Orquídea do poeta
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Data de atualização
2 de July de 2026
Código da Fotografia
P30_706
Título da Foto
Orquídea do poeta
Legenda minimalista
P30_706 Orquídea do poeta
Texto humano de Acessibilidade (alt_text) - Descrição dos elementos fotografados
Na direita uma orquídea dorada se oferece à abelha mamangava na esquerda da imagem. Os dois seres estão um de frente para o outro. o fundo preto da fotografia, realizada com flash destaca o essencial da cena.
Descrição Principal (texto humano, em revisão humana, inspirado pela fotografia)
Orquídea do poeta
O registro do Catasetum longifolium demandou a escalada de um buritizeiro (Mauritia flexuosa). Logo abaixo da larga folhagem, é no tronco da palmeira que a sinuosa e delicada planta foi encontrada, aquele é o lugar preferido da nossa querida. Em várias palmeiras, ali a observamos, no mesmo lugar, na mesma região, 20 km ao Norte de Manaus.
O dono do terreno administrava um balneário na beira da rodovia federal BR174, a qual conecta Manaus à Venezuela. Negociando, recebemos autorização para escalar a palmeira e até para retirar a orquídea, pois aquela e outras palmeiras seriam derrubadas, para abrir espaço na praia do pequeno rios. O lançamento da corda mirou no meio das talas da palmeira: havia o risco que a beira afiada das mesmas pudesse cortar a corda, por isso eu tinha uma única opção, meio duvidosa: estava pronto para abraçar o tronco, a qualquer momento. A planta foi resgatada e conduzida ao chão em toda sua integridade e esplendor.
Excepcionalmente, as fotografias foram produzida no quintal da minha casa, com flash, à noite. Em toda sua pureza, no perfeito estado de maturação, único brilho na escuridão, o magnifico ser estava pronto para o registro e para certos prodigiosos acontecimento que se produziriam.
Numa certa hora do dia, a nossa ilustre hóspede soltou a irresistível fragrância. Uma abelha grande e barulhenta conhecida como mamangava ou mangangá (gênero Bombus), moradora de uma pequena reserva florestal perto da minha casa, veio visitar a flor repetidas vezes. Ao ler sobre seus hábitos vim saber de coisas que custava a crer, por causa de preconceitos científico-materialistas da nossa época: o abelhudo era um Casanova, isso mesmo, um refinado sedutor que veio para acrescentar mais maravilhas. O cortejador veio à flor para se perfumar, pois isso é parte do ritual de acasalamento dele. O galante chegará cheiroso à frente da sua parceira para o encantamento da vida.
Confesso que, na busca agitada do meu enquadramento, atrapalhei o noivo. E ele teve muita paciência, apesar de, a um certo momento, mudar o foco da flor para mim. Veio bem de frente à minha cara e, ameaçador, pairou num vôo suspenso e lá ficou, a um palmo do meu nariz… eu congelei, e após alguns intermináveis segundos ele voltou para a flor sem maiores consequências... me congratulei como para exaltar minha valorosa conduta, sem saber ainda que o macho não possui ferrão, apenas a fêmea. Mas acatei o aviso, evitando cuidadosamente de interferir na preparação do noivado.
E como poderíamos deixar de se encantar nós também, humanos de livre-arbítrio, desafiados todo momento à escolher entre a ignorância e a beleza. Uma inefável inteligência refletiu no espelho da minha câmera e gravou-se nos saís de prata, selados na escuridão e finalmente revelados para mostrar o essencial.
E ainda veio um poeta em minha casa e criou outro afortunado acontecimento.
