Eu sou do rio Tal…
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Data de atualização
Código da Fotografia
Título da Foto
Legenda minimalista
Texto humano de Acessibilidade (alt_text) - Descrição dos elementos fotografados
Descrição Principal (texto humano, em revisão humana, inspirado pela fotografia)
No livro O Rio Comanda a Vida o escritor amazonense Leandro Tocantins define de maneira inegualável como o ribeirinho ao falar sobre sua origem não se relaciona a um determinado centros urbanos... deixa ele falar:— O caboclo, com seus mitos e lendas, com suas tradições e seu folclore riquíssimos, com sua religiosidade nativa, além de ser um bravo, é um amante da natureza que o cerca e com a qual se envolve, a tal ponto de não suportar viver na cidade. Quando se refere à sua terra natal, não diz que nasceu na cidade tal, mas no rio tal: eu sou do Juruá!
Muitas vezes já ouvi dizer isso: eu sou do Solimões, eu sou do Negro… parece um detalhe, mas é importante como a ligação sentimental não se faz com a obra humana, uma cidade ou um povoado, mas com a obra da Natureza, um rio ou um lago.A fotografia foi capturada desde as passarelas do renomado hotel de selva Ariau Amazon Towers, hoje em ruínas. O pequeno barco regional cruzou desde o paraná do Ariaú e foi navegando, através do furo, também conhecido como Furo do Ariaú, em direção ao rio Negro. Após a segunda ponta o barco já vai estar no rio Negro, tão largo nesse ponto que nem enxerga-se o outro lado
As beiras são “looooooooonge”, como diria o ribeirinho, levantando levemente o queixo e apontando com a boca feito um bico; quanto mais esticada for a palavra, maior a distância. O prolongamento das vogais funciona como uma unidade de medida espacial. Para o ribeirinho, a distância não se mede em quilômetros, mas no tempo de navegação (REIS, 1960). Dizer que algo fica ali, logo depois daquela curva expressa uma noção de tempo fluida, própria de quem vive à beira dos rios. O uso dos lábios e do olhar para indicar direções preserva a tradição da comunicação não verbal de matriz tupi, onde a expressão facial assume o papel que, na cultura urbana, pertence aos membros superiores (MONTEIRO, 1976).Descrição de fotos anexas (texto humano, em revisão humana, inspirado pelas fotografias anexas)
Na boca do rio Manacapuru, na margem esquerda do rio Solimões, o ribeirinho navega em direção à cidade, com a correnteza a favor. A luz dourada do fim-de-tarde o acompanha, ele sabe que irá chegar ao seu destino antes do anoitecer.Localidade da tomada
Data e hora da tomada fotográfica
Palavras-chave (seleção humana, inteiramente manual)
Glossário (suporte sintético com revisão humana)
Descrição
Termo que designa o habitante tradicional das margens dos rios e canais da Amazônia. Resultante de um longo processo de miscigenação entre populações indígenas, colonizadores europeus e, em muitos casos, descendentes de africanos, o ribeirinho desenvolveu uma cultura profundamente adaptada aos ciclos hidrológicos de cheia e vazante. Sua subsistência baseia-se tradicionalmente na pequena agricultura de várzea, na pesca artesanal e no extrativismo vegetal. A identidade ribeirinha é intrinsecamente ligada ao ecossistema fluvial, manifestando-se em conhecimentos vernáculos sobre a floresta, na arquitetura das casas de palafita e em uma organização social que prioriza a solidariedade comunitária e a autonomia em relação aos centros urbanos (GALVÃO, 1955).
Paráfrase com atribuição autoral (suporte sintético com revisão humana)
— BENCHIMOL, Samuel. Amazônia: formação social e cultural. 1999. Valer
O rio Negro, espelho de águas escuras e misteriosas, abre caminho para as embarcações que buscam a calmaria de suas margens. Navegar por suas águas é adentrar um domínio onde o silêncio e a vastidão dominam a paisagem. O barco que singra essa imensidão líquida parece flutuar sobre um céu invertido, onde a densidade da floresta se reflete com precisão absoluta, revelando a grandiosidade e o isolamento que caracterizam a vida nas entranhas do mundo amazônico.
— FERREIRA, Alexandre Rodrigues. Viagem Filosófica pelas Capitanias do Grão-Pará, Rio Negro, Mato Grosso e Cuiabá. 1970. Conselho Federal de Cultura
As distâncias naquelas paragens não se medem por léguas ou quilômetros, mas pela entonação da voz. Um 'ali perto' pronunciado secamente pode significar uma caminhada de horas; mas se o caboclo estica a vogal num 'láaaaa longe', o viajante pode se preparar para uma jornada de dias inteiros através do igapó.
— POTYGUARA, José. Terra Caída. 1926. Editora Estabelecimento Gráfico Estácio de Sá
O caboclo amazônico guarda na sua alma a herança dos primitivos habitantes destas paragens. Sua linguagem é eivada de termos tupis, seus hábitos de pesca e caça repetem os gestos milenares dos indígenas, e sua vinculação com o rio de sua infância sobrepuja qualquer sentimento de nacionalidade abstrata ou de urbanidade. Para ele, o rio é a rua, a praça, o sustento e a própria certidão de identidade cultural.
— MONTEIRO, Mário Ypiranga. Roteiro do Folclore do Amazonas. 1976. Edição do Autor
Referências bibliográficas
— FERREIRA, Alexandre Rodrigues. _Viagem Filosófica pelas Capitanias do Grão-Pará, Rio Negro, Mato Grosso e Cuiabá_. 1970. Conselho Federal de Cultura
— POTYGUARA, José. _Terra Caída_. 1926. Editora Estabelecimento Gráfico Estácio de Sá
— MONTEIRO, Mário Ypiranga. _Roteiro do Folclore do Amazonas_. 1976. Edição do Autor
GeoCoordinates
Fotógrafo
Tipo de camera
Captura da Imagem
Dimenções e tamanho do original
Capa
Anexos
Identificador uma palavra
Pessoas na foto
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Resumo dos metadados
Equipment: NIKON D2X with lens 70-200mm f/2.8 set at 135 mm
Exposition: ISO 100 - Aperture 5.6 - Shutter 1/125
Program: Normal - Exp. Comp. 0.0
Original file size: 4312px x 2868px
Size: 6.3MB
Date: August 23, 2010 - 5:42:19 PM
Location Taken: Ariau Amazon Towers - Iranduba - Amazonas - Brazil)
Coordinates: 3.09193° S - 60.44195° W
Persons shown: none
Website: https://leonideprincipe.photos/
Source: Acervo PhotoAMAZONICA
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