A onça meu vizinho 3
A roseta do Charlie CharlieSpot
In english: jaguar | Scientific name: Panthera onca | Brazilian popular name: onça-pintada, iauaretê Monitoring jaguars by camera trap. The nickname of this jaguar is “Carlito” because of the highlighted spot. CT06_1005-5 - Leonide Principe - Date: June 28, 2018 - Time: 12:50:04 AM - Equipment: with lens set at mm - Exposition: ISO: - Aperture: - Shutter: - Program: - Exp. Comp.: Original file size: 1920 x 1080 at 72 pixels/inch CT06_1005-5
Visibilidade das rosetas CT06-18_1005-5
Data de atualização
Código da Fotografia
Título da Foto
Legenda minimalista
Texto humano de Acessibilidade (alt_text) - Descrição dos elementos fotografados
Descrição Principal (texto humano, em revisão humana, inspirado pela fotografia)
Em 28 de Junho de 2018, logo após a meia-noite, uma jovem onça-pintada (Panthera onca), cruzou na frente de uma câmera instalada mais ao Sul da Trilha dos Gatos. Chamei ela de Charlie, em homenagem ao ilustre cómico Charlie Chaplin, cuja face está estampada em uma das roseta da onça (veja nas fotos anexas). Charlie passou pela câmera e cheirou o equipamento e eu sei que o nariz dela farejou as moléculas da minha assinatura biológica, apesar de ter sido lavadas pelas chuvas e o sereno da noite, escassas minúsculas partículas que a minha mão deixou sobre o equipamento e que o aparato sensorial afinadissimo captou. A jovem onça está mostrando o lado esquerdo e indo em direção a rodovia federal BR174. Nos meses seguintes criei uma certa expectativa, procurei por Charlie em todos os novos registros, pensando que voltaria a gravar, fiquei até preocupado pensando no pior. Atravessando a rodovia, Charlie encontraria do outro lado uma área muito habitada e com pouquíssima caça, além de moradores sem a menor preocupação com a preservação das onça. Perdão, Charlie, afasto da minha mente todo pensamento vacilado e te visualizo livre e sadia na imensa Reserva Biológica do Uatumã. Apesar da minha área ter a rodovia do lado Oeste, no sentido oposto há uma grande floresta, um corredor selvagem de 20 km que leva à beira de um grande lago, Balbina. Este lago é cheio de ilhas, onde as onças são vista atravessando até a outra beira do lago e no sentido oposto. Ali está o reino perfeito da pura floresta, a Reserva Biológica do Uatumã. É onde eu te imagino, Charlie, acreditando firmemente que o pensamento focado tem o poder de direcionar o mundo físico. Desde 23 de Abril do mesmo ano, quando gravei a primeira onça, indo em direção a rodovia, quase sempre eu tenho o registro da mesma onça voltando. Suponho que onças vivendo numa floresta sadia e sem cercas quando se deparam com presença humana mais intensa tendem a se afastar, voltando ao seu ambiente original… Ainda fiquei conhecido na região por mexer com onças e o Raimundo, meu mateiro, morador do lado Oeste da BR, sempre ficava sabendo se alguma onça tinha sido morta, ferida ou avistada. Me consola saber que não teve acontecimentos daquele tipo na temporada de monitoramento do Charlie.Descrição de fotos anexas (texto humano, em revisão humana, inspirado pelas fotografias anexas)
O registro mostra apenas o lado esquerdo, onde está a roseta que poderia identicá-la em eventuais próximos registros. Aqui agora está o motivo por esse jovem gato ter despertado tamanha afetuosa maravilha. Assim como uma impressão digital, carateristica única da onça-pintada, o desenho de suas rosetas permitiu-me identificar os maiores símbolos da minha geração. O primeiro vislumbre na observação das rosetas foi o Charlie Chaplin, ele estava lá, inconfundível como aparece na foto ampliada à direita. Eu posso ver o famoso cómico sem dificuldade, assim que eu deixo a você a tarefa de identificá-la. Pareidolia? Sim, com o diferente tipo de perspectiva que podemos aplicar nesse casos.
Além do Charlie Chaplin eu posso ver John Lennon, na rosetas pouco mais à esquerda e também Che Guevara mais à direita. Não consigo esconder um certo afeto para Charlie, pois o jovem gato desenhou em sua pele não um, mas três os maiores símbolos da minha geração. É provável que se eu encontrasse esse Charlie correria para abraçá-lo.Videos e Audios
Localidade da tomada
Data e hora da tomada fotográfica
Palavras-chave (seleção humana, inteiramente manual)
Glossário (suporte sintético com revisão humana)
Descrição
No geral, no contexto científico, é um fenômeno psicológico e perceptivo no qual indivíduos percebem padrões, formas ou imagens significativas (especialmente rostos e figuras reconhecíveis) em estímulos visuais ou auditivos aleatórios, ambíguos ou desestruturados, como nuvens, manchas, texturas, sons ou objetos cotidianos. Representa uma tendência cognitiva humana de atribuir significado e reconhecimento a padrões inexistentes ou não intencionais (GROSS; WEITZMAN, 1972, p. 1-5; ROST, 2020, p. 1-3).
Na interface com estudos culturais e antropologia, a pareidolia dialoga com conceitos de ontologias relacionais e epistemologias da percepção, especialmente em contextos onde "ver presenças" na natureza constitui forma legítima de conhecimento (como nas cosmologias indígenas amazônicas). Enquanto a ciência ocidental classifica como "projeção", outras epistemologias entendem como "reconhecimento relacional" (VIVEIROS DE CASTRO, 1996; INGOLD, 2000).
