Entre dois arcos-Íris
D0519_0278 Aliança da onça
IP08_3858 Entre dois arcos-Íris
IP08_4036 Entre dois arcos-Íris
IP08_4517 Entre dois arcos-Íris
Felines2018map
IP08_3859 Um autentico mateiro
Data de atualização
27 de May de 2026
Código da Fotografia
B32_4071
Título da Foto
Entre dois arcos-Íris
Legenda minimalista
B32_4071 Entre dois arcos-Íris
Texto humano de Acessibilidade (alt_text) - Descrição dos elementos fotografados
A fotografia de capa mostra, entre duas serras, um vale de floresta de terra firme
com um arco-íris duplo surgindo bem do meio do vale.
Descrição Principal (texto humano, em revisão humana, inspirado pela fotografia)
Onças ficam passeando entre dois arcos-íris
Em 7 de Julho de 2007 as 5:13 PM, quando fiz esta foto, nem imaginava a sincronia daquele dois pontos onde os arcos de luz apontavam. Brinquei com meus filhos afirmando que ali, na extremidade do arco-íris, haveria os dois potes de ouro prometidos pela lenda. Nem poderia imaginar que tinha sim os tais potes de ouro, que ali teria uma grande experiências da vida. É ali que eu iniciaria o Monitoramento de onças e instalaria, em 2018, as câmeras de captura digital com sensores de movimento, 11 anos depois… bem entre aqueles dois arco-íris.
Desde a varanda da minha casa, ponto de enquadramento da foto, a vista do vale aponta para o Leste, onde, toda manhã nasce o sol. Naquela direção a floresta primária se extende por 17 quilômetros até o enorme arquipélago do lago da Balbina. Na fotografia, os dois arcos da aliança apontam a localização bem aproximada das câmeras de captura digital, à pouco mais de mil metros da moradia, no meio do vale, entre as duas serras laterais. Aqui está um ecossistema de floresta primária de terra firme, mais caracterizado como uma cabeceira de rio. O rio Punã, nasce no fundo do vale, alimentado por nascentes que nele se despejam desde as duas serras laterais. O rio Punã faz parte da bacia do Uatumã, que por sua vez despeja no rio Amazonas. Outra característica peculiar deste vale é que do lado direito da serra já encontra-se uma outra bacia hidrográfica que despeja no rio Negro. Portanto esta serra coloca-se como um divisório de águas.
Descrição de fotos anexas (texto humano, em revisão humana, inspirado pelas fotografias anexas)
IP08_3859 - Um autentico mateiro
Raimundo indica o lugar onde a onça pulou. Esse tempo, dedicado ao conhecimento do entorno natural, fazia parte integrante do nosso trabalho: libertar as castanheiras dos cipós sufocantes, acompanhar os bandos de macacos, recolher os cartões de memória das câmeras- armadilha e... claro, rastrear os felinos e verificar seus movimentos.
Nunca algum dos nossos animais domésticos foi ameaçãdo pelos predadores. Isso pode ser relacionados com a fartura de animais de caça. Na nossa área, no lado Leste da BR-174, há muita floresta primária, e, desde o início mantivemos os caçadores sob controle. Dessas observações, concluimos que as onças vem chegando do Leste (areas de floresta muito pouco habitadas) e quando chegam à BR, dão meia volta, pelo cheiro, barulho e presença humana. Isso foi confirmado por capturas fotográficas: o registro de felino com direção ao Oeste, foi registrado de novo, poucos dias depois com direção ao Leste, retornando ao próprio ambiente de sobrevivência. Do outro lado da BR, a região é muito mais populada, há muito menos floresta e os bichos de caça são fortemente perseguidos, deixando as onças bem famintas e obrigando-as a procurar cachorros e outros animais domesticos para garantir sua sobrevivência.
Também nesse contexto, Raimundo, é um caboclo nativo da região, trabalhou comigo como mateiro e assistente na escalada de árvores durante muitos anos. Ele é um exímio caçador, inclusive de onça, reconhecido na região e solicitado para operações de resgate. Porém desde que iniciamos o projeto de monitoramento, isso amansou de certo modo sua irredutível convicção de que a única conversa com onça é com espingarda apontando para ela. Eu sempre respeitei o ponto vista dele e nunca tentei convencer do contrário, e reciprocamente.
