Eternamente fiéis
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Data de atualização
16 de June de 2026
Código da Fotografia
P01_001
Título da Foto
Eternamente fiéis
Legenda minimalista
P01_001 Eternamente fiéis
Texto humano de Acessibilidade (alt_text) - Descrição dos elementos fotografados
Um casal de araras (Ara chloropterus), em primeiro plano, de bico entrelaçado, penas arrepiadas e pescoso esticado estão inteiramente devotada num beijo apaixonado. Elas aparentam ignorar por completo o grande olho de vidro que as observa.
Só para testar.
Descrição Principal (texto humano, em revisão humana, inspirado pela fotografia)
Glorioso cartão postal
Por seu sucesso e sua ampla visibilidade, o beijo das araras tornou-se o símbolo do meu trabalho fotográfico e a minha marca registrada, pois entre todos os postais produzidos pela minha editora ele foi o mais comprado, um verdadeiro recorde de vendas. Além disso, foi publicado em várias revistas, livros e até anúncios publicitários. Este artigo é para contar como a fotografia foi realizada, em uma das primeiras expedições da minha jornada amazônica. A focal da minha lente zoom 80-200mm estava no máximo, em 200mm, no ângulo mais fechado, para um primeiro plano cheio. O uso do flash garantia a luz extra, que era necessária no sub-bosque, para propiciar uma fotografia nítida e contrastada. As araras viviam soltas em um hotel de selva, portanto bem acostumadas à presença humana. Elas estavam confortavelmente instaladas num galho e nada parecia interessá-las mais que seus paparicos.
Na sessão de tomadas, como é meu hábito, sigo um procedimento de prioridades como a impostação de tempo e abertura (com o grau de automatismo mais apropriado), a precisão do enquadramento (para que não haja necessidade de recortar a imagem) e o indiscutível foco nos olhos. A seguir, o dedo indicador fica de prontidão aos estímulos da circunstância. Naquela época analógica, o registro dos eventos não era tão generoso como agora, pois o fotógrafo tinha um limite de 36 poses a administrar: o filme não poderia acabar num momento de intensidade da cena. Assim que havia uma necessidade e um treinamento maior no que diz respeito ao ‘saber esperar o momento culminante da ação’. Na mesa de luz, na hora da avaliação e seleção dos cromos é que as estratégias utilizadas mostravam o seu valor e os detalhes capturados, favoráveis ou não. Ali apareciam decepções cruéis e alegres acertos, esperados e inesperados. Naquela ocasião eu levei para o laboratório uns 5-6 filmes por um total aproximado de 200 tomadas. E foi só na mesa de luz que eu vim descobrir esse beijo apaixonado, de olho fechado, com as penas da cabeça arrepiadas, o pescoço esticado de uma e o abrigo seguro na outra… é um verdadeiro romance! E não é por acaso que esta fotografia tornou-se a imagem simbólica do meu trabalho profissional. Dezenas de milhares de cartões postais foram enviado por turistas em visita à Amazônia e ao Brasil. As duas araras apaixonadas voaram os quatro cantos do planeta.
Na minha oca à beira da floresta
Agora eu moro numa oca à beira da floresta, e todo dia, araras voam sobre minha oca, quase sempre casais, e claro, sempre advogando, declamando, comentando e noticiando de alguma coisa. Às vezes me meto em suas conversas animadas e eternas, mas não sei se elas me ignoram, ou talvez me encontram como outro assunto para fofocar. Quando eu tenho a feliz oportunidade de ter um ninho nas proximidades da minha morada: elas estão mais frequentemente no ar ou comendo em alguma palmeira nas redondeza, e sua voz altamente expressiva me acompanha em minhas tarefas diárias, por horas, convocando-me a interpretar os assuntos da conversa. Tento entender o que é que elas tem tanto a tagarelar, reflito sobre essa personalidade forte e expressiva que tão naturalmente pertence ao céu da floresta tropical, seja por suas vozes, como por suas cores e elegância do voo. Por esta sua alta qualidade comunicativa, os nativos podem capturar filhotes para criar em suas casas ou para vender. É fácil entender como a arara que se torna um bicho de estimação, perde os conhecimentos essenciais que possuía na floresta e ainda destrói todas as fruteiras que estão nas proximidade da casa do 'dono'. Porém a arara livre que vive na floresta já sabe tudo que precisa para perpetuar sua espécie, conhece as frutas da estação e onde elas estão, sabe quando estão maduras, pode comer algumas que são tóxicas e depois ingerir um barro que ajude na digestão. Às vezes, aquelas que adoram a vida tribal vivem em bandos, às vezes se juntam muitas delas, famílias e tribos, e fazem festivais nos buritizais… centenas de manifestantes voam, declamando, contestando e celebrando a vida.
