Confiança total
A109_1833 Confiança total
A109_1868 Confiança total
Data de atualização
8 de May de 2026
Código da Fotografia
A109_1872
Título da Foto
Confiança total
Legenda minimalista
A109_1872 Confiança total
Texto humano de Acessibilidade (alt_text) - Descrição dos elementos fotografados
É um contato de terceiro grau, o encontro de dois mundos que tem pouca coisa em comum, e portanto aqui estão um frente ao outro.
Quadro cheio , tomada desde uma posição mais alta: um menino interage com boto nas águas escuras (água preta) do rio Negro, mostrando confiança total no animal, como se fosse o melhor amigo. O mesmo diga-se do mamífero aquático.
Descrição Principal (texto humano, em revisão humana, inspirado pela fotografia)
Confiança total
É reconhecido que o boto-vermelho (Inia geoffrensis) modifica seu comportamento na presença de humanos, especialmente com crianças e mulheres grávidas, os quais, por sua vez, de maneira natural, se tornam alegres e confiante, entre outros efeitos benéficos e curativos. Sim, eu também posso afirmar por experiência própria que a timidez inicial da criança logo se transforma em uma grande vontade de brincar e passar a mão no brilhante e alegre mamífero. Essa mudança de comportamento provavelmente foi medida em algum estudo mais profundo: a intensidade e a frequência dos ultra-sons emitidos por esse ser impressionante agem sobre as emoções e comportamento humanos. Estou falando aqui de uma atitude benevolente direcionada e as noticias jornalísticas estão cheias de relatos sobre alguém que foi salvo por um golfinho e, mais ainda, sobre a surpreendente inteligência desses mamíferos aquáticos.
A fotografia foi realizada com botos selvagens e livres do rio Negro, águas pretas, como dizem os ribeirinhos. Há também quem a associe com uma bebida onipresente e extremamente nociva á saúde, da qual não quero ser cúmplice ao nomeá-la. Prefiro uma definição muito mais regional: cor de café forte recém-passado.
Confiança reciproca
A interação reciproca já foi demonstrada com aparelhos e sem aparelhos. Observe, caro leitor, a interação espontânea, sincera… os dois atores são entregue um ao outro e participam da brincadeira sem condições… Eu observei isso além da fotografia, a qual apenas capturou um momento querendo resumir nesse quadro uma situação de grande intensidade emocional…
Me pergunto quanto tempo será preciso ainda para vencer os condicionamentos de séculos de educação errônea? Se for lembrar minha infância posso sempre perceber uma distância e até uma hostilidade para com a natureza: assumo que uma educação equivocada me foi imposta, seja em família, seja na escola, com base sobre a crença que a natureza é inimiga ou no mínimo hostil. Estou caindo fora daquela crença! Confio numa herança ancestral que opera atrás do palco, um outro tipo de educação intuitiva, que vem surgindo. Se trata de outros valores, olhando para a natureza como o filho olha para a mãe que o nutre.
Em quanto a atual convivência social perdura na linha suicida do confronto, gerando distúrbios de transtorno de deficit de natureza, há uma opção pessoal a fazer, sem demora, sem mais dúvidas, porque a natureza não precisa da humanidade para ser, muito pelo contrário, a humanidade é que precisa da natureza para ser.
Assim sendo dois princípios fundamentais e determinantes emergem: o ser humano precisa da natureza e a natureza ama a humanidade como uma mãe ama o filho. A identificação desse dois princípios não pode esperar um posicionamento institucional. Essa é uma mudança individual que surge na consciência de cada um e que multiplica-se sempre no nível individual, até o momento de assimilação do tecido social.
