Cio de borboletas
Data de atualização
24 de May de 2026
Código da Fotografia
P13_308
Título da Foto
Cio de borboletas
Legenda minimalista
P13_308 Cio de borboletas
Texto humano de Acessibilidade (alt_text) - Descrição dos elementos fotografados
É uma macrofotografia, com campo bem fechado no assunto principal, produzida com flash, no sub-bosque da Reserva Ducke, próximo à Manaus. Duas borboletas (Methona themisto), em acasalamento, pousadas sobre uma folha, ocupam o fotograma em sua totalidade, com fundo preto e sem outra distração.
Descrição Principal (texto humano, em revisão humana, inspirado pela fotografia)
As borboletas (Methona themisto) pousaram num galho perto de mim, logo larguei minha mochila de equipamento, montei uma lente de longa focal (zoom 80-200 mm) e um flash e me aproximei bem devagarinho… na hora do disparo, elas voaram e começou a brincadeira. Eu saltitava até elas, me sentia cômico, porém alegre e elas, mais e mais, voavam… não sei quanto tempo levou nessa brincadeira, pulando de um canto a outro, de uma folha de palmeira até um cipó. Certa hora atravessam um raio de luz que furou o dossel, aumentando meu esforço de enquadramento... olho grudado no visor, vou pisando sei lá onde, rasgando teias de aranha invisíveis, contornando moitas... até o momento da oportunidade. O tempo de repente fica imóvel, junto com elas. Agora estavam posando para mim, eu sabia, e assim ficaram até eu me aproximar bem devegar e achar meu enquadramento perfeito. Logo em seguida, após a captura da imagem, como se soubessem que estava tudo certo, seguiram para o seu voo definitivo em algum lugar para o leste, absorvidas novamente na intrigante inteligência da floresta.
Agora só faltavam duas coisas: encontrar a mochila do meu equipamento, largada quem sabe onde… e o meu caminho de volta ao acampamento, algum lugar para o Sul.
A primeira referência é o astro-pai. Sei que preciso encontrar outras provas adicionais de direção certa: árvores especiais, formas inusitadas, acidentes do terreno marcados na memória desde o início da excursão.
É nesse delicado momento que se manifesta cruel o sentimento de não pertencer e a vontade de saber. O caboclo não tem esse questionamento, ele cheira a água, escuta o vento, pede licença, não tem medo de se perder. Ele pertence.
Localidade da tomada
Reserva Ducke - Manaus - Amazonas - Brazil
Data e hora da tomada fotográfica
1993
Palavras-chave (seleção humana, inteiramente manual)
acasalamento | Amazonas | Amazônia | América do Sul | América Latina | animais | borboleta-do-manacá | borboletas | Brasil | FAUNA | insetos | Manaos | Manaus | Methona themisto | Reino Animal | Reserva Ducke
Glossário (suporte sintético com revisão humana)
Descrição
Marcação de árvores:
O ato de desferir golpes precisos com o terçado (facão) no tronco das árvores ao longo da caminhada na terra firme. O corte expõe a parte clara interna da casca, gerando um contraste visual (chamado de pique ou pega) que serve de rastro luminoso para guiar o caminho de volta (CRUZ, 2018).
Quebrar Galhos:
Técnica complementar ao pique. Consiste em dobrar ou quebrar parcialmente galhos finos e arbustos na altura dos olhos, apontando-os na direção do deslocamento. Na mata fechada, um galho quebrado com a folhagem virada para baixo destaca-se imediatamente na paisagem natural (FRAXE et al., 2007).
Linha de Água:
O uso do sentido de vazão dos igarapés como bússola natural. Se o caminhante se perde na terra firme, a orientação padrão é caminhar acompanhando o fluxo dos pequenos filetes de água; eles invariavelmente desembocam em um igarapé maior, que por sua vez leva a um rio habitado (LIMA, 2020).
Marcação de Resaca:
Nos igapós (florestas inundadas), onde não é possível deixar rastros no chão, os navegadores guiam-se pela linha escura de sedimentos e líquens deixada nos troncos das árvores pelas cheias anteriores. Essa marcação indica não apenas a profundidade, mas ajuda a reconhecer os corredores seguros de navegação entre as copas (JUNK et al., 1989).
Arrepiar o Cabelo:
Expressão regional que descreve a percepção sensorial de mudança no vento ou no som da floresta. Mateiros experientes conseguem identificar a proximidade de grandes rios ou de clareiras (como roçados) pelo comportamento do vento nas copas das árvores e pela mudança acústica do ambiente, evitando caminhar em círculos (LIMA, 2020).
Reconhecendo àrvores:
Técnica de geolocalização visual baseada em árvores emergentes — gigantes como a Sumaúma ou a Castanheira, que ultrapassam o topo da floresta. Ao memorizar a posição dessas copas colossais em relação ao sol, o caminhante estabelece pontos de referência fixos no horizonte (CRUZ, 2018).
Etimologia (suporte sintético com revisão humana)
Descrita por Jacob Hübner em 1818 (Verzeichniss bekannter Schmettlinge), a Methona themisto exemplifica a fusão entre ciência e erudição clássica do século XIX. O gênero remete a Methone, uma das ninfas Alcionides, enquanto o epíteto themisto evoca a figura mítica de Temisto, cujo nome deriva da raiz para lei ou ordem divina. Para naturalistas como Hübner, a taxonomia era um exercício de prestígio acadêmico: ao nomear a borboleta-vidro, ele buscava elevar sua beleza etérea ao status de Psiquê, a alma humana. Segundo o catálogo moderno de Gerardo Lamas (Atlas of Neotropical Lepidoptera, 2004), essa motivação erudita visava organizar a biodiversidade neotropical sob uma aura de dignidade literária, transformando a biologia em uma celebração da tradição greco-romana.
