Mulher no comando
A09_1376 Como todo marinheiro faz
D63_5404 Mãe ribeirinha com o filho
P07_151 Orla de Manacapuru
Data de atualização
Código da Fotografia
Título da Foto
Legenda minimalista
Texto humano de Acessibilidade (alt_text) - Descrição dos elementos fotografados
Descrição Principal (texto humano, em revisão humana, inspirado pela fotografia)
Nas águas branca do rio Solimões a mulher caboca arregaça puxando a embarcação pela proa e atracando ao porto de Manacapuru, a Princesinha do Solimões. Eu estava usando uma lente 300mm e quando ampliei a imagem sobre a expressão facial da mulher, teve uma sensação de presença: ela estava olhando diretamente no meu olho como que questionando meu interesse e portanto eu não estava tão próximo. Eu me encontrava nos flutuantes, no meio de muitas outras pessoas, mas é sabido que uma mulher percebe quando alguém está olhando para ela.
O porto de Manacapuru é formado por construções flutuantes de madeira, amarradas uma na outra. Há um movimento constante de gente, o comércio é intenso entre armazéns, mercadinhos, bares e lojas variadas.
Orla de Manacapuru
Manacapuru é uma alegre e animada cidade do interior. A pouco mais de 100 km de Manaus, a cidade prospera na beira do rio Solimões, que é um outro nome para este trecho do rio Amazonas. Os rios de água branca são muito mais povoados por serem mais fartos na produção de alimentos e recursos como peixes, frutas, hortaliças e raízes, e Manacapuru reflete muito esta fartura com o transito de suas ruas. Em minha primeiras viagens a esta cidade o movimento principal era de bicicletas, porém, recentemente, as motocicletas estão dominando. A cidade organiza o faustoso Festival folclórico de Cirandas todo ano, no final de Agosto, do qual fiz cobertura por vários anos com o mesmo entusiasmo do Festival do Boi-bumbá de Parintins.
Descrição de fotos anexas (texto humano, em revisão humana, inspirado pelas fotografias anexas)
Essa foi a primeira imagem da mulher, atracando ao porto de Manacapuru. A capitã leva juntos seus filhos e uma carga considerável. Eu estou fotografando desde os flutuantes do porto com uma teleobjetiva 300 mm. Foi por causa da 300 mm que percebi a cena excepcional: uma mulher com seus filhos e transportando uma carga para a cidade. Nesses termos não é tão fácil. Há muitas mulheres andando de canoa em pequenos trajetos, localmente, mas essa mostrou logo sua cara valente. Ela estava levando um motor de rabeta e vinha a favor da correnteza, por esta razão, antes de aportar foi descendo mais a jusante e deu a volta para poder atracar no cais com a correnteza contra, numa velocidade controlada. É como todo marinheiro faz!
Localidade da tomada
Data e hora da tomada fotográfica
Palavras-chave (seleção humana, inteiramente manual)
Glossário (suporte sintético com revisão humana)
Descrição
Termo que designa o habitante tradicional das margens dos rios e canais da Amazônia. Resultante de um longo processo de miscigenação entre populações indígenas, colonizadores europeus e, em muitos casos, descendentes de africanos, o ribeirinho desenvolveu uma cultura profundamente adaptada aos ciclos hidrológicos de cheia e vazante. Sua subsistência baseia-se tradicionalmente na pequena agricultura de várzea, na pesca artesanal e no extrativismo vegetal. A identidade ribeirinha é intrinsecamente ligada ao ecossistema fluvial, manifestando-se em conhecimentos vernáculos sobre a floresta, na arquitetura das casas de palafita e em uma organização social que prioriza a solidariedade comunitária e a autonomia em relação aos centros urbanos (GALVÃO, 1955).
