A onça, meu vizinho 1
...anda calmamente CT04_0090-2
... cheira a câmera CT04_0090-5
... 15 dias depois, retornando CT05_0026-2
Data de atualização
6 de June de 2026
Código da Fotografia
CT04_0089
Título da Foto
A onça, meu vizinho 1
Legenda minimalista
CT04_0089 A onça, meu vizinho 1
Texto humano de Acessibilidade (alt_text) - Descrição dos elementos fotografados
Numa trilha de floresta, a Trilha dos Gatos, uma camera-armadilha capturou a imagem de uma onça-pintada transitando calmamente de Leste para Oeste.
Descrição Principal (texto humano, em revisão humana, inspirado pela fotografia)
Jardim do Eden
Na Amazônia, um vizinho altamente indesejável é a onça.
Mas a questão não é desejar ou não desejar, a questão é: ela pode estar em qualquer lugar, a qualquer momento, invisível e letal.
Essa vivência constante de emboscada está sempre presente no pensamento do morador da floresta. Ele pode ser valente ou medroso mas a onça é o inimigo e é preciso estar armado para combater e eliminar o perigo. As conversas do interior não fogem desse teor repetitivo. Assim como as cobras, as onças são a personificação do mal.
No ano 2000, quando foi morar na floresta por decisão consciente, eu não tinha esse sentimento arraigado de malquerença, eu era como uma criança inocente que brinca no quintal. Por falta de conhecimento e de experiência, no quintal pode haver situações inesperadas, mas a inocência não funciona naquela frequência. Assim eu passeava feliz, alegre e solitário no grande quintal da minha casa, saindo para explorar e fotografar de manhã até o pôr-do-sol, caminhando por 4-5 quilômetros numa volta completa da terra. Que momentos marcantes! Observando formas vegetais nunca vistas, insetos fantasmagóricos, raios de sol que rasgavam a copa das árvores, e eu acompanhando aquele raio de luz até seu destino final, sobre o inseto em cima da folha, sobre uma raiz ou uma planta particular. Sincronias aconteciam no paraíso terrestre do fotógrafo.
Mas ela estava lá também, a onça.
Quantas vezes ela deve ter me observado, quantas vezes ela deve ter desconfiado daquele forte flash de luz que saia do meu equipamento.
Eu estava completamente imerso em meu trabalho e posso acreditar que isso fosse a minha maior proteção, porém quando iniciei o monitoramento, em 2018, me dei conta de verdade que ela estava lá, e com uma certa regularidade: o impacto dessa realidade nua e crua no meu pensamento foi devastador. Perdi minha inocência! Comecei a entrar na floresta com uma energia diferente, de desconfiança, apesar de ter sido sempre contrário, pensei numa arma. Mas achei isso demais, ainda bem. Então entrava com uma longa vara de madeira dura pontuda, e também achei que era demais, estava com saudade da minha inocência.
Mas nada é por acaso e agora vivia o maior desafio de minha jornada na floresta. Seria capaz de entrar de novo com a mesma serenidade anterior ao monitoramento? Seria capaz de resgatar o domínio de minha matriz energética? Pois esta questão, no meu interior, tornou-se dominante. A minha tarefa era entrar na floresta a cada quinze dias, sozinho, para recuperar os cartões de memória das câmeras. Eu me desafiava, checando as fotos lá mesmo, no ponto das capturas, e não deu outra, teve o momento em que um grande gato tinha acabado de passar, uma hora antes de eu chegar no ponto. Não sei porque, mas depois desse evento eu encontrei um acordo comigo mesmo, um tipo de fé: eu não era caçador, não destruia florestas, até militava em favor da natureza... como ainda estou.
Descrição de fotos anexas (texto humano, em revisão humana, inspirado pelas fotografias anexas)
CT04_0090-2 - Percepção muito aguçada
Onça-pintada (Panthera onca) é conhecida também como iauaretê, de onde vem jaguar.
Caminhando calmamente, a onça entrou no quadro desde o Leste, indo para Oeste, em direção à Rodovia Federal, e à minha casa. O magnifico gato parece ser um adulto forte e saudável…
… a onça cruzou o campo inteiro do enquadramento e, de repente, parou, mostrando apenas o rabo… alguma coisa estava atraindo sua atenção.
