Talvez melancolia
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Data de atualização
19 de May de 2026
Código da Fotografia
P18_432
Título da Foto
Talvez melancolia
Legenda minimalista
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Texto humano de Acessibilidade (alt_text) - Descrição dos elementos fotografados
O macaco, uacari-de-cara-vermelha, aparece em primeiro plano, cabeça inteira, apoiada numa árvore, como numa atitude de profunda melancolia.
Descrição Principal (texto humano, em revisão humana, inspirado pela fotografia)
O uacari-branco (Cacajao calvus) é conhecido também como uacari-de-cara-vermelha e macaco-inglês.
O termo macaco-inglês é uma denominação popular satírica atribuída ao uacari, na Amazônia. A origem do nome reside na aparência peculiar do primata: sua face é totalmente nua e exibe um tom vermelho vivo, resultado de uma intensa vascularização sob a pele. Para as populações ribeirinhas, essa característica assemelhava-se à pele clara de turistas e exploradores ingleses que, desacostumados ao sol tropical, ficavam com o rosto severamente avermelhado e queimado. Além da cor, a calvície natural do animal reforçava a caricatura do estrangeiro, consolidando o apelido no folclore regional.
Apesar de ter sido descrito pela primeira vez em 1847 pelo zoólogo francês Isidore Geoffroy Saint-Hilaire e citado pelo naturalista inglês Henry Walter Bates, na década de 1850, foi só na década de 80 que o biólogo e naturalista José Márcio Ayres se embrenhou na várzea de Mamirauá para realizar os primeiros estudos de uma espécie que se acreditava extinta. Em 1996, foi criada a Reserva de Desenvolvimento Mamirauá, que junto com a Reserva Amanã e o Parque Nacional do Jaú, as três formaram um extenso corredor ecológico, fundamental para a permanência das comunidades e para conservação da biodiversidade.
O macaco da foto parece mostrar um sentimento de profunda tristeza. Naquela ocasião, ele estava sozinho, sem família, macaco de uma espécie que em natura vive em bandos de até 50 e até mais indivíduos.
O uacari foi fotografado num parque de recuperação de animais aprendidos pelo IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente). Ali, onde estava solitário,
Descrição de fotos anexas (texto humano, em revisão humana, inspirado pelas fotografias anexas)
A pesquisa investiga a biologia e a importância ecológica do uacari-branco (Cacajao calvus), primata endêmico das florestas de várzea da Amazônia brasileira. O estudo destaca a peculiaridade morfológica da espécie, caracterizada pela face vermelha e nua e pelagem branca. A coloração facial atua como um indicador biológico de saúde, sendo fundamental na seleção sexual, uma vez que a palidez está associada a patologias como a malária (AYRES, José Márcio, 1986). Além disso, analisa-se o comportamento alimentar especializado em sementes de casca dura e a organização social em grandes grupos. A conservação da espécie é considerada crítica devido à sua dependência estrita de habitats alagáveis, que enfrentam ameaças crescentes decorrentes das mudanças climáticas.
Localidade da tomada
Parque de Noé - Manaus - Amazonas - Brazil
Data e hora da tomada fotográfica
1990
Palavras-chave (seleção humana, inteiramente manual)
Amazonas | Amazônia | América do Sul | América Latina | animais | Brasil | Cacajao calvus | FAUNA | macaco-inglês | macacos | mamíferos | Manaos | Manaus | melancolia | Parque de Noé | parques e reservas | primatas | Reino Animal | uacari-branco | uacari-de-cara-vermelha
Etimologia (suporte sintético com revisão humana)
O termo uacari tem origem na língua indígena tupi, possivelmente derivado de wa'kary, embora existam variações linguísticas entre os povos da região amazônica. Os termos que compõem o nome científico Cacajao calvus derivam de tradições distintas: Cacajao é um nome de origem indígena, possivelmente adaptado por naturalistas para designar o gênero desses primatas de cauda curta; já o epíteto específico calvus vem do latim e significa calvo ou careca, uma referência direta à ausência de pelos na cabeça característica da espécie. Popularmente, o nome uacari-branco destaca a coloração clara da pelagem, que contrasta com a face intensamente avermelhada, traço distintivo deste primata endêmico de áreas de várzea.
