minha maior atenção estava dedicada para manter o horizonte do enquadramento perfeitamente horizontal.
Uma paisagem espetacular
O vento castigou o nosso ultralevee a nossa tranquilidade por um tempo que eu consegui estimar em dez longos minutos. É claro que a possibilidade de cair no meio do nada pressionava minha mente, mas a beleza da paisagem silenciava a barulheira do vento, do motor e da mente. Me concentrei nos enquadramentos. Havia muita escolha e meu dedo acompanhava fielmente uma paisagem espetacular.
Deixamos o temporal do lado esquerdo, também deixamos para atrás todas as manchas de terra vermelha da colonização e, com poucos minutos, a floresta foi se abrindo como um oceano por todos os lados. Estávamos iniciando a cruzar a Floresta Nacional do Tapajós.
Apesar do imprevisto meteorológico, quando é preciso voar não tenho dúvidas quanto à melhor aeronave: o ultraleve é meu meio preferido. Há várias vantagens para levar em consideração, já que o ultraleve abre todo o campo de visibilidade na minha frente, em quanto o avião e o helicóptero só permitem fotografar através da porta lateral, tendo ainda que convencer o piloto a abrir a porta ou, em alguns caso, deixá-la em terra. Para conseguir o enquadramento desejado nestas aeronaves é preciso mudar bastante a rota da aeronave, e confiar na paciência do piloto. Ultraleve oferece um angulo de 180º, frontal, contra menos de 90º para outras aeronaves, lateral.
Descrição de fotos anexas (texto humano, em revisão humana, inspirado pelas fotografias anexas)
E59\4088 Rio Cupari
Saimos do porto da Fordlandia decolando com o nosso ultraleve anfíbio pelo rio Tapajós com destino a Santarém: 210 km em linha reta, 120 km/h, quase duas horas de navegação. Vamos para Sudeste, até o rio Cupari, rumo à rodovia Transamazônica. Do lado esquerdo do rio Cupari já estamos na borda Leste da Floresta Nacional do Tapajós, vamos continuar até a rodovia. Quero fotografar as carretas (os bitrem romeo-e-giulieta, com dois ou três reboques) que transportam a soja do Mato-Grosso até os terminais de Santarém ou Miritituba. Já estou vendo a poeira que acompanha esses gigantes das rodovias como um cometa.
O plano de voo continua cruzando a Flona até o rio Tapajós, e então, acompanhando o rio de águas claras em direção ao Norte, Alter-do-Chão, o Caribe da Amazônia, e Santarém, a Pérola do Tapajós_.
Localidade da tomada
FLONA do Tapajós - Santarém - Amazonas - Brazil
Data e hora da tomada fotográfica
2013-10-07 04:18:46
Palavras-chave (seleção humana, inteiramente manual)
Amazônia | América do Sul | América Latina | Brasil | chuva | FLONA | Floresta Nacional do Tapajós | floresta ombrófila | floresta pluvial | floresta primária | floresta tropical úmida | mata de terra firme | navegação aérea | PAISAGENS | Pará | parques e reservas | rajadas de vento | Santarém | temporal | TRANSPORTE | ultra-leve
Glossário (suporte sintético com revisão humana)
Descrição
Rios de águas claras apresentam baixa concentração de sedimentos e pH geralmente ácido, resultando em alta transparência e coloração que varia do azul-esverdeado ao amarelo-acastanhado (Sioli, 1991). Esse tipo hídrico é comum em terrenos cristalinos ou escudos geológicos antigos, como o Escudo Brasileiro (Junk et al., 2011). Exemplos clássicos na Amazônia e no Cerrado são os rios Tapajós, Xingu e Araguaia, cujas águas cristalinas contrastam fortemente com os rios de água branca (barrentos) e de água preta (ricos em matéria orgânica) (Goulding et al., 2005).
Descrição
A Floresta Nacional foi estabelecida pelo Decreto Federal n° 73.684, de 19 de fevereiro de 1974. É uma Unidade de Conservação de Uso Sustentável, o que permite a exploração de recursos naturais de forma planejada e controlada.
Abrange aproximadamente 527.137 hectares (cerca de 5.271 km²). Seu território estende-se pelos municípios de Belterra, Aveiro, Santarém e Rurópolis, no estado do Pará.
É delimitada a leste pelo Rio Tapajós e a oeste pela rodovia BR-163 (Cuiabá-Santarém), o que a torna uma área de importância estratégica contra o avanço do desmatamento na região.
Apresenta uma composição variada que inclui a Floresta Ombrófila Densa (com árvores gigantescas como a samaúma e o tauari), Floresta Ombrófila Aberta e áreas de vegetação secundária (capoeiras).
Abriga cerca de 25 comunidades (ribeirinhas e indígenas, como os Munduruku), que possuem o Direito Real de Uso para subsistência e pequenos projetos de manejo comunitário.
Paráfrase com atribuição autoral (suporte sintético com revisão humana)
Abaixo de nós, a floresta não era apenas um tapete verde uniforme; era um oceano em mutação, com diferentes matizes de esmeralda e oliva. Voar sobre o Tapajós permite compreender a escala da vida amazônica, onde o rio serpenteia como uma artéria vital, conectando mundos distantes e alimentando a terra. É uma visão que transforma a percepção da geografia em uma experiência puramente espiritual e estética.
