Meu amigo o boto
A109_1883 Meu amigo o boto
A109_1891 Meu amigo o boto
Data de atualização
8 de May de 2026
Código da Fotografia
A109_1897
Título da Foto
Meu amigo o boto
Legenda minimalista
A109_1897 Meu amigo o boto
Texto humano de Acessibilidade (alt_text) - Descrição dos elementos fotografados
Bem no canto, no alto à direita, uma criança de 4 anos extende timidamente a mão em direção do boto. Vale ressaltar que na primeira foto capturada (em anexo) a menina, receosa, esconde as duas mãos.
Há ainda uma terceira foto que ilustra o irmão da menina tranquilizando e mostrando como o boto é amigável. (307 carácteres).
Descrição Principal (texto humano, em revisão humana, inspirado pela fotografia)
Meu amigo, o boto!
Em um primeiro momento a menina de 4 anos segura instintivamente suas mãos, mantendo-as bem juntas ao seu corpo. Porém aquela desconfiança dura poucos instantes e, como se o boto infundisse coragem, ela logo se solta e vai ao encontro do novo amigo. A mão estendida é o sinal claro de uma comunicação além das palavras humanas. Um adulto pode até dizer para a criança o que ela precisa fazer, encorajar, afiançar, isso pode até ajudar, talvez, mas o que quero evidenciar que há um tipo de comunicação direta entre o boto e a criança. Esse é o fato extraordinário para entender como iremos reestabelecer esse elo perdido com a natureza. Fotografia realizada no rio Negro com botos selvagens e livres.
Estamos em um ambiente natural, sem cercas ou confinamentos. O boto é um animal que vive livre na natureza do rio Negro. O mamífero se aproxima, se deixa tocar e em momento algum mostra desconforto da situação. Sem demora, um contato amoroso, sincero e divertido se estabelece dos dois lados. A criança menor demora um pouco para se soltar, mas a confiança do irmão a encoraja e... espontaneamente sua mão se extende para o contato direto.
Pode crer, é amigo mesmo!
Descrição de fotos anexas (texto humano, em revisão humana, inspirado pelas fotografias anexas)
A109_1891 - Minha nossa! Quem é esse?
Esta foi a foto do primeiro contato. Minha nossa! Quem é esse? Que momento! Quantas emoções! Naquela cabecinha inocente a experiência ficou gravada em letras destacadas, preparando um futuro mais aberto ao mundo da natureza, uma capacidade de comunicar além das palavras.
Localidade da tomada
lago do Bim - Iranduba - Amazonas - Brazil
Data e hora da tomada fotográfica
2010-05-17 10:45:31
Palavras-chave (seleção humana, inteiramente manual)
Amazonas | Amazônia | América do Sul | América Latina | animais | boto cor-de-rosa | boto-vermelho | Bototerapia | boutu | Brasil | crianças | emoção | encantado | FAUNA | GENTE | Inia geoffrensis | interação com animais | Iranduba | lago do Bim | lagos | mamíferos | mamíferos aquáticos | PAISAGENS | paisagens aquáticas | Reino Animal | temor reverencial | tonina
Glossário (suporte sintético com revisão humana)
Descrição
O Inia geoffrensis é um cetáceo que habita rios e lagos amazônicos. Seu comportamento assemelha-se ao dos golfinhos. Uma das lendas mais difundidas a seu respeito conta que ele se transforma em um jovem alto, bem trajado e de bela aparência, que frequenta festas ribeirinhas para seduzir moças. Antes do amanhecer, escapa e retorna ao rio ou lago, onde reassume sua forma de boto. Em sua expedição à Amazônia, o celebre oceanógrafo Jacques Cousteau atribuiu-lhe a denominação rosa, boto-cor-de-rosa. Na tradição amazônica, contudo, é conhecido como boto-vermelho. Costuma circular solitariamente ou em pares e aproxima-se frequentemente do ser humano, mesmo durante a pesca, podendo até competir com o pescador. O outro boto, o tucuxi (Sotalia fluviatilis), possui dorso mais escuro e é de menor porte. É mais arisco e habitualmente observado em grupos, mesmo fora da época reprodutiva.
Descrição
Processo de aprendizado dos princípios de organização dos sistemas vivos (como interdependência, ciclos e diversidade), visando a criação de sociedades sustentáveis. O conceito propõe que a natureza seja compreendida como um sistema dinâmico cujos padrões devem servir de modelo para a organização social e educacional humana (CAPRA, 1996).
Etimologia (suporte sintético com revisão humana)
A nomenclatura científica Inia geoffrensis é uma combinação de raízes indígenas e homenagens históricas. O gênero Inia foi estabelecido por Alcide d'Orbigny, adaptando o termo utilizado pelos indígenas Guarayos da Bolívia para designar o animal em sua língua nativa. O epíteto específico geoffrensis é um tributo ao naturalista francês Étienne Geoffroy Saint-Hilaire, que enviou o primeiro espécime para a Europa. Assim, o nome sintetiza o encontro entre o conhecimento ancestral dos povos da floresta e a catalogação da história natural europeia do século XIX.
Vermelho ou cor-de-rosa?