Localidade da tomada
lago do Bim - Iranduba - Amazonas - Brazil
Data e hora da tomada fotográfica
2010-05-17 10:44:31
Palavras-chave (seleção humana, inteiramente manual)
Amazonas | Amazônia | América do Sul | América Latina | animais | boto cor-de-rosa | boto-vermelho | Bototerapia | boutu | Brasil | confiança | crianças | encantado | FAUNA | GENTE | Inia geoffrensis | interação com animais | Iranduba | lago do Bim | lagos | mamíferos | mamíferos aquáticos | PAISAGENS | paisagens aquáticas | Reino Animal | sentimento | tonina
Glossário (suporte sintético com revisão humana)
Descrição
O Inia geoffrensis é um cetáceo que habita rios e lagos amazônicos. Seu comportamento assemelha-se ao dos golfinhos. Uma das lendas mais difundidas a seu respeito conta que ele se transforma em um jovem alto, bem trajado e de bela aparência, que frequenta festas ribeirinhas para seduzir moças. Antes do amanhecer, escapa e retorna ao rio ou lago, onde reassume sua forma de boto. Em sua expedição à Amazônia, o celebre oceanógrafo Jacques Cousteau atribuiu-lhe a denominação rosa, boto-cor-de-rosa. Na tradição amazônica, contudo, é conhecido como boto-vermelho. Costuma circular solitariamente ou em pares e aproxima-se frequentemente do ser humano, mesmo durante a pesca, podendo até competir com o pescador. O outro boto, o tucuxi (Sotalia fluviatilis), possui dorso mais escuro e é de menor porte. É mais arisco e habitualmente observado em grupos, mesmo fora da época reprodutiva.
Descrição
Modalidade de intervenção terapêutica que utiliza o contato com botos-vermelhos em ambiente natural como recurso auxiliar na reabilitação de pacientes com deficiências motoras ou intelectuais. O método ganhou notoriedade através do trabalho de Igor Simões Santos, fisioterapeuta que atua em Novo Airão, no Amazonas. A técnica baseia-se na utilização do animal como agente motivador, facilitando a execução de exercícios fisioterapêuticos e estímulos sensoriais dentro da água do Rio Negro. Embora produza relatos significativos de melhora na interação social e tônus muscular, a prática exige monitoramento rigoroso quanto ao bem-estar dos animais silvestres.
Descrição
Processo de aprendizado dos princípios de organização dos sistemas vivos (como interdependência, ciclos e diversidade), visando a criação de sociedades sustentáveis. O conceito propõe que a natureza seja compreendida como um sistema dinâmico cujos padrões devem servir de modelo para a organização social e educacional humana (CAPRA, 1996).
Descrição
Termo que define rios que nascem em áreas de planícies arenosas e solos antigos (podzóis), como o Rio Negro e o Rio Cururu. Apresentam uma coloração que varia do castanho-claro ao negro intenso, semelhante ao chá de ervas, devido à presença de ácidos húmicos e fúlvicos provenientes da decomposição incompleta da matéria orgânica da floresta. São águas quimicamente pobres, ácidas (pH baixo) e extremamente transparentes, permitindo a visibilidade em profundidades de até 3 ou 4 metros. A ausência de sedimentos minerais impede a formação de solos férteis em suas margens, predominando os ecossistemas de igapó (SIOLI, 1984).
Descrição
O termo uauiaru (ou uauiarará) é uma designação de origem tupi-guarani que se refere ao espírito das águas ou ao boto-vermelho em sua dimensão mítica. Na cosmologia amazônica, ele não é apenas um animal, mas um encante — um ser capaz de transitar entre o mundo físico e o espiritual.
O termo uauiaru designa o boto-vermelho em sua forma espiritual e transmutada. A pesquisa revela que, no imaginário amazônico, este ser governa cidades no fundo dos rios e interage com humanos de maneira complexa. O foco na relação com as crianças mostra um misto de proteção e risco de encante, onde o animal tenta atrair os jovens para seu reino. O uauiaru funciona como um mediador cultural que reforça tabus e preserva a conexão mística entre o povo e as águas.
Paráfrase com atribuição autoral (suporte sintético com revisão humana)
O termo uauiaru designa, nas regiões do alto Amazonas, o boto-vermelho transfigurado. Diferente do peixe comum, o uauiaru é o senhor das cidades submersas. Quando ele decide subir à superfície, não o faz para caçar, mas para buscar companhia humana. Para os antigos, o uauiaru era o elo entre os vivos e os ancestrais que habitam o fundo dos rios, um guardião que exige oferendas e silêncio durante a navegação noturna.