— Marcio Souza, O Empate, 1986, Editora Marco Zero
O Tapajós é um rio de águas claras, quase transparentes, que convida ao mergulho e à contemplação. Diferente do Amazonas, ele se apresenta com uma serenidade que mascara sua força. Nas suas margens, a areia branca das praias que surgem na vazante cria um contraste absoluto com o verde escuro das matas de galeria, formando um dos cenários mais singulares de toda a bacia amazônica.
— Aziz Ab'Saber, Os Domínios de Natureza no Brasil, 2003, Ateliê Editorial
Nós, os filhos do Tapajós, entendemos que a floresta é nossa mãe e o rio é nosso pai. A FLONA não é apenas uma reserva legal; é o nosso território sagrado onde cada pau-rosa, cada andiroba e cada samaúma tem um espírito que nos protege. Preservar este lugar é garantir que o canto do uiraçu continue a ecoar para as próximas gerações, mantendo o equilíbrio que o homem branco quase destruiu.
— Jecinaldo Sateré-Mawé, Manifesto dos Povos da Floresta, 2005, Conselho Indigenista Missionário
A diversidade botânica na região da FLONA do Tapajós é exemplar. Encontramos aqui espécimes raras de Bertholletia excelsa e uma densidade de epífitas que desafia a classificação rápida. A interação entre a fauna e a flora cria um ciclo de nutrientes tão eficiente que a floresta consegue prosperar em solos que, de outra forma, seriam considerados pobres. É a inteligência da evolução em sua máxima expressão biológica.
— Paulo Vanzolini, Relatórios de Expedição ao Médio Tapajós, 1972, Museu de Zoologia da USP
A diversidade botânica na região da FLONA do Tapajós é exemplar. Encontramos aqui espécimes raras de Bertholletia excelsa e uma densidade de epífitas que desafia a classificação rápida. A interação entre a fauna e a flora cria um ciclo de nutrientes tão eficiente que a floresta consegue prosperar em solos que, de outra forma, seriam considerados pobres. É a inteligência da evolução em sua máxima expressão biológica.
— Paulo Vanzolini, Relatórios de Expedição ao Médio Tapajós, 1972, Museu de Zoologia da USP
A gestão de uma Floresta Nacional exige o equilíbrio entre o uso sustentável e a preservação rigorosa. Na FLONA do Tapajós, o manejo florestal comunitário demonstra que é possível extrair riqueza sem aniquilar a vida. O desafio político é manter a integridade desses 600 mil hectares diante da pressão do agronegócio, garantindo que o pulmão verde do oeste paraense continue a bombear umidade e vida para o resto do continente.
— Marina Silva, Discursos sobre a Amazônia, 2008, Ministério do Meio Ambiente
Referências bibliográficas
— AB'SÁBER, Aziz. Os domínios de natureza no Brasil: potencialidades paisagísticas. São Paulo: Ateliê Editorial, 2003.
— FONSECA, Wilson. Crônicas de minha cidade. Rio de Janeiro: Funarte, 1990.
— GRANDIN, Greg. Fordlândia: a ascensão e queda da cidade esquecida de Henry Ford na selva. Rio de Janeiro: Rocco, 2010.
— NOBRE, Antonio Donato. O futuro climático da Amazônia: relatório de avaliação científica. São José dos Campos: ARA: INPE, 2014.
— SATERÉ-MAWÉ, Jecinaldo. Manifesto dos povos da floresta. Manaus: CIMI, 2005.
— SILVA, Marina. Discursos sobre a Amazônia. Brasília: MMA, 2008.
— SOUZA, Márcio. O empate. Rio de Janeiro: Marco Zero, 1986.
— VANZOLINI, Paulo. Relatórios de expedição ao médio Tapajós. São Paulo: Museu de Zoologia da USP, 1972.
GeoCoordinates
Fotógrafo
Leonide Principe
Tipo de camera
DSLR (reflex digital)
Captura da Imagem
digital
Dimenções e tamanho do original
4948px x 3280px - 10.1MB
Capa
E59_4256.jpg
Anexos
E59_4163.jpg - D31_8659.jpg - E59_4257.jpg - E59_4367.jpg - E59_4228.jpg - E59_4233.jpg
Identificador uma palavra
FLONA do Tapajós
Pessoas na foto
none
alt_text
E59_4256 - Voando uma floresta - Leonide Principe
Resumo dos metadados
D31_8830 - Leonide Principe
Equipment: NIKON D7000 with lens 70.0-300.0 mm f/4.5-5.6 set at 180 mm
Exposition: ISO: 200 - Aperture: 5 - Shutter: 1/640 - Program: Normal - Exp. Comp.: -0.3, Original digital capture of a real life scene
Original file size: 4948px x 3280px, Size: 10.9MB
Location: FLONA do Tapajós - Santarém - Amazonas - Brazil
Persons shown: none
Coordenates: 3.85665° S - 55.08993° W
Date Taken: 2013-10-07 04:17:38
License: Creative Commons Attribution-NonCommercial (CC BY-NC)
Website: https://leonideprincipe.photos/
Source: Acervo PhotoAMAZONICA
Licença de uso
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Recurso Educacional Livre
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