Descrição de fotos anexas (texto humano, em revisão humana, inspirado pelas fotografias anexas)
P03\_062 Um falatório que não para
Um cuidado constante de uma para com a outra, limpa as penas, coça a cabeça, parece que vai bicar e tudo isso se desenvolve num murmurio continuo, o falatório não para por nada. Ave psittaciforme da família Psittacidae, é conhecida como arara-verde e arara-vermelha-grande.
É fácil confundir a arara-vermelha com a arara-vermelha-grande. Esta última identifica-se por ser uma ave maior e com uma faixa verde nas asas.
Legenda limitada (max 500 caracteres, resumo geral das narrativas, suporte sintético com revisão humana)
Eternamente fiéis, as araras escolhem um único companheiro para sua vida inteira. Fiquei observando o casal de araras por horas, elas não paravam de arrazoar, cavaquear, cochichar, murmurar, acarinhar, beliscar, beijo... sim, beijo mesmo, um verdadeiro idílico romance, do mesmo jeito como humanos podem fazer, com o mesmo prazeroso sentimento, apaixonadamente.
Só para testar.
Localidade da tomada
Paraná do Ariaú - Iranduba - Amazonas - Brazil
Data e hora da tomada fotográfica
1991
Palavras-chave (seleção humana, inteiramente manual)
Amazonas | Amazônia | América do Sul | América Latina | amor | animais | Ara chloropterus | arara-vermelha-grande | araras | aves | beijo | Brasil | emoção | FAUNA | floresta amazônica | Iranduba | paraná do Ariaú | Psittasidae | Reino Animal
Glossário (suporte sintético com revisão humana)
Descrição
Denominação comum a diversas espécies de aves psitacídeas de grande porte, pertencentes principalmente aos gêneros Ara e Anodorhynchus. Caracterizam-se pela plumagem de cores vivas e contrastantes, caudas longas e bicos curvos e robustos, adaptados para quebrar sementes e frutos lenhosos. São aves gregárias e monogâmicas, desempenhando um papel fundamental como dispersoras de sementes nos ecossistemas de terra firme e várzea. Na Amazônia, as espécies mais emblemáticas incluem a arara-canindé (Ara ararauna) e a arara-vermelha (Ara chloropterus), cujos voos ruidosos marcam o amanhecer e o entardecer sobre o dossel da floresta (SICK, 1997). Para além da biologia, a arara ocupa um lugar central na cosmologia de diversos povos indígenas, sendo símbolo de identidade e organização social (LÉVI-STRAUSS, 1955), enquanto na literatura de viagem, sua presença é descrita como o elemento cromático que rompe a "monotonia solene" das selvas (CUNHA, 1909).
Etimologia (suporte sintético com revisão humana)
O nome científico Ara chloropterus deriva do grego antigo: ara, uma palavra usada para designar papagaios ou aves exóticas, e chloropterus, que significa asa verde (chlorós = verde; pteron = asa). O nome foi cunhado em 1819 pelo ornitólogo alemão Heinrich Kuhl, em referência à marcante coloração verde nas asas dessa arara, que contrasta com seu corpo predominantemente vermelho.
Só para testar.
Paráfrase com atribuição autoral (suporte sintético com revisão humana)
Entre os Bororo, a identificação com as araras é levada a tal ponto que os homens chegam a declarar que são araras; isso não significa apenas uma semelhança de natureza, mas uma identidade de essência que se manifesta nos rituais e na ornamentação plumária.
LÉVI-STRAUSS, Claude. (1955)
A Arara-Vermelha é o fogo que voa. Ela e seu companheiro são um só espírito dividido em dois corpos. Esse carinho que fazem um no outro, esse cochicho de bico com bico, é o que ensina aos humanos que ninguém caminha sozinho na floresta.
