A paisagem do ribeirinho
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Data de atualização
21 de June de 2026
Código da Fotografia
C37_2518
Título da Foto
A paisagem do ribeirinho
Legenda minimalista
C37_2518 A paisagem do ribeirinho
Texto humano de Acessibilidade (alt_text) - Descrição dos elementos fotografados
Um ribeirinho com chapéu de palha, no seu casco mínimo, amarelo, está recolhendo a malhadeira no lago do Piranha. Na beira do lago, um grande número de garças-branca (Egretta thula) batem o bico na lama da beira. A praia, cor-de-terra perto da água e mais verde-claro na medida que chega à floresta, denota a estação da vazante — a água está em retirada, criando um tapete verde na medida que vem recolhendo-se.
Descrição Principal (texto humano, em revisão humana, inspirado pela fotografia)
A paisagem do ribeirinho
Na beira do lago do Piranha, o ribeirinho recolhe sua malhadeira numa paisagem vislumbrante. Vislumbrante para quem? Para o fotógrafo posso afirmar com certeza: é mesmo! Para o fruidor da imagem é desejável que seja. Para o ribeirinho… se eu perguntasse para ele, poderia responder: na labuta de todo dia, meu amigo, para ganhar o pão.
Este pequeno cenário levanta algumas questões filosóficas interessantes. Primeiramente, posso considerar a ideia de perspectiva. Cada pessoa, seja o ribeirinho, o fotógrafo ou o observador da imagem, tem uma perspectiva diferente da cena em questão. Cada um deles interpreta a paisagem de acordo com suas próprias experiências e vivências, que moldam sua forma de enxergar o mundo. Isso me leva a questionar se existe uma verdade absoluta sobre a beleza da paisagem ou se esta é subjetiva, dependendo da perspectiva de cada indivíduo.
Para o ribeirinho, a paisagem pode ser algo secundário em relação à sua luta diária pela sobrevivência. Ele vê a beleza do lago Piranha através da lente do trabalho árduo, e talvez a paisagem não tenha o mesmo valor que tem para o fotógrafo ou o observador. Porém, mesmo assim posso distinguir entre o trabalho árduo numa canoa no lago do Piranha e o trabalho duro de uma periferia de grande cidade. Apesar de sua labuta, o ribeirinho tem um porte sereno e um sorriso pronto: então posso afirmar que a paisagem age no ribeirinho também? De maneira mais interior, digamos. Ele ama onde ele vive, discretamente.
Descrição de fotos anexas (texto humano, em revisão humana, inspirado pelas fotografias anexas)
Apesar de ser denominado como lago Cabaliana, no Google Maps, o lago do Piranha é assim que é conhecido pelo moradores da área.
Legenda limitada (max 500 caracteres, resumo geral das narrativas, suporte sintético com revisão humana)
Na beira do lago do Piranha, o ribeirinho recolhe sua malhadeira numa paisagem vislumbrante. Vislumbrante para quem? Para o fotógrafo posso afirmar com certeza: é mesmo! Para o fruidor da imagem é desejável que seja. Para o ribeirinho… se eu perguntasse para ele, poderia responder: na labuta de todo dia, meu amigo, para ganhar o pão.
Localidade da tomada
Lago do Piranha - Manacapuru - Amazonas - Brasil
Data e hora da tomada fotográfica
October 14, 2005 6:23:43 AM
Palavras-chave (seleção humana, inteiramente manual)
Amazonas | Amazônia | América do Sul | América Latina | animais | Ardeidae | aves | aves aquáticas | Brasil | caboclos | canoeiros | Egretta garzetta | FAUNA | garça-branca | garças | GENTE | lago do Piranha | lagos | malhadeira | Manacapuru | PAISAGENS | paisagens aquáticas | passaros | pescaria | Reino Animal | ribeirinhos
Glossário (suporte sintético com revisão humana)
Descrição
Termo que designa o habitante tradicional das margens dos rios e canais da Amazônia. Resultante de um longo processo de miscigenação entre populações indígenas, colonizadores europeus e, em muitos casos, descendentes de africanos, o ribeirinho desenvolveu uma cultura profundamente adaptada aos ciclos hidrológicos de cheia e vazante. Sua subsistência baseia-se tradicionalmente na pequena agricultura de várzea, na pesca artesanal e no extrativismo vegetal. A identidade ribeirinha é intrinsecamente ligada ao ecossistema fluvial, manifestando-se em conhecimentos vernáculos sobre a floresta, na arquitetura das casas de palafita e em uma organização social que prioriza a solidariedade comunitária e a autonomia em relação aos centros urbanos (GALVÃO, 1955).
Descrição
Termo que define rios que nascem em áreas de planícies arenosas e solos antigos (podzóis), como o Rio Negro e o Rio Cururu. Apresentam uma coloração que varia do castanho-claro ao negro intenso, semelhante ao chá de ervas, devido à presença de ácidos húmicos e fúlvicos provenientes da decomposição incompleta da matéria orgânica da floresta. São águas quimicamente pobres, ácidas (pH baixo) e extremamente transparentes, permitindo a visibilidade em profundidades de até 3 ou 4 metros. A ausência de sedimentos minerais impede a formação de solos férteis em suas margens, predominando os ecossistemas de igapó (SIOLI, 1984).