Quando algum incauto caçador, um morador ou um turista se perde na floresta, Raimundo é procurado para o resgate. E cumpre sua missão em um ou dois dias, no geral.
Certa vez numa excursão na floresta ele mexeu entre as folhas seca e indicou os restos mortais de um animal, um pedaço de pele com pelos meio ensanguentado.
— A onça pegou o caititu, — observou o homem da floresta.
Dois dias depois voltamos para a mesma área e, algumas centenas de metros mais distante do primeiro achado, Raimundo mexeu de novo nas folhas secas e revelou excrementos recentes, e havia pelos, os mesmo pelo da pele de caititu.
— A onça, aquela mesma, defecou aqui. E ela ainda está por aqui e vai ficar até comer o caititu todo. Suas frases são concisas e claras e descrevem a situação sem sombra de dúvida.
Ela poderia estar nos observando naquele exato momento.
— E aí, Raimundo, faz falta uma espingarda?
No nosso trato de trabalho estava bastante claro que não tinha necessidade de andar armado na floresta.
— Fazem mesmo, mas não tem perigo não, ela tá de bucho cheio...
— Tem guariba nas árvores, elas ficam quetiiiiiiinhas... por nossa causa e dela, também — ele diz.
Eu respondo: — não estou ouvindo nada, como é que tu sabe?
— As guaribas ficam quietas e escondidas por causa de nós. Mas o cheiro das fezes não dá para abafar.
Há tantas histórias como esta! Por mais de 10 anos o Raimundo me acompanhou em minhas curiosas excursões amazônicas. Essas histórias compartilham aprendizagens marcantes e presencial, dentro da floresta, deixando claro quão especial e urgente é a reconstrução de uma cultura amazônica, baseada num plano de estudos normativos já pronto, desde milhares de anos, e só pedir com humildade aos povos nativos, aos povos tradicionais, eles sabem, tem memória, tem visão.
Assim que povos nativos e tradicionais, biólogos, mateiros, extrativistas, fotógrafos e cinegrafistas, guias turísticos, escaladores de árvores… a reconstrução de uma civilização genuinamente amazônica, baseada sobre a saúde e a evolução dos ecossistemas de floresta tropical úmida.
IP08_3858 - Pegada de onça
Na beira do igarapé Punã, a onça pulou e deixou sua marca. O monitoramento não inclui apenas câmeras-armadilha, a exploração constante do território permite identificar acontecimentos que entram na analise geral e complementam os registros fotográficos.
IP08_4036 - Instalando câmera
Estudante de biologia, Eloise Feuillat é uma estagiária que veio da Bélgica num programa de voluntariado, auxiliou no projeto de monitoramento com muito entusiasmo durante três meses.
Na foto, ela testa uma câmera-armadilha na trilha principal. As câmeras que propiciaram melhores capturas foram aquelas das trilhas mais abertas, pois um caminho já aberto é o preferido das onças. A luz vermelha é o teste que prova o funcionamento do sensor.
IP08_4517 - Checando a câmera
Cada quinze dias as câmeras são retiradas para verificar as capturas e trocar o chip. Eloise, a voluntária do projeto está checando o equipamento e uma turista participa do monitoramento.
A interação entre ecoturismo e monitoramento foi muito proveitosa, oferecendo aos visitantes uma vivência extraordinária da floresta, desde a escalada em árvores até uma leitura guiada do ecossistema (importância dos fungos, excursões diurnas e noturnas, acampamentos na natureza, observação de aves, monitoramento de felinos, etc.)