Os rios da Amazônia abrigam duas espécies de mamíferos aquáticos: o boto tucuxi e o boto-vermelho, sendo este último classificado como Inia geoffrensis. O Inia sempre foi conhecido pelos povos da Amazônia como boto-vermelho… até que o Comandante Cousteau chegou à Amazônia com sua inolvidável Calypso.
Ainda hoje, seja os ribeirinhos mais idosos, seja os cientistas engajados assim o denominam. Foi após a expedição do famoso oceanógrafo que esse boto foi denominado de boto cor-de-rosa. Não é difícil entender que o famoso oceanógrafo já estava condicionado a uma sociedade de consumo, que suas aventuras eram divulgadas pelas redes televisivas do mundo inteiro, e que se valiam de um charme publicitário capaz de fascinar e atrair muito mais o público da civilização urbana. Eu lembro nitidamente como os documentários da Calypso (navio do comandante Cousteau) eram entre os programas mais esperados da minha infância. A narrativa da equipe oceanográfica era envolvente e não há dúvida do que cor-de-rosa foi mais atraente que vermelho. Assim, a nova denominação, do ponto de vista regional pode ter sido equivocada e pode ter causado uma certa insatisfação em algumas pessoas. Mas de um ponto de vista planetário o boto cor-de-rosa da Amazônia teve uma projeção fenomenal e o revelou como mais uma maravilha da floresta amazônica.
Paráfrase com atribuição autoral (suporte sintético com revisão humana)
O boto-vermelho (Inia geoffrensis) é o maior golfinho de água doce do mundo. Chega a medir 2,5 metros de comprimento e pesar 160 quilos. Os machos são maiores que as fêmeas. Diferentemente dos golfinhos marinhos, o boto-vermelho tem as vértebras cervicais soltas, o que lhe permite mover a cabeça para os lados, uma adaptação importante para nadar entre as árvores das florestas inundadas (igapós). Sua cor varia com a idade e depende da atividade física e do local onde vive.
— CULLEN JR., Laury. Mamíferos Aquáticos do Brasil, 2004. LCTE Editora
A relação do homem com o boto é de uma ambivalência profunda. De um lado, o temor reverencial imposto pela lenda do boto que se transforma em homem para seduzir as moças nas festas de santo. De outro, a curiosidade que aproxima as comunidades ribeirinhas do animal, estabelecendo uma convivência cotidiana nos beiradões, onde o animal muitas vezes se aproxima das canoas em busca de restos de peixe, criando laços de confiança mútua entre as espécies.
— CASCUDO, Luís da Câmara. Geografia dos Mitos Brasileiros, 1947. José Olympio
Observamos que as interações turísticas com o Inia geoffrensis na Amazônia Central promovem um contato direto que pode influenciar o comportamento natural da espécie. O condicionamento alimentar, técnica comum para atrair os animais para próximo de plataformas e turistas, resulta em uma habituação que reduz a distância de fuga. Este fenômeno permite que seres humanos, inclusive crianças, vivenciem uma proximidade física singular com esses cetáceos em seu habitat natural.
— ALVES, Rômulo Romeu Nóbrega. Etnozoologia no Brasil, 2012. NUPEEA
Referências bibliográficas
– CULLEN JR., Laury. Mamíferos Aquáticos do Brasil. 1. ed. São Paulo: LCTE Editora, 2004.
– CASCUDO, Luís da Câmara. Geografia dos Mitos Brasileiros. Rio de Janeiro: José Olympio, 1947.
– ALVES, Rômulo Romeu Nóbrega. Etnozoologia no Brasil: Importância, Status e Perspectivas. Recife: NUPEEA, 2012.
– TENÓRIO, Jaider. Relatos da Amazônia Viva: Memória e Tradição. Manaus: Editora Valer, 2018.
– SMITH, Anthony. Explorers of the Amazon. Chicago: University of Chicago Press, 1990.
GeoCoordinates
Fotógrafo
Leonide Principe
Tipo de camera
DSLR (reflex digital)
Captura da Imagem
digital
Dimenções e tamanho do original
3878px x 2585px - 4.1MB
Capa
A109_1897.jpg
Anexos
A109_1891.jpg - A109_1883.jpg
Identificador uma palavra
Interação com animais
Pessoas na foto
Kena
alt_text
A109_1897 - Meu amigo o boto - Leonide Principe
Resumo dos metadados
A109_1897 - Leonide Principe
Equipment: NIKON D2X with lens 60 mm F2.8 set at 60 mm
Exposition: ISO: 100 - Aperture: 5 - Shutter: 1/100 - Program: Normal - Exp. Comp.: 0.0, Original digital capture of a real life scene
Original file size: 3878px x 2585px, Size: 4.1MB
Location: lago do Bim - Iranduba - Amazonas - Brazil
Persons shown: Kena
Coordenates: 3.07603° S - 60.46228° W
Date Taken: 2010-05-17 10:45:31
License: Creative Commons Attribution-NonCommercial (CC BY-NC)
Website: https://leonideprincipe.photos/
Source: Acervo PhotoAMAZONICA
Licença de uso
Creative Commons Attribution-NonCommercial (CC BY-NC)
Termos de uso
Recurso Educacional Livre
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