Descrição
Dispositivo fotográfico ou de vídeo com sensor de movimento (infravermelho ou PIR) acionado automaticamente pela passagem de animais ou pessoas. É amplamente utilizada em pesquisas científicas na Amazônia para monitoramento da fauna, estimativa populacional, identificação de espécies raras ou elusivas e estudos de comportamento sem interferência direta do observador.
Com o uso de câmeras-armadilha instaladas na Abra144, foram registradas onças, pintadas e pardas, em uma área de transição, demarcada por uma Rodovia Federal, entre uma area densamente populada e de uso agricultural com uma área de floresta de terra firme, primária, onde foi realizada a pesquisa.
Etimologia (suporte sintético com revisão humana)
Paráfrase com atribuição autoral (suporte sintético com revisão humana)
— FRAGOSO, Carlos Eduardo; RAMPIM, Lilian Elaine; QUIGLEY, Howard; HABERFELD, Mario Buhrke; ESPÍNDOLA, Wellyngton Ayala; ARAÚJO, Valquíria Cabral; SARTORELLO, Leonardo Rodrigues; MAY JÚNIOR, Joares Adenilson. Unveiling demographic and mating strategies of Panthera onca in the Pantanal, Brazil. Journal of Mammalogy, Oxford, v. 104, n. 2, p. 1-15, 2023.
Para o monitoramento da onça-pintada com armadilhas fotográficas, recomenda-se o uso de duas câmeras por estação de amostragem, pois esta configuração permite a identificação bilateral dos indivíduos a partir das marcas laterais, resultando em estimativas de densidade mais precisas (3,99 indivíduos/100 km²) em comparação ao uso de uma única câmera (2,18 a 5,40 indivíduos/100 km²).
— NEGRÕES, Nuno; SOLLMANN, Rahel; FONSECA, Carlos; JÁCOMO, Anah T. A.; REVILLA, Eloy; SILVEIRA, Leandro. One or two cameras per station? Monitoring jaguars and other mammals in the Amazon. PLoS ONE, San Francisco, v. 19, n. 3, p. 1-18, 2024.
A colocação das câmeras-armadilha influencia significativamente as taxas de registro de onças-pintadas, suas presas e competidores, sendo que locais fora de trilhas mostraram uma menor proporção de machos registrados, indicando um viés de amostragem que deve ser considerado em estudos de monitoramento da fauna.
— MONTALVO, Victor H.; SÁENZ-BOLAÑOS, Carolina; CRUZ-DÍAZ, Juan C.; KAMILAR, Jason M.; CARRILLO, Eduardo; FULLER, Todd K. Effects of camera trap placement on photo rates of jaguars, their prey, and competitors in northwestern Costa Rica. Wildlife Society Bulletin, Hoboken, v. 47, n. 2, p. 1-15, 2023.
Em levantamentos populacionais da onça-pintada na região das Yungas argentinas, o mau funcionamento de câmeras resultou na captura fotográfica de vários indivíduos apenas de um lado, impossibilitando a identificação inequívoca necessária para a aplicação de modelos tradicionais de captura-recaptura espacialmente explícitos, o que demanda estratégias analíticas alternativas para o monitoramento.
— REPPUCCI, J. I.; CUYCKENS, F.; PEROVIC, P. G. Jaguar density in the Argentine Yungas: Overcoming camera trap failure. Journal for Nature Conservation, Amsterdam, v. 77, n. 1, p. 1-10, 2024.
As fêmeas de onça-pintada usam táticas de 'esconder e flertar' para proteger seus filhotes de machos infanticidas. Após testemunhar uma tentativa de acasalamento no Dia dos Namorados de 2020, na Colômbia, e ao compartilhar a história com colegas no Brasil, descobriu-se que eles também haviam visto uma mãe que amamentava envolvida em atividades de cortejo. Em dois dos casos - nos Llanos da Colômbia e no Pantanal Norte do Brasil - as mães se reencontraram com seus filhotes depois. As observações são os primeiros exemplos publicados de onças-pintadas usando táticas anti-infanticídio na natureza.
— STASIUKYNAS, Diana; et al. Mother jaguars may flirt to save their cubs' lives. Science, Washington, D.C., v. 375, n. 6581, p. 1-2, 2022.
Referências bibliográficas
— MONTALVO, Victor H.; SÁENZ-BOLAÑOS, Carolina; CRUZ-DÍAZ, Juan C.; KAMILAR, Jason M.; CARRILLO, Eduardo; FULLER, Todd K. Effects of camera trap placement on photo rates of jaguars, their prey, and competitors in northwestern Costa Rica. Wildlife Society Bulletin, Hoboken, v. 47, n. 2, p. 1-15, 2023.
—NEGRÕES, Nuno; SOLLMANN, Rahel; FONSECA, Carlos; JÁCOMO, Anah T. A.; REVILLA, Eloy; SILVEIRA, Leandro. One or two cameras per station? Monitoring jaguars and other mammals in the Amazon. PLoS ONE, San Francisco, v. 19, n. 3, p. 1-18, 2024.
— REPPUCCI, J. I.; CUYCKENS, F.; PEROVIC, P. G. Jaguar density in the Argentine Yungas: Overcoming camera trap failure. Journal for Nature Conservation, Amsterdam, v. 77, n. 1, p. 1-10, 2024.
— STASIUKYNAS, Diana; et al. Mother jaguars may flirt to save their cubs' lives. Science, Washington, D.C., v. 375, n. 6581, p. 1-2, 2022.