— STRADELLI, Ermanno. Lendas e Notas de Viagem, 1890, Instituto Cultural Italo-Brasileiro
O uauiarará é o boto que vira gente. Ele mora em palácios feitos de cristal e ouro no fundo do rio, onde tudo é inverso. O que para nós é cobra, para ele é rede de dormir; o que para nós é peixe, para ele é gado. Ele tem o poder de chamar as pessoas pelo nome, e se uma criança responde ao chamado do uauiaru, sua alma é levada para viver nessas cidades, deixando o corpo sem vontade na terra.
— MONTEIRO, Walcyr. Visagens e Assombrações de Belém, 1972, Editora Smith
Não se deve apontar o dedo para o uauiaru quando ele salta. Os velhos dizem que ele conta os nossos dedos e, se faltar um na conta dele, ele leva a pessoa para completar sua família na cidade do fundo. Ele é o dono do rio. Quando o uauiaru está por perto, os peixes somem porque respeitam o patrão. É um bicho que merece rezo e respeito, pois no fundo daquele couro rosa bate o coração de um homem muito antigo.
— Relato oral de ribeirinho, em Antropologia do Imaginário Fluvial, 2005, Editora Valer
The Amazon River dolphin, or boto, is known for its remarkable curiosity and frequent proximity to human settlements. Unlike many marine dolphins, Inia geoffrensis shows a surprising lack of fear toward humans, often approaching children swimming in the shallows. This behavior has likely fueled centuries of folklore regarding their ability to transform and interact with the human world in complex, almost social ways.
— BEST, Robin C. Mammals of the Amazon, 1984, Oxford University Press
A gente nunca deve maltratar o boto porque ele é bicho de encante. Se uma criança fica muito tempo olhando para o boto no rio, ela pode ficar pasmada, com o espírito meio preso na água. O boto gosta de brincar, ele chega perto das canoas e até empurra quem está aprendendo a nadar, mas tem que ter cuidado porque ele é gente da cidade do fundo e tem seus poderes.
— Relato de informante nativo, citado em Mitologias Amazônicas, 1998, Editora UFPA
O boto-vermelho (Inia geoffrensis) desempenha um papel ecológico fundamental como predador de topo nos ecossistemas de águas doces da bacia amazônica. Sua interação com as populações ribeirinhas transcende o aspecto biológico, influenciando hábitos de pesca e gerando um respeito fundamentado no medo e na admiração. A proteção desta espécie é vital não apenas para a biodiversidade, mas para a preservação do patrimônio cultural imaterial da Amazônia.
— DA SILVA, Vera M. F. Ecologia e Conservação dos Golfinhos de Água Doce, 2002, INPA
Referências bibliográficas
— Ermanno Stradelli, Lendas e Notas de Viagem, 1890, Instituto Cultural Italo-Brasileiro
— MONTEIRO, Walcyr. Visagens e Assombrações de Belém, 1972, Editora Smith
— BEST, Robin C. Mammals of the Amazon, 1984, Oxford University Press
— DA SILVA, Vera M. F. ; Ecologia e Conservação dos Golfinhos de Água Doce, 2002, INPA
GeoCoordinates
Fotógrafo
Leonide Principe
Tipo de camera
DSLR (reflex digital)
Captura da Imagem
digital
Dimenções e tamanho do original
4312px x 2868px - 6.4MB
Capa
A109_1872.jpg
Anexos
A109_1868.jpg - A109_1833.jpg
Identificador uma palavra
Interação com animais
Pessoas na foto
Geo
alt_text
A109_1872 - Confiança total - Leonide Principe
Resumo dos metadados
A109_1872 - Leonide Principe
Equipment: NIKON D2X with lens 60.0 mm f/2.8 set at 60 mm
Exposition: ISO: 100 - Aperture: 4.8 - Shutter: 1/90 - Program: Normal - Exp. Comp.: 0.0, Original digital capture of a real life scene
Original file size: 4312px x 2868px, Size: 6.4MB
Location: lago do Bim - Iranduba - Amazonas - Brazil
Persons shown: Geo
Coordenates: 3.07802° S - 60.46658° W
Date Taken: 2010-05-17 10:44:31
License: Creative Commons Attribution-NonCommercial (CC BY-NC)
Website: https://leonideprincipe.photos/
Source: Acervo PhotoAMAZONICA
Licença de uso
Creative Commons Attribution-NonCommercial (CC BY-NC)
Termos de uso
Recurso Educacional Livre
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