Localidade da tomada
Abra144 - Presidente Figueiredo - Amazonas - Brazil
Data e hora da tomada fotográfica
2007-07-07 05:13:45
Palavras-chave (seleção humana, inteiramente manual)
Abra144 | Amazonas | Amazônia | América do Sul | América Latina | animais | arco-irís | Brasil | câmeras-armadilha | FAUNA | Felinae | felinos | floresta ombrófila | floresta pluvial | floresta primária | floresta tropical úmida | Grade144 | mamíferos | mata de terra firme | monitoramento da fauna | PAISAGENS | PESQUISA | Presidente Figueiredo | Reino Animal
Glossário (suporte sintético com revisão humana)
Descrição
Dispositivo fotográfico ou de vídeo com sensor de movimento (infravermelho ou PIR) acionado automaticamente pela passagem de animais ou pessoas. É amplamente utilizada em pesquisas científicas na Amazônia para monitoramento da fauna, estimativa populacional, identificação de espécies raras ou elusivas e estudos de comportamento sem interferência direta do observador.
Com o uso de câmeras-armadilha instaladas na Abra144, foram registradas onças, pintadas e pardas, em uma área de transição, demarcada por uma Rodovia Federal, entre uma area densamente populada e de uso agricultural com uma área de floresta de terra firme, primária, onde foi realizada a pesquisa.
Descrição
Conjunto de técnicas e métodos sistemáticos utilizados para acompanhar populações de felinos silvestres (como onça-pintada, onça-parda, jaguarundi, gato-maracajá e gato-do-mato) na Amazônia. Essas práticas incluem o uso de câmeras-armadilha, armadilhas de pegadas, coleta de amostras biológicas (fezes, pelos), rádio-telemetria, colares GPS e armadilhas fotográficas com identificação individual por padrão de manchas. O objetivo é obter dados sobre densidade populacional, área de vida, dieta, saúde, reprodução, movimentação e interações interespecíficas, fundamentais para a conservação das espécies diante de ameaças como desmatamento, caça e fragmentação florestal.
Exemplo de uso: O monitoramento de felinos na Floresta Nacional do Amanã revelou que a onça-pintada (Panthera onca) mantém territórios de até 200 km² e evita áreas próximas a assentamentos humanos, indicando sensibilidade à pressão antrópica.
Paráfrase com atribuição autoral (suporte sintético com revisão humana)
— A destruição do habitat e a caça levaram à redução significativa e até ao desaparecimento de populações de onças-pintadas em várias regiões das Américas. Portanto, conhecer e identificar áreas onde ainda há abundância de indivíduos pode ser de grande ajuda para elaborar estratégias e ações de conservação mais eficientes para a espécie. Este foi um esforço coletivo para compreender melhor a distribuição da onça-pintada em todo o bioma, que atualmente concentra a maior população da espécie em toda a sua área de ocorrência.
— DURIGAN, Carlos. In: Biological Conservation. Amsterdam: Elsevier, v. 303, mar. 2025. (Estudo: Protected areas in the Amazon are a refuge for jaguars in an increasingly degraded biome).
— Depois de dias procurando, o Lazinho me dizia: 'Marcão, vamos armar a armadilha aqui', e ele estava certo. Ele sabia onde o animal estava e como ele gostava de se mover.
— BRITO, Marcos Roberto de. In: Revista Pesquisa FAPESP. São Paulo: Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, ed. 340, jun. 2024. (Entrevista concedida a Maria Guimarães).
— Quando o rio começa a encher, as presas, como queixadas e antas, simplesmente deixam a várzea e vão para a terra firme. Seria de se supor que as onças fossem atrás delas, certo? Mas isso não é uma opção na reserva Mamirauá, porque a área inteira é cercada por dois grandes rios. A enchente é inacreditável. Chega a 16 metros em alguns lugares.
— ALVARENGA, Guilherme. In: Revista Pesquisa FAPESP. São Paulo: Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, ed. 340, jun. 2024. (Entrevista concedida a Maria Guimarães).
— Grandes felinos (>30 kg) têm dietas exclusivamente carnívoras e dependem de presas terrestres de médio e grande porte para suprir suas altas demandas metabólicas. Embora alguns deles usem árvores comumente para descansar, caçar, evitar predadores ou competidores, e outros possam predar espécies arbóreas, aquáticas e semiaquáticas, não há casos documentados de grandes felinos vivendo uma existência primordialmente arbórea por períodos prolongados. Aqui, relatamos a evolução de um estilo de vida único para um grande predador de topo terrestre, no qual onças-pintadas vivem uma existência arbórea e semiaquática por 3-4 meses por ano em um ambiente completamente alagado durante a estação anual de cheia da Bacia Amazônica.