Descrição de fotos anexas (texto humano, em revisão humana, inspirado pelas fotografias anexas)
A visita do poeta
— Thiago, vamos para minha casa, quero te apresentar um ser muito especial... Assim falei para o poeta, simplesmente essas poucas palavras, e então, ao chegar no destino, fomos logo ao meu quintal, onde as palavras se amansaram até o silêncio. Ambos mudamos de interlocutor. O ser estava ali, sereno, serenando. O poeta esqueceu de mim e iniciou um silencioso e intenso entendimento com a nova majestosa atriz do palco. Eu, o fotógrafo, via tudo que pudesse desejar: observava o extraordinário evento através da minha lente, com o propósito de registrar aquele mágico momento. As mais puras sensações do poeta, visão, tato e cheiro sublimaram-se suavemente num diálogo de intensa emoção. Todos os sentimentos da sua alma transbordavam instantaneamente na expressão facial e no movimento das mãos, traduzidas numa reverente admiração.
O mágico momento contemplativo se prolongou por vários indefinitos minutos e eu, banhando o filme da minha câmera com aquela luz, compartilhando o brilho daquela emoção em minha alma também... sentia que compartilhávamos da mesma afeição por essas formas de vida extraordinárias, moradoras das alturas da floresta.
Sinto agora, na releitura desse texto, após tantos anos, sinto que o essencial não está sujeito à lei do tempo: dizemos que o Thiago faleceu. Pobre teimosa humanidade! Ela sim, está sujeita à lei do tempo, na afanosa busca do essencial, sempre fugaz. Porém queremos acreditar que há uma nova era porvir.
E tu, Thiago, já livre das amarras, desde o Monte Parnaso sussurra para mim essa revisão do texto, como já fizestes outras vezes. Muito grato, poeta! Até breve!
Legenda limitada (max 500 caracteres, resumo geral das narrativas, suporte sintético com revisão humana)
O Catasetum longifolium exigiu escalar um buritizeiro e providenciar a sua extração: o dono do balneário onde a orquídea estava autorizou o resgate antes que as palmeiras fossem derrubadas. A hospede ilustre, acomodada no meu quintal para uma sessão fotográfica, confirmou sua excelência ao atrair duas igualmente ilustres visitas — um refinado sedutor que veio se perfumar para o acasalamento e um renomado poeta que a admirou em silêncio, reverência e emoção.
Localidade da tomada
BR174, km 34 - Manaus - Amazonas - Brazil
Data e hora da tomada fotográfica
1997
Palavras-chave (seleção humana, inteiramente manual)
abelhas | Amazonas | Amazônia | América do Sul | América Latina | animais | Bombus sp | BR-174 | Brasil | Catasetum longifolium | epífitas | FAUNA | FLORA | flores | insetos | mamangava | Manaos | Manaus | mangangá | orquídeas | plantas | Reino Animal
Glossário (suporte sintético com revisão humana)
Descrição
A palavra orquídea tem sua origem no grego orkhis, que significa testículo, devido ao formato dos tubérculos subterrâneos de certas espécies do gênero Orchis. Essa curiosa analogia morfológica foi registrada pela primeira vez por Teofrasto, o pai da botânica, em sua obra sobre a história das plantas. Ao longo dos séculos, o termo evoluiu do latim orchis para o francês orchidée, perdendo a conotação puramente anatômica para abraçar a diversidade da família Orchidaceae. Hoje, a etimologia evoca não apenas a biologia, mas o fascínio histórico por essas flores que equilibram estranheza e sofisticação em estratégias evolutivas singulares.
As orquídeas representam o ápice da sofisticação evolutiva entre as angiospermas devido a um conjunto de adaptações biológicas de alta precisão. Diferente de plantas mais primitivas, elas concentram seu sucesso reprodutivo na especialização: fundiram seus órgãos sexuais em uma estrutura única chamada coluna ou ginostêmio (RAVEN; EVERT; EICHHORN, 2014) e organizam seu pólen em massas compactas denominadas polínias, o que garante uma transferência eficiente e sem desperdícios por polinizadores específicos. Muitas espécies levam essa interação ao extremo através do mimetismo e da pseudocopulação, enganando insetos visual e quimicamente para garantir a fecundação (PANSARIN, 2008). Estruturalmente, sua evolução permitiu a conquista de nichos verticais como epífitas, utilizando o velame radicular para absorver umidade do ar, enquanto sua reprodução depende de uma complexa simbiose com fungos micorrízicos, já que suas sementes são desprovidas de reservas nutritivas (DRESSLER, 1990). Essa combinação de engenharia morfológica, plasticidade genética e dependência ecológica mútua faz das orquídeas um dos exemplos mais fascinantes de radiação adaptativa e complexidade biológica no reino vegetal.