Paráfrase com atribuição autoral (suporte sintético com revisão humana)
A borboleta-do-manacá Methona themisto é uma espécie da família Nymphalidae, subfamília Ithomiinae, que ocorre na Mata Atlântica brasileira e em áreas urbanas do Sul e Sudeste do Brasil. Suas larvas alimentam-se exclusivamente de Brunfelsia uniflora e B. pilosa, plantas da família Solanaceae conhecidas popularmente como manacá. A presença dessa planta hospedeira em praças e jardins urbanos favorece a abundância local da espécie, que apresenta gerações sobrepostas e adultos ativos ao longo de todo o ano.
— RUSZCZYK, A.; NASCIMENTO, E. Biologia dos Adultos de Methona themisto em praças públicas de Uberlândia, Minas Gerais, Brasil. Revista Brasileira de Biologia, v. 59, n. 4, p. 577-583, 1999.
As lagartas de Methona themisto apresentam coloração aposemática, com listras negras e laranja, e são quimicamente protegidas contra predadores que caçam pela visão, como aves. Experimentos de laboratório demonstraram que pintos domésticos aprendem a evitar as lagartas após um único encontro, e que extratos diclorometânicos das lagartas inibem a predação. Essa defesa química, combinada com o sinal visual de alerta, caracteriza o aposematismo na espécie.
— MASSUDA, K. F.; TRIGO, J. R. Chemical defence of the warningly coloured caterpillars of Methona themisto. European Journal of Entomology, v. 106, n. 2, p. 247-256, 2009.
Methona themisto é uma espécie adaptável a ambientes antropizados, sendo frequentemente observada em centros urbanos com flora exótica e poluição atmosférica. Sua tolerância a condições urbanas, ciclo de vida longo e dependência de plantas ornamentais como o manacá a tornam um indicador potencial de qualidade ambiental em áreas verdes urbanas. Práticas simples de manejo, como o plantio de Brunfelsia uniflora, podem favorecer a conservação local da espécie.
— RUSZCZYK, A.; NASCIMENTO, E. Biologia dos Adultos de Methona themisto em praças públicas de Uberlândia, Minas Gerais, Brasil. Revista Brasileira de Biologia, v. 59, n. 4, p. 577-583, 1999.
Referências bibliográficas
— BROWN, K. S. Biology of Ithomiinae (Lepidoptera: Nymphalidae) in southeastern Brazil. Revista Brasileira de Zoologia, v. 8, n. 3-4, p. 345-368, 1992.
— BROWN, K. S.; FREITAS, A. V. L. Juvenile stages of Ithomiinae: overview and systematics. Tropical Lepidoptera, v. 5, p. 9-20, 1994.
— FREITAS, A. V. L.; BROWN, K. S. Phylogeny of the Nymphalidae (Lepidoptera). Systematic Biology, v. 53, n. 3, p. 472-485, 2004.
— LAMAS, G. Taxonomia e evolução dos gêneros Ituna, Paititia, Thyridia e Methona. 1973. Tese (Doutorado em Zoologia) – Instituto de Biociências, Universidade de São Paulo, São Paulo, 1973.
— MASSUDA, K. F.; TRIGO, J. R. Chemical defence of the warningly coloured caterpillars of Methona themisto. European Journal of Entomology, v. 106, n. 2, p. 247-256, 2009.
— RUSZCZYK, A.; NASCIMENTO, E. Biologia dos Adultos de Methona themisto em praças públicas de Uberlândia, Minas Gerais, Brasil. Revista Brasileira de Biologia, v. 59, n. 4, p. 577-583, 1999.
— TRIGO, J. R. Chemical ecology of Ithomiinae butterflies. In: CARDÉ, R. T.; MILLAR, J. G. (ed.). Advances in Insect Chemical Ecology. Cambridge: Cambridge University Press, 2004. p. 198-223.
GeoCoordinates
Fotógrafo
Leonide Principe
Tipo de camera
Filme 35mm
Captura da Imagem
analogic
Dimenções e tamanho do original
5257px x 3493px - 29.1MB
Capa
P13_308.jpg
Identificador uma palavra
Methona themisto
Pessoas na foto
none
alt_text
P13_308 - Cio de borboletas - Leonide Principe
Resumo dos metadados
P13_308 - Leonide Principe
Camera Nikon F5 with Nikkor lens 80-200mm f2.8 - Camera mounted flash
Diapositive Film Fujichrome Velvia 50
Scanner: Nikon SUPER COOLSCAN 5000 ED
Original digital capture of a real life scene -
Original file size: 5257px x 3493px Size: 29.1MB
Location Taken: Reserva Ducke - Manaus - Amazonas - Brazil
Persons shown: none
Coordenates: 2.96333° S - 59.92283° W
Date Taken: 1993
License: Creative Commons Attribution-NonCommercial (CC BY-NC)
Website: https://leonideprincipe.photos/
Source: Acervo PhotoAMAZONICA
Licença de uso
Creative Commons Attribution-NonCommercial (CC BY-NC)
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Recurso Educacional Livre
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