— Autor: RAMALHO, Emiliano E.; MAIN, Martin B.; ALVARENGA, Guilherme C.; OLIVEIRA-SANTOS, Luiz Gustavo R. In: Ecology. Washington, D.C.: Ecological Society of America, v. 102, n. 5, e03286, maio 2021.
Referências bibliográficas
— DURIGAN, Carlos. In: Biological Conservation. Amsterdam: Elsevier, v. 303, mar. 2025.
— NEGRÕES, Nuno; SOLLMANN, Rahel; FONSECA, Carlos; JÁCOMO, Anah T. de A.; REVILLA, Eloy; SILVEIRA, Leandro. In: Ecological Research. Japão: Wiley / Ecological Society of Japan, v. 27, n. 3, p. 639-648, maio 2012.
— TOBLER, Mathias W.; CARRILO-PERCASTEGUI, Samia Elizabeth; PITMAN, Renata Leite; MARES, Rafael; POWELL, George. In: Biological Conservation. Amsterdam: Elsevier, v. 159, p. 375-381, 2013.
— MOSQUERA-GUERRA, Sebastian; ALVAREZ, Erling; GÓMEZ, Marbel; CARRERO, Henry; SÁNCHEZ, Lizandro; ARMENTERAS, Dolors; GONZÁLEZ, Mailyn. In: Journal for Nature Conservation. Amsterdam: Elsevier, v. 56, ago. 2020.
— BRITO, Marcos Roberto de; ALVARENGA, Guilherme C.; OLIVEIRA-SANTOS, Luiz Gustavo R.; MARANHÃO, Louise; PINTO DOS SANTOS, Lázaro; GOMES DOS SANTOS, Ronaldo; RAMALHO, Emiliano E. In: Journal of Mammalogy. Oxford: Oxford University Press, v. 106, n. 2, 2025. DOI: 10.1093/jmammal/gyae145.
— THOMPSON, Jeffrey J.; MORATO, Ronaldo G.; NIEHAUS, Marco; et al. In: Scientific Data. London: Nature Publishing Group, v. 9, n. 1, 2022.
— WWF MÉXICO; WWF PERU; WWF EQUADOR. In: Global Ecology and Conservation. Amsterdam: Elsevier, v. 22, jun. 2020.
— HIGGINBOTTOM, Patrick; FURTADO, Marcio M. In: IUCN/SSC Cat Specialist Group Library. Suíça: IUCN, 2009.
GeoCoordinates
Fotógrafo
Leonide Principe
Tipo de camera
DSLR (reflex digital)
Captura da Imagem
digital
Dimenções e tamanho do original
3872px x 2592px - 11.2MB
Capa
B32_4071.jpg
Anexos
Felines2018map.png - IP08_3858.jpg - IP08_4036.jpg - IP08_4517.jpg - IP08_3859.jpg
Identificador uma palavra
Felinos
Pessoas na foto
none
alt_text
B32_4071 - Entre dois arcos-Íris - Leonide Principe
Resumo dos metadados
B32_4071 - Leonide Principe
Equipment: NIKON D200 with lens 12.0-24.0 mm f/4.0 set at 24 mm
Exposition: ISO: 100 - Aperture: 6.3 - Shutter: 1/160 - Program: Normal - Exp. Comp.: -0.7, Original digital capture of a real life scene
Original file size: 3872px x 2592px, Size: 11.2MB
Location: Abra144 - Presidente Figueiredo - Amazonas - Brazil
Persons shown: none
Coordenates: 1.73082° S - 60.06153° W
Date Taken: 2007-07-07 05:13:45
License: Creative Commons Attribution-NonCommercial (CC BY-NC)
Website: https://leonideprincipe.photos/
Source: Acervo PhotoAMAZONICA
Licença de uso
Creative Commons Attribution-NonCommercial (CC BY-NC)
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