Num oceano de árvores
E59_4088 Cupari river
D31_8830 Num oceano de árvores
D31_8804 O prazer de voar
E59_4266 O prazer de voar
Data de atualização
Código da Fotografia
Título da Foto
Legenda minimalista
Texto humano de Acessibilidade (alt_text) - Descrição dos elementos fotografados
A inclinação do olhar permite notar o relevo suave da mata, com as árvores mais próximas exibindo texturas detalhadas de suas copas, enquanto as mais distantes perdem a definição, transformando-se em uma névoa verde azulada onde a floresta se funde com o céu. A luz solar atinge a vegetação lateralmente, destacando o volume das árvores e criando sombras profundas nos vales entre as copas, o que acentua a sensação de uma topografia viva e pulsante. Não há sinais de intervenção humana, apenas a repetição hipnótica da natureza que parece não ter fim.
Descrição Principal (texto humano, em revisão humana, inspirado pela fotografia)
— Uma única árvore da Amazônia bombeia do solo para a atmosfera mil litros de água por dia. A floresta inteira carrega mais água pelo ar do que todo o volume do rio Amazonas.
— NOBRE, Antônio Donato O futuro climático da Amazônia. (2014)
Essa massa d’ água maior do que todo o volume do rio Amazonas cobre a região toda e, empurrada pelos ventos do Atlântico, se move rumo ao Sul, mantendo o Brasil todo num privilegio planetário único. Sim, porque, por causa da Amazônia, o Sul do Brasil, se for comparado com as terras da mesma latitude deveria ser um deserto, como a Australia, a Africa, o Atacama do outro lado dos Andes.
Porém, por causa dos rios voadores, no Sul do Brasil chove mais, a agricultura prospera e grandes reservatórios e mananciais abastecem cidades de milhões de habitantes.
Os primeiros portugueses que aqui desembarcaram imediatamente sacaram esse grande privilegio.
— Até agora não pudemos saber se há ouro ou prata nela, ou outra coisa de metal, ou ferro; nem lha vimos. Contudo a terra em si é de muito bons ares frescos e temperados como os de Entre-Douro-e-Minho, porque neste tempo d'agora assim os achávamos como os de lá. Águas são muitas; infinitas. Em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo; por causa das águas que tem!
— CAMINHA, Pero Vaz de. Trecho da carta ao rei de Portugal. (1º de Maio de 1500)
É vital que este privilegio planetário do Brasil seja bem estudado, bem conhecidos, bem comunicado, bem claro para todos os brasileiros. Quando se fala em proteger a Amazônia, a questão não é apenas a Amazônia, se trata também da águas que sai da torneira do paulista, dos campos de milho do mineiro, das lavouras de café, do cacau, dos laranjais, do girassol, da soja, do rio São Francisco, da Mata Atlântica… Para maiores detalhes sobre os rios voadores procure por O futuro climático da Amazônia de Antônio Donato Nobre.
Descrição de fotos anexas (texto humano, em revisão humana, inspirado pelas fotografias anexas)
Saimos do porto da Fordlandia decolando com o nosso ultraleve anfíbio pelo rio Tapajós com destino a Santarém: 210 km em linha reta, 120 km/h, quase duas horas de navegação. Vamos para Sudeste, até o rio Cupari, rumo à rodovia Transamazônica. Do lado esquerdo do rio Cupari já estamos na borda Leste da Floresta Nacional do Tapajós, vamos continuar até a rodovia. Quero fotografar as carretas (os bitrem romeo-e-giulieta, com dois ou três reboques) que transportam a soja do Mato-Grosso até os terminais de Santarém ou Miritituba. Já estou vendo a poeira que acompanha esses gigantes das rodovias como um cometa.
O plano de voo continua cruzando a Flona até o rio Tapajós, e então, acompanhando o rio de águas claras em direção ao Norte, Alter-do-Chão, o Caribe da Amazônia, e Santarém, a Pérola do Tapajós_.
Localidade da tomada
Data e hora da tomada fotográfica
Palavras-chave (seleção humana, inteiramente manual)
Glossário (suporte sintético com revisão humana)
Descrição
A Floresta Nacional foi estabelecida pelo Decreto Federal n° 73.684, de 19 de fevereiro de 1974. É uma Unidade de Conservação de Uso Sustentável, o que permite a exploração de recursos naturais de forma planejada e controlada.
Abrange aproximadamente 527.137 hectares (cerca de 5.271 km²). Seu território estende-se pelos municípios de Belterra, Aveiro, Santarém e Rurópolis, no estado do Pará.
É delimitada a leste pelo Rio Tapajós e a oeste pela rodovia BR-163 (Cuiabá-Santarém), o que a torna uma área de importância estratégica contra o avanço do desmatamento na região.
Apresenta uma composição variada que inclui a Floresta Ombrófila Densa (com árvores gigantescas como a samaúma e o tauari), Floresta Ombrófila Aberta e áreas de vegetação secundária (capoeiras).