Paráfrase com atribuição autoral (suporte sintético com revisão humana)
O uacari-branco, Cacajao calvus calvus, é um animal de aparência estranha, com uma face vermelha e nua, e um manto de pelos longos e brancos que lhe cobre o corpo. Ele vive exclusivamente em florestas de várzea, que ficam inundadas durante parte do ano. O que mais impressiona nesse primata é a cor da sua face; para os pesquisadores, essa vermelhidão é um sinal de saúde, já que indivíduos doentes, especialmente aqueles com malária, apresentam a face pálida. É um exemplo fascinante de como a seleção sexual e a saúde estão ligadas na natureza amazônica.
— AYRES, José Márcio. As Matas de Várzea do Mamirauá, 1993. Sociedade Civil Mamirauá
O Cacajao é um gênero de macacos da família dos Cebídeos, que compreende o uacari-branco ou uacari-de-cara-vermelha. São caracterizados pela cauda curta e não preênsil, e pela face nua e corada. O nome parece provir de alguma língua indígena local da bacia amazônica superior, recolhido por viajantes naturalistas durante o século XIX. Estes animais são estritamente arbóreos e habitam as copas das árvores nas florestas tropicais úmidas, sendo particularmente adaptados às condições das zonas alagáveis.
— HOUAISS, Antônio. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, 2001. Objetiva
O macaco uacari é um bicho do mato que gosta de viver na beira do rio, nas árvores que ficam dentro da água. A gente conhece ele de longe por causa da cara vermelha, que parece que está com vergonha ou com raiva. O uacari-branco é o que tem o pelo bem clarinho. Eles andam em bando, pulando de galho em galho, e fazem um barulho característico quando estão comendo as sementes duras que nenhum outro macaco consegue quebrar. Para o nosso povo, o uacari faz parte das histórias da floresta alagada.
— TIKUNA, Bejamin. Relatos dos Povos do Solimões, 2015. Editora Valer
Os uacaris (Cacajao calvus) apresentam uma organização social complexa, com grupos que podem ultrapassar cem indivíduos, dividindo-se em unidades menores para forragear durante o dia. A coloração escarlate da face é resultado de uma vascularização intensa sob a pele fina, desprovida de gordura. Indivíduos saudáveis mantêm essa pigmentação viva, o que serve como um critério visual imediato para a escolha de parceiros e para a manutenção da hierarquia social dentro da comunidade em que vivem.
— FERRARI, Stephen F. A Ecologia dos Primatas Brasileiros, 2008. Editora UFPA
Referências bibliográficas
– AYRES, José Márcio. As Matas de Várzea do Mamirauá. 1. ed. Tefé: Sociedade Civil Mamirauá, 1993.
– HOUAISS, Antônio. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.
– MITTERMEIER, Russell. Primates of the World. Princeton: Princeton University Press, 2013.
– TIKUNA, Bejamin. Relatos dos Povos do Solimões. Manaus: Editora Valer, 2015.
– FERRARI, Stephen F. A Ecologia dos Primatas Brasileiros. Belém: Editora UFPA, 2008.
GeoCoordinates
Fotógrafo
Leonide Principe
Tipo de camera
Filme 35mm
Captura da Imagem
analogic
Dimenções e tamanho do original
5309px x 3598px - 31.7MB
Capa
P18_432.jpg
Anexos
P18_431.jpg - P18_430.jpg - P19_433.jpg
Identificador uma palavra
Cacajao calvus
Pessoas na foto
nobody
alt_text
P18_432 - Talvez melancolia - Leonide Principe
Resumo dos metadados
P18_432 - Leonide Principe
Camera Nikon F5 with Nikkor lens 80-200mm f2.8
Diapositive Film Fujichrome Velvia 50
Scanner: Nikon SUPER COOLSCAN 5000 ED
Original digital capture of a real life scene -
Original file size: 5309px x 3598px Size: 31.7MB
Location Taken: Parque de Noé - Manaus - Amazonas - Brazil
Persons shown: -nobody
Coordenates: 2.79618° S - 60.03355° W
Date Taken: 1990
License: Creative Commons Attribution-NonCommercial (CC BY-NC)
Website: https://leonideprincipe.photos/
Source: Acervo PhotoAMAZONICA
Licença de uso
Creative Commons Attribution-NonCommercial (CC BY-NC)
Termos de uso
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