CT04_0090-5 - Quimérico animal
… E, mais uma surpresa, o quimérico animal apareceu de novo com toda sua cabeca no quadro… deixou-me ouvir claramente o som de um cheiro indagador do equipamento fotográfico. O cheiro que estava atraindo o felino não tinha nada a ver com a câmera… era o meu cheiro que estava no centro do interesse. O incrível para mim foi o de constatar a apurada capacidade de perceber o rastro olfativo, apesar das chuvas intensas de Abril terem já lavado bastante o equipamento, durante mais de uma semana…
CT05_0026-2 - Retornando
…e, 16 dias depois, encontro outro registro de uma onça indo na direção oposta, para longe da minha casa. As rosetas (as manchas escuras na pele das onças) são comparadas para identificar os indivíduos. Porém, como os registros mostram lados opostos da onça, as rosetas não podem ser comparadas. Podemos apenas supor que os padrões individuais gerais e a proximidade dos dois registros apontam para hipótese da mesma onça, retornando.
Indivíduo adulto, indo para Leste, afastando-se da rodovia federal BR-174, mostra o lado esquerdo.
O padrão de identificação apropriado, para que não haja dúvidas, deveria contemplar a instalação de duas câmeras no mesmo local, uma de um lado e a segunda do outro lado da trilha, para que os dois lados do felino fossem registrado. A quantidade de câmeras necessárias e, principalmente, o aumento do volume de trabalho, com a seleção de milhares de imagens a mais, limitou o uso desta prática mais apropriada.
Videos e Audios
Localidade da tomada
Abra144 - Presidente Figueiredo - Amazonas - Brazil
Data e hora da tomada fotográfica
2018-04-23 11:09:48
Palavras-chave (seleção humana, inteiramente manual)
Abra144 | Amazonas | Amazônia | América do Sul | América Latina | animais | Brasil | câmeras-armadilha | FAUNA | Felinae | felinos | floresta ombrófila | floresta pluvial | floresta primária | floresta tropical úmida | Grade144 | iauaretê | mamíferos | mata de terra firme | monitoramento da fauna | onça-pintada | PAISAGENS | Panthera onca | PESQUISA | Presidente Figueiredo | Reino Animal
Glossário (suporte sintético com revisão humana)
Descrição
Dispositivo fotográfico ou de vídeo com sensor de movimento (infravermelho ou PIR) acionado automaticamente pela passagem de animais ou pessoas. É amplamente utilizada em pesquisas científicas na Amazônia para monitoramento da fauna, estimativa populacional, identificação de espécies raras ou elusivas e estudos de comportamento sem interferência direta do observador.
Com o uso de câmeras-armadilha instaladas na Abra144, foram registradas onças, pintadas e pardas, em uma área de transição, demarcada por uma Rodovia Federal, entre uma area densamente populada e de uso agricultural com uma área de floresta de terra firme, primária, onde foi realizada a pesquisa.
Descrição
Conjunto de técnicas e métodos sistemáticos utilizados para acompanhar populações de felinos silvestres (como onça-pintada, onça-parda, jaguarundi, gato-maracajá e gato-do-mato) na Amazônia. Essas práticas incluem o uso de câmeras-armadilha, armadilhas de pegadas, coleta de amostras biológicas (fezes, pelos), rádio-telemetria, colares GPS e armadilhas fotográficas com identificação individual por padrão de manchas. O objetivo é obter dados sobre densidade populacional, área de vida, dieta, saúde, reprodução, movimentação e interações interespecíficas, fundamentais para a conservação das espécies diante de ameaças como desmatamento, caça e fragmentação florestal.
Exemplo de uso: O monitoramento de felinos na Floresta Nacional do Amanã revelou que a onça-pintada (Panthera onca) mantém territórios de até 200 km² e evita áreas próximas a assentamentos humanos, indicando sensibilidade à pressão antrópica.
Paráfrase com atribuição autoral (suporte sintético com revisão humana)
Colocamos armadilhas fotográficas ao longo de trilhas e estradas, em locais onde observamos pegadas ou fezes, e em pontos que pareciam ser usados regularmente pela vida selvagem. As câmeras foram programadas para operar 24 horas por dia e foram verificadas a cada duas ou três semanas para substituir o filme e as baterias.