Descrição
Rabeta é uma embarcação de pequeno porte, típica da região amazônica, confeccionada em madeira ou alumínio, cujo diferencial reside na propulsão por um motor de popa de centro-rabeta. Esse motor de baixa potência, movido a gasolina ou diesel, possui um eixo longo de transmissão acoplado diretamente à hélice. Conforme descrito por Emilio Moran em Ecologia Humana das Populações Amazônicas (1990), esse mecanismo articulado permite erguer o eixo com facilidade, tornando a rabeta o meio de locomoção ideal para navegar em áreas rasas, repletas de troncos, bancos de areia e vegetação aquática densa, como as várzeas e igapós do rio Solimões. Na dinâmica sociocultural local, a condução da rabeta é dominada tanto por homens quanto por mulheres, garantindo a autonomia no transporte familiar e no escoamento de produtos agrícolas até entrepostos urbanos como o porto de Manacapuru, conforme apontam as pesquisas sobre o saber e o trabalho ribeirinho de Lourdes Furtado em Ribeirinhos do Amazonas (1993).
Paráfrase com atribuição autoral (suporte sintético com revisão humana)
— BENCHIMOL, Samuel, Amazônia: Formação Social e Cultural, 1999, Editora Valer
A presença feminina na condução das rabetas reflete a autonomia e a centralidade da mulher ribeirinha na economia doméstica amazônica. Elas dominam as técnicas de navegação pelos canais e paranás, enfrentando a força das correntes com destreza, assumindo o controle do transporte familiar e a responsabilidade pelo escoamento da produção até os centros urbanos da região.
— FURTADO, Lourdes Gonçalves, Ribeirinhos do Amazonas: Vida, Trabalho e Saber, 1993, Museu Paraense Emílio Goeldi
As águas barrentas ou águas brancas do Solimões, ricas em nutrientes e sedimentos andinos, contrastam fortemente com a paisagem e determinam a dinâmica da vida nas várzeas. É nesse cenário de cheias e vazantes que a população local estabelece seus portos de chegada, onde a atividade comercial se intensifica a cada desembarque de mercadorias e passageiros vindos do interior do estado.
— SIOLI, Harald, Amazônia: Fundamentos da Ecologia da Maior Região de Florestas Tropicais, 1985, Editora Instituto Humanitas
A rabeta, pequena embarcação movida por motor de popa de eixo longo, transformou-se no principal meio de locomoção nas várzeas e igapós da Amazônia, permitindo que homens e mulheres enfrentassem as longas distâncias dos rios e garantissem o acesso aos mercados urbanos para a comercialização de seus produtos agrícolas e pesqueiros.
— MORAN, Emilio F., Ecologia Humana das Populações Amazônicas, 1990, Editora Vozes
O rio Amazonas e o Solimões constituem canais de escoamento e, ao mesmo tempo, artérias de comunicação e comércio, servindo de via de transporte para as populações ribeirinhas que habitam as suas margens e que utilizam pequenas embarcações, como canoas e barcos a motor, para se deslocarem entre as comunidades e as cidades.
— ALMEIDA, Alfredo Wagner Berno de, Terras de Ribeirinhos, 2008, Edua
Referências bibliográficas
— MORAN, Emilio F., Ecologia Humana das Populações Amazônicas, 1990, Editora Vozes
— SIOLI, Harald, Amazônia: Fundamentos da Ecologia da Maior Região de Florestas Tropicais, 1985, Editora Instituto Humanitas
— FURTADO, Lourdes Gonçalves, Ribeirinhos do Amazonas: Vida, Trabalho e Saber, 1993, Museu Paraense Emílio Goeldi
— BENCHIMOL, Samuel, Amazônia: Formação Social e Cultural, 1999, Editora Valer
GeoCoordinates
Fotógrafo
Tipo de camera
Captura da Imagem
Dimenções e tamanho do original
Capa
Anexos
Identificador uma palavra
Pessoas na foto
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Resumo dos metadados
Equipment: NIKON D2X with lens 300mm f/2.8 set at 300 mm
Exposition: ISO: 100 - Aperture: 6.7 - Shutter: 1/750 - Program: Normal - Exp. Comp.: -0.3, Original digital capture of a real life scene
Original file size: 4312px x 2868px, Size: 8.8MB
Location: Nas proximidades do porto - Manacapuru - Amazonas - Brazil
Persons shown: -unknown people
Coordenates: 3.30292° S - 60.62123° W
Date Taken: 2006-03-23 10:23:17
License: Creative Commons Attribution-NonCommercial (CC BY-NC)
Website: https://leonideprincipe.photos/
Source: Acervo PhotoAMAZONICA
Licença de uso
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