Paráfrase com atribuição autoral (suporte sintético com revisão humana)
Nascido na Amazônia, em Barreirinha, em 30 de março de 1926, Amadeu Thiago de Mello foi um poeta, jornalista e tradutor brasileiro. Foi considerado um dos poetas mais influentes e respeitados no país, reconhecido como um ícone da literatura regional.
Seu poema mais conhecido é Os Estatutos do Homem, onde o poeta chama a atenção do leitor para os valores simples da natureza humana. A preservação da Amazônia era tema presente em sua obra. A sua poesia escrita foi Poesia Comprometida com a Minha e a Tua Vida que lhe rendeu, em 1975, ainda durante o regime militar, um prêmio concedido pela Associação Paulista dos Críticos de Arte e o tornou conhecido internacionalmente como um intelectual engajado na luta pelos Direitos Humanos.
— Fonte: Wikipedia.
Aqui lhe dou, meu bom leitor, a lição que aprendi do rio. Eu que mergulhei em suas águas pela primeira vez em poucos dias de nascido. Eu que com essas águas convivo amorosamente, de tal maneira, que elas viajam dentro de mim, quando a vida me leva para longe.
— MELLO, Thiago de. In: CERDEIRA, Weslley. A poesia de Thiago de Mello na perspectiva do pensamento ecocrítico. Dissertação (Mestrado) - Universidade Federal do Amazonas, Manaus, 2020, p. 14.
A lei do rio não cessa nunca de impor-se sobre a vida dos homens. É o império da água. Água que corre no furor da correnteza, água que leva, água que lava, água que arranca, água que se oferta cantando, água que se despenca em cachoeira, água que roda no no rebojo[...] Água de doenças: água de ameba, água de febre negra.
— MELLO, Thiago de. Amazonas – águas, pássaros, seres e milagres do pedaço mais verde do planeta. Rio de Janeiro: Salamandra, 1998.
Referências bibliográficas
— MELLO, Thiago de. In: CERDEIRA, Weslley. _A poesia de Thiago de Mello na perspectiva do pensamento ecocrítico. Dissertação (Mestrado)_ - Universidade Federal do Amazonas, Manaus, 2020, p. 14.
— MELLO, Thiago de. _Amazonas – águas, pássaros, seres e milagres do pedaço mais verde do planeta_. Rio de Janeiro: Salamandra, 1998.
GeoCoordinates
Fotógrafo
Leonide Principe
Tipo de camera
Filme 35mm
Captura da Imagem
film
Dimenções e tamanho do original
5317px x 3572px - 21.4MB
Capa
P30_706.jpg
Anexos
P30_705.jpg - P30_704.jpg - P30_704-thiago.jpg
Identificador uma palavra
orquídeas
Pessoas na foto
none
alt_text
P30_706 - Orquídea do poeta - Leonide Principe
Resumo dos metadados
P30_706 - Leonide Principe
Camera Nikon F5 with Micro Nikkor lens 60mm f2.8 - Diapositive Film Fujichrome Velvia 50 - Scanner: Nikon SUPER COOLSCAN 5000 ED
Original digital capture of a real life scene Holding a camera connected flash, from the left
Original file size: 5317px x 3572px (21.4MB)
Location Taken: BR174, km 34 - Manaus - Amazonas - Brazil
Persons shown: none
Coordinates: 2.65023° S - 60.03967° W
Date Taken: 1997
Website: https://leonideprincipe.photos/
Source: Acervo PhotoAMAZONICA
Licença de uso
Creative Commons Attribution-NonCommercial (CC BY-NC)
Termos de uso
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