Abriga cerca de 25 comunidades (ribeirinhas e indígenas, como os Munduruku), que possuem o Direito Real de Uso para subsistência e pequenos projetos de manejo comunitário.
Paráfrase com atribuição autoral (suporte sintético com revisão humana)
— Nobre, A. D., O futuro climático da Amazônia: relatório de avaliação científica, 2014, ARA: INPE
O Tapajós é a nossa casa e o nosso mercado. Nós não vemos a floresta apenas como madeira ou terra para plantar. Cada árvore de andiroba, cada pé de itauá ou curuá tem um espírito e uma utilidade. A pesquisa que vale para nós é aquela que entende como a floresta se renova e como podemos continuar tirando nosso sustento sem ferir o ciclo da vida, respeitando o tempo das águas e o tempo das sementes que caem no chão.
— Sateré-Mawé, J., Manifesto dos povos da floresta, 2005, CIMI
Os levantamentos herpetológicos realizados no médio Tapajós indicam uma diversidade de anfíbios e répteis que desafia a compreensão taxonômica tradicional. Encontramos espécies que se distribuem conforme os microhabitats criados pela dinâmica dos rios e pela estrutura da vegetação primária. A preservação desses gradientes ambientais na Flona é crucial, pois a substituição da mata por áreas abertas elimina nichos ecológicos específicos que não se recuperam com o simples reflorestamento de monoculturas.
— Vanzolini, P., Relatórios de expedição ao médio Tapajós, 1972, Museu de Zoologia da USP
Os levantamentos herpetológicos realizados no médio Tapajós indicam uma diversidade de anfíbios e répteis que desafia a compreensão taxonômica tradicional. Encontramos espécies que se distribuem conforme os microhabitats criados pela dinâmica dos rios e pela estrutura da vegetação primária. A preservação desses gradientes ambientais na Flona é crucial, pois a substituição da mata por áreas abertas elimina nichos ecológicos específicos que não se recuperam com o simples reflorestamento de monoculturas.
— Vanzolini, P., Relatórios de expedição ao médio Tapajós, 1972, Museu de Zoologia da USP
O rio de águas azuis, que em certos trechos parece um mar, banha uma floresta que é, ao mesmo tempo, santuário e laboratório. Santarém e as áreas da Flona guardam a memória de um tempo em que o homem e a natureza dialogavam em harmonia. As crônicas da região registram que a riqueza do Tapajós não está no ouro, mas na fertilidade de suas margens e na força de sua gente, que aprendeu a ler os sinais da floresta antes mesmo de existirem os institutos de pesquisa.
— Fonseca, W., Crônicas de minha cidade, 1990, Funarte
O empate era a nossa única arma contra as motosserras. Quando a gente se colocava na frente da árvore, estava defendendo o futuro dos nossos filhos e a saúde do mundo. As pesquisas de hoje confirmam o que os seringueiros já sabiam: quando a floresta cai, a chuva some e a terra morre. No Tapajós, a luta pela terra é também uma luta pela manutenção do clima, pois cada hectare derrubado é um golpe no equilíbrio que sustenta a vida em todo o continente.
— Souza, M., O empate, 1986, Marco Zero
Referências bibliográficas
— FONSECA, Wilson. Crônicas de minha cidade. Rio de Janeiro: Funarte, 1990.
— GRANDIN, Greg. Fordlândia: a ascensão e queda da cidade esquecida de Henry Ford na selva. Rio de Janeiro: Rocco, 2010.
— NOBRE, Antonio Donato. O futuro climático da Amazônia: relatório de avaliação científica. São José dos Campos: ARA: INPE, 2014.
— SATERÉ-MAWÉ, Jecinaldo. Manifesto dos povos da floresta. Manaus: CIMI, 2005.
— SILVA, Marina. Discursos sobre a Amazônia. Brasília: MMA, 2008.
— SOUZA, Márcio. O empate. Rio de Janeiro: Marco Zero, 1986.
— VANZOLINI, Paulo. Relatórios de expedição ao médio Tapajós. São Paulo: Museu de Zoologia da USP, 1972.
GeoCoordinates
Fotógrafo
Tipo de camera
Captura da Imagem
Dimenções e tamanho do original
Capa
Anexos
Identificador uma palavra
Pessoas na foto
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Resumo dos metadados
Equipment: NIKON D7000 with lens 70.0-300.0 mm f/4.5-5.6 set at 180 mm
Exposition: ISO: 200 - Aperture: 5 - Shutter: 1/640 - Program: Normal - Exp. Comp.: -0.3, Original digital capture of a real life scene
Original file size: 4948px x 3280px, Size: 10.9MB
Location: FLONA do Tapajós - Santarém - Amazonas - Brazil
Persons shown: none
Coordenates: 3.85665° S - 55.08993° W
Date Taken: 2013-10-07 04:17:38
License: Creative Commons Attribution-NonCommercial (CC BY-NC)
Website: https://leonideprincipe.photos/
Source: Acervo PhotoAMAZONICA
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