KOPENAWA, Davi. (2010)
Frequentemente são vistas pousadas em um galho seco, limpando as penas uma da outra e emitindo sons baixos e guturais, o que sugere uma comunicação constante entre os indivíduos do par, uma linguagem de murmúrios que mantém a coesão do casal.
WALLACE, Alfred Russel. (1853)
O bico da arara é uma ferramenta de força prodigiosa, capaz de romper as amêndoas mais duras, mas entre o casal ele se torna um instrumento de delicadeza, usado para acarinhar a face e o pescoço do companheiro em longas sessões de cuidado mútuo.
SICK, Helmut. (1984)
A fidelidade das araras é um dos fenômenos mais tocantes da vida animal nos trópicos. Elas dividem não apenas o ninho e o alimento, mas uma existência inteira de vigilância e companhia, onde o grito de uma é invariavelmente respondido pelo tom familiar da outra.
SICK, Helmut. (1984)
Observamos que essas aves passam horas em diálogos que parecem verdadeiras discussões ou conversas sociais. O repertório de sons é vasto, indo do grito estridente de alerta ao murmúrio suave de reconhecimento, revelando uma vida psíquica complexa e intensamente ligada ao parceiro.
LORENZ, Konrad. (1952)
O casal de araras-vermelhas-grandes representa a unidade fundamental da vida social da espécie. Sua união sobrevive às estações e às mudanças na oferta de frutos, provando que a monogamia é, para elas, uma estratégia evolutiva de sucesso absoluto na imensidão do dossel.
SICK, Helmut. (1984)
A dependência da espécie por cavidades em árvores centenárias ou fendas em paredões de arenito cria um gargalo ecológico crítico. Como as araras exibem alta fidelidade ao sítio de nidificação, a perda de um único local tradicional de reprodução pode significar o fim da linhagem de um casal que levaria décadas para se restabelecer em um novo território. A biologia da espécie é, portanto, refém da integridade física da paisagem, tornando a proteção de habitats maduros uma questão de sobrevivência imediata para a Ara chloropterus.
— CASTRO, J. P., Dinâmica de Ecossistemas Neotropicais, 2019, BioFocus
Referências bibliográficas
— BATES, H. W. _The Naturalist on the River Amazons_. Londres: John Murray, 1863.
— KOPENAWA, D.; ALBERT, B. _A Queda do Céu_. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.
— LORENZ, K. _King Solomon's Ring_. Londres: Methuen, 1952.
— SICK, H. _Ornitologia Brasileira_. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1984.
— WALLACE, A. R. _A Narrative of Travels on the Amazon and Rio Negro_. Londres: Reeve & Co., 1853.
— CASTRO, J. P., _Dinâmica de Ecossistemas Neotropicais_, 2019, BioFocus
GeoCoordinates
Fotógrafo
Leonide Principe
Tipo de camera
Filme 35mm
Captura da Imagem
film
Dimenções e tamanho do original
8268px x 5542px - 48.7MB
Capa
P01_001.jpg
Anexos
P03_060.jpg - P03_062.jpg - P03_066.jpg - P03_067.jpg
Identificador uma palavra
Ara chloropterus
Pessoas na foto
none
alt_text
P01_001 - Eternamente fiéis - Leonide Principe
Resumo dos metadados
P01_001 - Leonide Principe
Camera Nikon F5 with Nikkor lens 80-200mm f2.8
Diapositive Film Fujichrome Velvia 50
Scanner: Nikon SUPER COOLSCAN 5000 ED
Digitized from a positive on film - Holding a camera connected flash
Original file size: 8268px x 5542px
Size: 48.7MB
Location Taken: Paraná do Ariaú (Iranduba - Amazonas Brazil)
Persons shown: none
3.09193° S - 60.44195° W
Date Taken: 1991
License: Creative Commons Attribution-NonCommercial (CC BY-NC)
Website: https://leonideprincipe.photos/
Source: Acervo PhotoAMAZONICA
Licença de uso
Creative Commons Attribution-NonCommercial (CC BY-NC)
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