— KAYS, Roland W.; SLAUSON, Michael. _Remote cameras. In: LONG, Robert A. et al. (Ed.). Noninvasive survey methods for carnivores_. Washington: Island Press, 2008, p. 110-111.
Quando comecei minha carreira como biólogo de tigres na WCS (Wildlife Conservation Society) na década de 1980, meu maior desafio era contar esses tigres raros e elusivos em Malenad. Foi então que tive a ideia de capturar tigres em filme usando câmeras automáticas, acionadas pelos felinos em passagem. Como o padrão de listras de cada tigre é unicamente identificável, como códigos de barras em livros de biblioteca, pude contá-los usando as fotos.
— KARANTH, K. Ullas. In: _The Hindu. The tiger trail_. 6 out. 2002.
Os felinos neotropicais, como a onça-pintada e a jaguatirica, são particularmente difíceis de estudar devido à sua baixa densidade populacional e comportamento esquivo. As armadilhas fotográficas emergiram como ferramenta padrão-ouro para detectar esses carnívoros elusivos em florestas tropicais.
— OLIVEIRA, Tadeu G. de; TORTATO, Marcos A. _Mamíferos do Brasil: guia de identificação_. Rio de Janeiro: Technical Books, 2018, p. 203.
Obtivemos 1.482 fotografias de felinos selvagens ao longo de 6.720 noites-armadilha. As probabilidades de detecção variaram sazonalmente, com taxas de captura mais altas durante a estação seca, quando os animais se concentravam ao redor das fontes de água remanescentes. O monitoramento com armadilhas fotográficas revelou padrões de atividade temporal que diferiram entre espécies simpátricas de felinos.
— KELLY, Marcella J.; HOLUB, Elizabeth L. Camera trapping of carnivores. In: OCONNELL, Allan F.; NICHOLS, James D.; KARANTH, K. Ullas (Ed.). _Camera traps in animal ecology: methods and analyses_. Tokyo: Springer, 2011, p. 46-47.
O uso de armadilhas fotográficas revolucionou o estudo de espécies raras e crípticas. Para as onças-pintadas, a capacidade de identificar indivíduos através de padrões únicos de manchas permitiu estimativas populacionais precisas usando modelos de captura-recaptura, substituindo métodos mais antigos que eram impossíveis ou altamente invasivos.
— SILVER, Silvia C. et al. _The use of camera traps for estimating jaguar abundance in the Brazilian Atlantic Forest_. Animal Conservation, v. 7, n. 2, p. 129-138, 2004, p. 130.
Referências bibliográficas
— KAYS, Roland W.; SLAUSON, Michael. Remote cameras. In: LONG, Robert A. et al. (Ed.). Noninvasive survey methods for carnivores. Washington: Island Press, 2008.
— KARANTH, K. Ullas. In: The Hindu. The tiger trail. 6 out. 2002.
— OLIVEIRA, Tadeu G. de; TORTATO, Marcos A. Mamíferos do Brasil: guia de identificação. Rio de Janeiro: Technical Books, 2018.
— KELLY, Marcella J.; HOLUB, Elizabeth L. Camera trapping of carnivores. In: OCONNELL, Allan F.; NICHOLS, James D.; KARANTH, K. Ullas (Ed.). Camera traps in animal ecology: methods and analyses. Tokyo: Springer, 2011.
— SILVER, Silvia C. et al. The use of camera traps for estimating jaguar abundance in the Brazilian Atlantic Forest. Animal Conservation, v. 7, n. 2, p. 129-138, 2004.
— PULLIAM, Bill. In: Texas Cryptid Hunter. A couple of quotes for your consideration. 9 jun. 2010.
GeoCoordinates
Fotógrafo
Leonide Principe
Tipo de camera
Camera-armadilha Reconix
Captura da Imagem
digital
Dimenções e tamanho do original
3776px x 2124px - 2.5MB
Capa
CT04_0089.jpg
Anexos
CT04_0090-2.jpg - CT04_0090-5.jpg - CT05_0026-2.jpg
Identificador uma palavra
Monitoramento de felinos
Pessoas na foto
none
alt_text
CT04_0089 - A onça, meu vizinho - Leonide Principe
Resumo dos metadados
CT04_0089 - Leonide Principe
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Creative Commons Attribution-NonCommercial (CC BY-NC)
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Recurso Educacional Livre
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