Descrição
Implemento de pesca, comercializado nos locais de corredeiras e passagens de peixes. O caboclo a tecela com linha resistente e malha larga, para capturar tambaquis adultos e outros peixes de porte médio. As malhadeiras atualmente fabricadas industrialmente com malha estreita são altamente predatórias, pois capturam peixes jovens indiscriminadamente, antes que tenham chance de se reproduzir.
Descrição
O termo, muito comum na Amazônia designa o trabalho árduo, a faina diária ou o esforço persistente necessário para a subsistência. Mais do que o simples emprego ou ocupação, a labuta implica uma dimensão física e moral de perseverança frente a condições muitas vezes adversas. No contexto amazônico, o termo é frequentemente associado ao ciclo ininterrupto de atividades ligadas à terra e ao rio — como a colheita do açaí, a pesca e a agricultura de subsistência — onde o ritmo do trabalho é ditado pela natureza e pela resistência do corpo (CASCUDO, 1967).
Paráfrase com atribuição autoral (suporte sintético com revisão humana)
A vazante é o tempo em que a terra retoma o seu lugar. O rio se recolhe, deixando atrás de si uma orla de lama e sedimentos que logo se cobre de um verde rasteiro e terno. Nessa beira de mundo, as garças brancas caminham com elegância, picando o solo úmido com seus bicos agudos, enquanto o pescador, em sua montaria, desliza silencioso para recolher o sustento da família. É um quadro de cores terrosas e silêncios apenas quebrados pelo estalido do bico das aves no lodo.
— MELLO, Thiago de. Amazonas, Pátria da Água, 1991. Editora Bloch
A malhadeira é um dos aparelhos de pesca mais utilizados na região. Consiste em uma rede de fios de nylon que é estendida na água para que o peixe, ao tentar atravessá-la, fique preso pelas malhas. No período da vazante, os pescadores colocam as redes nas entradas dos lagos ou em locais de menor profundidade, onde a concentração de cardumes é maior devido à diminuição do volume de água no sistema fluvial.
— SMITH, Nigel. A Pesca no Rio Amazonas, 1979. Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia
O caboclo ribeirinho é, antes de tudo, um homem do rio. Sua vida é regulada pelo regime das águas, que ele conhece como ninguém. Na época da vazante, a paisagem se transforma; o que era inundado vira praia e lamaçal. É o tempo de colher o que o rio deixou, de armar a malhadeira nos locais certos e observar o movimento dos bichos, como as garças-brancas que se ajuntam nos baixios para aproveitar a fartura de peixes miúdos que não conseguiram voltar para o leito principal.
— GALVÃO, Eduardo. Santos e Visagens: um estudo da vida religiosa e social de Itá, 1955. Companhia Editora Nacional
As garças e os socós são as aves mais comuns nas margens dos rios e lagos amazônicos. Durante o dia, elas permanecem nas praias ou nas áreas de lama expostas pela descida das águas, procurando alimento. O comportamento de busca envolve caminhar lentamente ou ficar imóvel à espera da presa, que consiste geralmente em pequenos peixes, crustáceos e insetos que ficam retidos nas poças durante a estação da seca.
— SICK, Helmut. Ornitologia Brasileira, 1997. Editora Nova Fronteira
O aspecto do rio Amazonas varia segundo as estações de cheia e vazante. Na vazante, quando as águas baixam, ficam a descoberto as praias de areia e as margens de vasa ou lama, onde se veem garças e outros animais aquáticos. O habitante da margem, o ribeirinho, aproveita este período para a pesca, pois o peixe se concentra nos lagos e canais remanescentes, facilitando o uso de redes e outros implementos de captura.
— FIGUEIREDO, Guilherme. O Rio Amazonas, 1961. Livraria Agir Editora
Referências bibliográficas
— FIGUEIREDO, Guilherme. _O Rio Amazonas_. Rio de Janeiro: Livraria Agir Editora, 1961.
— GALVÃO, Eduardo. _Santos e Visagens: um estudo da vida religiosa e social de Itá_. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1955.
— MELLO, Thiago de. _Amazonas, Pátria da Água_. Rio de Janeiro: Editora Bloch, 1991.
— SICK, Helmut. _Ornitologia Brasileira_. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1997.
— SMITH, Nigel. _A Pesca no Rio Amazonas_. Manaus: INPA, 1979.
GeoCoordinates
Fotógrafo
Leonide Principe
Tipo de camera
DSLR (reflex digital)
Captura da Imagem
digital
Dimenções e tamanho do original
3280px x 2454px - 6.0MB
Capa
C37_2518.jpg
Anexos
C37_2515.jpg - C37_2534.jpg - C37_2536.jpg - C37_2535.jpg
Identificador uma palavra
Ribeirinhos
Pessoas na foto
Riverine
alt_text
C37_2518 - A paisagem do ribeirinho - Leonide Principe
Resumo dos metadados
C37_2518 - Leonide Principe
Equipment: E8800 with lens set at 89 mm
Exposition: ISO 50 - Aperture 6.6 - Shutter 1/190
Program: Normal - Exp. Comp. -1.0
Original file size: 3280px x 2454px
Size: 6.0MB
Date: October 14, 2005 - 6:23:43 AM
Location Taken: Lago do Piranha - Manacapuru - Amazonas - Brasil)
Coordinates: 3.30167° S - 60.81128° W
Persons shown: Riverine
Website: https://leonideprincipe.photos/
Source: Acervo PhotoAMAZONICA
Licença de uso
Creative Commons Attribution-NonCommercial (CC BY-NC)
Termos de uso
Recurso Educacional livre
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